Menu & Busca
Livros mostram a realidade de uma pessoa gorda

Livros mostram a realidade de uma pessoa gorda


Um corpo não é somente um corpo: livros que vão além do comum e mostram a realidade de uma pessoa gorda.

Os livros são o refúgio de muitos que acreditam no poder que a escrita tem na vida das outras pessoas e a sua força em mudar pensamentos ou iniciar diálogos sobre assuntos que muita gente deixa de lado ou que já deram um ponto final.

A gordofobia é algo que está, infelizmente, muito presente na nossa atual sociedade, entretanto, o assunto em volta dele não é tão falado como é praticado.

O mais comum de se ver em livros são histórias de pessoas obesas, que sofriam bullying, mas que decidem fazer alguma dieta ou cirurgia bariátrica para dar a volta por cima e se sentirem bem sem as brincadeiras e apelidos que recebem.

Mas será que todos os casos tem um final feliz? Será que ser gorda (o) está relacionado com o gostar de comer ou tem algo por trás disso?

Fome: uma autobiografia do (meu) corpo – Roxane Gay

Para desconstruir todo esse estereótipo e suposições de ser gorda (o), a escritora americana Roxane Gay, escreveu um livro totalmente fora do comum e surpreendente.

Fome: uma autobiografia do (meu) corpo é uma autobiografia totalmente sincera sobre o que a levou a virar obesa mórbida. Roxane já inicia o livro desconstruindo a ideia de que ele contará uma história de superação com fotos de antes e depois e que ele não será uma história de motivação, mas sim uma história verdadeira.

 A autora pontua questões de grande importância no decorrer do livro, o primeiro é como a falta de diálogo sobre assuntos como estupro pode levar a graves consequências.

Aos 12 anos ela é estuprada por um grupo de meninos e por vergonha, por se achar culpada, ela não conta para ninguém, o que a leva a acreditar que tudo isso tinha sido culpa de seu corpo e por isso, começa a comer muito como forma de refugio e proteção para si mesma.

A relação que a família tem com o corpo e como as pessoas a enxergam é algo que ajuda ainda mais ela se sentir imponente devido a seu peso mesmo sendo uma menina super inteligente e com vários diplomas, o que nos faz perceber o quanto a fala de terceiros tem influência.

Esse livro conta diversas outras situações que Gay passa por causa desse trauma, coisas que para pessoas que não são gordas passam despercebido e que são coisas simples, mas que para eles se tornam um pesadelo e faz com que o leitor crie empatia sobre esse assunto e demonstre preocupação no seu papel na vida das pessoas.

Ela abre um discurso muito importante na sociedade que é a questão da gordofobia e do estereótipo de corpo perfeito, onde as pessoas não têm noção de como uma brincadeira sem graça pode causar danos na vida de alguém e que por trás de um corpo sempre tem uma história que merece ser ouvida e ajudada, pois são questões que uma roupa 36 não irá ajudar, ela mesma relata que não adiantava fazer a cirurgia porque o problema não era o seu corpo, mas sim seu psicológico que ainda não estava bem e mesmo quando ela conseguia emagrecer, ela se sentia frágil porque havia acabado de perder o seu refúgio contra todo mal.

 Roxane Gay foi corajosa de escrever esse livro, de contar sua historia e mostrar que um corpo “perfeito” não existe, que o peso que a sociedade coloca em cima disso é desnecessária, pois há diversas coisas por trás e que realmente precisam ser discutidas.

Gorda – Isabela Figueiredo

E é interessante que ao longo da pesquisa para essa matéria, eu só achei outro livro que fosse um pouco parecido com esse, que é o Gorda da Isabela Figueiredo, uma escritora de Moçambique que conta uma “ficção” real sobre sua historia, mas que não se coloca como personagem, ou seja, cria um nome para essa menina que passa por tudo e tem grande ligação com o que viveu.

Resumidamente, o livro conta a historia de uma retornada de Portugal – esse nome era dado para as pessoas que precisaram sair das colônias portuguesas quando elas viraram independentes – e esse fator foi um dos motivos pelo qual ela começou a comer loucamente, pois era uma válvula de escape para ela e seus problemas que ao longo dos anos foi crescendo, mas diferente da Roxane Gay, a personagem faz a cirurgia bariátrica, mas também se sente mal ao ver seu corpo, pois sabe que a mudança precisa ser na mente e isso ainda não tinha acontecido o que a faz engordar novamente.

Ambos os livros mostram outra perspectiva sobre o assunto, que merecem serem pautas de muitas conversas e que abrem nossa mente para coisas que até aquele momento pareciam simples, mas que a falta de empatia não deixa a gente ver, um simples acento de banco para nós, pode não ser tão simples para alguém gordo e isso merece ser refletido. Leiam, reflitam e vejam que um corpo não é somente um corpo.

____________________________________
Por Barbara Cristina – Fala! PUC

Quer se tornar um colaborar e escrever para o fala?
Saiba como

0 Comentários

Tags mais acessadas