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Turismo Macabro em São Paulo

Turismo Macabro em São Paulo


Por Bárbara Cristina Caldeira – Fala!Cásper

Em seus 464 anos de existência, a cidade de São Paulo coleciona supostas assombrações, crimes macabros e até mesmo milagres.

Com cerca de 12 milhões de habitantes e sendo a 6ª maior metrópole do planeta, a capital paulistana possui mistérios nunca solucionados escondidos sob sua aparência cinza e séria, típica da Terra da Garoa.

Capela Nossa Senhora dos Aflitos: Erguida em 1779, quando o Brasil ainda era uma colônia de Portugal, a Capela dos Aflitos servia de velório e local de extrema-unção para aqueles que seriam executados no Largo da Forca (atual Praça da Liberdade). Na época, era comum o sepultamento nas regiões periféricas às Igrejas e Capelas, e neste verdadeiro cemitério a céu aberto eram enterrados apenas os marginalizados da sociedade, desde escravos, prostitutas e até mesmo os supliciados, aqueles que eram executados publicamente.

Esquema ilustrando a geografia da atual Praça da Liberdade no período colonial. Fonte: Folha de S. Paulo

Em 1821, o Cabo Francisco das Chagas, conhecido popularmente como Chaguinhas, liderou rebelião nativista do Primeiro Batalhão de Caçadores contra as condições de trabalho análogas à escravidão que viviam: enquanto os soldados nascidos em Portugal tinham o salário em dia, os nativos recebiam os salários com um atraso de 3 a 4 anos. 

Chagas foi condenado à forca, porém a corda rompeu 3 vezes, o que fez com que a população entendesse aquilo como um sinal divino e clamaram por Liberdade (é daí que se origina o nome do bairro). Mesmo assim, os executores ignoraram o tal milagre e estrangularam-no com uma tira de couro.

Até hoje, muitos paulistanos consideram Francisco um mártir e o canonizaram como um santo, e na capela dos aflitos é possível ver placas e homenagens agradecendo às graças alcançadas na cela da Capela dos Aflitos onde supostamente ele passou sua última noite.

Cela de Chaguinhas com homenagens deixadas por fiéis. Foto: Bárbara Cristina Caldeira

Theatro Municipal de São Paulo: Apesar do cenário clichê, por já ter sido a habitação de muitos romances do gênero, tal como O Fantasma da Ópera, de Gaston Leroux, o Theatro Municipal é considerado assombrado por muitos seguranças, funcionários e turistas do local. As pessoas acreditam com veemência que os espectros de artistas que lá se apresentavam permanecem presos ao prédio e, segundo as testemunhas, ainda são vistos em seus camarins. Vigias noturnos já relataram ouvir óperas sendo cantadas e pianos sendo dedilhados mesmo com o Theatro vazio, sem qualquer artista que ao menos estivesse vivo.

Foto: Fundação Theatro Municipal de São Paulo

Edifício Martinelli: Idealizado por Giuseppe Martinelli, o edifício que carrega seu nome foi o primeiro arranha-céu da capital. Em seus anos de ouro, após a inauguração às pressas em 1922, o Martinelli abrigava a mais fina nata da elite paulistana com hotéis de luxo e cinemas – mesmo a obra sendo concluída por completo apenas em 1934, quando o prédio atingiu os 30 andares, além da mansão instalada em seu topo.

Com a chegada da segunda guerra mundial, o governo brasileiro tomou o edifício para si em 1943, e a partir de 1950 a construção entrou em estado de abandono e degradação extrema, se tornando um dos maiores cortiços de São Paulo.

Com o tempo, o Martinelli se tornou um verdadeiro inferno de Dante: em seus andares encontravam-se cabarés, prostíbulos, tráfico de drogas e clínicas de aborto ilegal, e não demorou muito para que o prédio também se tornasse o refúgio de muitos ladrões e assassinos procurados. Nesta época, os elevadores pararam de funcionar, e todo lixo produzido era jogado nos fossos dos elevadores – e o entulho chegou a atingir nove andares! Nove andares de lixo e restos mortais.

Após vários assassinatos ocorridos no local, o governo decidiu restaurar o prédio na década de 70, mas ainda é possível sentir a pesada aura que se instalou no Martinelli até os dias de hoje.

Foto: Ana Mello

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