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Malala, ganhadora do Nobel da Paz, visita o Brasil

Bianca Dias, Fernanda Ming e Gabriela Henrique – Fala Anhembi

A sua luta e o seu ativismo têm o poder de fazer mudanças” , afirmou Malala Yousafzai em um evento realizado em São Paulo.

Na última segunda-feira (9) ocorreu, no Auditório do Ibirapuera, um debate entre a ativista paquistanesa, estudantes, professores e ONGs. A vinda de Malala ao Brasil era muito esperada, a jovem é considerada ícone da luta pela educação e da equidade de gênero.

O debate, feito com a parceria entre o Malala Fund e o banco Itaú, teve como intuito a discussão acerca de assuntos como a educação, feminismo e política. Malala destacou que um dos fatores que lhe trouxe ao Brasil, além do fato de ser um país onde os jovens querem criar um futuro educacional sustentável, foi a questão de que mais de 1,5 milhões de meninas brasileiras têm um acesso restrito à educação.

Fonte: Rovena Rosa/Agência Brasil

Minha esperança nessa viagem é que a gente consiga achar meios para fazer com que essa porcentagem de meninas tenham acesso a educação para que possam dar a sua contribuição ao país, não apenas individualmente, mas ajudando a melhorar a democracia e trazer estabilidade ao país”

Entre os diferentes olhares presentes no evento, os temas como diversidade e educação tornaram-se homogêneo. A diversidade presente nas diferentes religiões, etnias e cultura foram utilizadas como exemplos para mostrar o quanto o sentimento de alteridade poderia trazer maior reflexão e trocas de conhecimento entre meninos e meninas, principalmente na sala de aula. A jovem paquistanesa também comentou sobre a importância perante as diversidades e o quanto o conhecimento contribui para gerar a tolerância.

“A diversidade promove a tolerância. Quando você não encontra pessoas diferentes, não percebe coisas, não percebe o quanto tem em comum com elas.”

O ativismo foi, também, um assunto muito pautado durante todo o diálogo entre os estudantes e Malala, sempre ressaltando a importância dessas ações para contribuir na melhoria da educação e o quanto elas podem auxiliar no desenvolvimento das camadas menos privilegiadas da população.

Fonte: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

No evento, Yousafzai destacou o quanto a persistência e resiliência são importantes na luta pela educação e pelos direitos. A jovem ativista também destacou o quanto é relevante a inclusão dos homens na luta por equidade de gênero, já que para quebrar as barreiras do machismo é necessário educar homens e meninos gerando um cenário igualitário, mais seguro e próspero para todos os indivíduos, independente do seu gênero. Malala contou que quando seu pai resolveu fazer parte do movimento feminista ele teve que lutar contra suas próprias ideologias e as da sociedade, já que a mulher possui um lugar separado na mesma, com menos oportunidades em comparação aos homens.

Com a turbulência na questão política brasileira, uma jovem estudante perguntou à Malala como ela lida com decepções frente à figuras políticas.

“Vocês têm o voto. O poder está em suas mãos. Usem esse poder e elejam pessoas que te representem bem. Precisamos sempre lembrar nossos políticos que a responsabilidade é deles, que eles precisam ouvir as pessoas para saber o que pode ser feito no país”.

O debate também contou com a presença de figuras como a cientista política e ativista pela educação Tabata Amaral, a presidente do Instituto Alana: Ana Lucia Villela, além da escritora Conceição Evaristo e da presidente e fundadora da ONG Casa de Zezinho, Dagmar Rivieri. Malala Yousafzai irá passar seu aniversário de 21 anos no Brasil para conhecer a educação brasileira e conversar com jovens ativistas, com intuito de saber um pouco mais sobre a realidade enfrentada por cada uma delas e seus respectivos projetos.

  • Iniciativas no Brasil

Nesta última terça-feira (10), a paquistanesa Malala Yousafzai anunciou as três brasileiras selecionadas para integrar a Rede Gulmakai, uma iniciativa do Malala Fund, que apoiam ativistas e educadores onde meninas ainda encontram barreiras para ter acesso à educação. A decisão foi tomada um dia após o evento promovido pelo Itaú, no Auditório do Ibirapuera, em São Paulo, na última segunda-feira, onde Malala fez parte de um debate sobre a educação no Brasil.

Fonte: Ansa Brasil

 

Atualmente o projeto está presente nos países: Afeganistão, Índia, Líbano, Nigéria, Paquistão, Turquia e agora no Brasil, que vai expandir toda a iniciativa da paquistanesa para América Latina.

“O Brasil está fazendo progresso com as meninas, mas apenas com algumas delas”, disse Farah Mohamed, CEO do Malala Fund através do comunicado divulgado. “Garantir acesso igualitário à educação exige liderança. É por isso que estamos orgulhosos em investir nessas três ativistas, cujo trabalho para desafiar líderes e mudar normas já está ajudando a criar um futuro mais brilhante para todas as meninas brasileiras.” concluiu Farah.

As ativistas escolhidas pela fundação Malala vêm de diversas regiões brasileiras, entre elas: São Paulo, Pernambuco e Bahia. Todas lutam pelo direito de acesso à educação.

Sylvia Siqueira Campos (Pernambuco):

Presidente do Movimento Infanto-juvenil de Reivindicação (Mirim), que possui sede em Recife. O movimento foi criado em 1990 e possui o objetivo de defender e promover os direitos humanos a crianças e adolescentes, com o intuito de combater as desigualdades e promover a cidadania e democracia. Sylvia participa do movimento desde os 13 anos.

Ana Paula Ferreira de Lima (Bahia):

É uma das coordenadoras da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), que foi criada em 1979, com o objetivo de promover e respeitar a autonomia política, cultural e econômica dos povos indígenas. Ana Paula já foi professora e agora atua incentivando meninas indígenas a terminarem seus estudos na Bahia além de treinar cerca de 60 garotas para se tornarem novas ativistas.

Denise Carreira (São Paulo):

  

Organizadora adjunta da organização Ação Educativa, fundada em 1994 que possui o objetivo de promover os direitos educativos e da juventude, visando a justiça social, a democracia e o desenvolvimento sustentável do Brasil. Denise desenvolveu um curso online para treinar professores em temas relacionados a igualdade de gênero, além de desenvolver um relatório sobre a violência e discriminação dentro da educação.  

Para mais informações sobre como funciona o Malala Fund acesse o site: www.malala.org

 

  • Uma breve história sobre Malala

Malala Yousafzai teve seus estudos incentivados pelo pai desde criança, porém enfrentava muitas dificuldades e obstáculos para frequentar a escola. Como consequência, passou a escrever sobre isso em blog, com 11 anos, usando um pseudônimo. Malala ficou conhecida por dar entrevistas e lutar abertamente pelo direito das mulheres de irem à escola no Paquistão.
Aos 15 anos sofreu um atentado, foram disparados três tiros contra sua cabeça, enquanto estava no ônibus, a caminho da escola. Malala foi internada e recebeu tratamento em países estrangeiros.

Enquanto ainda estava em recuperação, criou o Malala Fund, organização que tem como objetivo promover o acesso de mulheres à educação. Com 17 anos, ganhou o prêmio Nobel da paz, tornando-se a vencedora mais jovem.

Hoje, Malala estuda na Universidade de Oxford, na Inglaterra e continua lutando pelo o que acredita. “Minha melhor vingança será educar a todos”, disse Malala sobre àqueles que a atacaram, que já declarou também que a educação é sua maior arma e melhor investimento para crescimento da sociedade.

Fonte: Malala Fund

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