Líbano enfrenta crise político-econômica em meio à explosão em Beirute
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Líbano enfrenta crise político-econômica em meio à explosão em Beirute

Líbano enfrenta crise político-econômica em meio à explosão em Beirute

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Uma explosão em um depósito irregular de nitrato de amônio atingiu a zona portuária de Beirute, capital do Líbano, na última terça-feira (04). O incidente deixou mais de 130 mortos e 5 mil feridos até o momento da publicação. O governo do país decretou estado de emergência por 15 dias na cidade, período que pode ser prolongado após o fim do prazo estipulado. 

A explosão devastou o principal centro de armazenamento de grãos do país e mais de 300 mil pessoas tiveram suas casas e apartamentos destruídos. O porto de Beirute, o mais importante em escala nacional, deve permanecer fechado ou com o funcionamento reduzido por tempo indeterminado. 

Devido à defasagem industrial e agricultura pouco desenvolvida, cerca de 90% dos alimentos no país são importados do exterior. Para Tamara ai-Rifai, porta-voz da agência palestina de refugiados UNRWA, a situação é “muito ruim”. 

Líbano
Manifestações contra o alto custo de vida exibem união histórica em país marcado por divisão religiosa. | Foto: Patrick Baz/AFP.

Após explosão em Beirute, Líbano enfrenta crise político-econômica

Esse contexto emerge em meio a uma crise econômica histórica. A disparada do dólar provocou o aumento dos preços de mercadorias importadas no Líbano, que representam a maioria dos produtos de primeira necessidade.

Entre as consequências desse processo, estão a hiperinflação e as demissões em massa. Nos últimos oito meses, calcula-se que a libra, moeda local, perdeu 80% do valor, enquanto o desemprego atingiu 30% dos libaneses. O Banco Mundial avalia que, até o final de 2020, mais da metade da população estará abaixo da linha de pobreza, uma previsão agravada pela pandemia do novo coronavírus. 

Além disso, a maior parte dos habitantes do país não tem acesso a serviços básicos, como água e eletricidade. Em outubro do ano passado, a conjuntura crítica levou às ruas mais de um milhão de libaneses de diferentes crenças, fato que chamou a atenção devido ao histórico nacional de guerras religiosas.

Em meio às denúncias da situação econômica, a classe política foi acusada de corrupção. O primeiro-ministro Saad Hariri foi forçado a renunciar no final de outubro, no início das manifestações. O novo governo, instaurado em janeiro, não conseguiu dar continuidade à negociação de um empréstimo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), em uma tentativa de quitar a dívida pública de 86 bilhões – equivalente a 150% do PIB libanês.

Os movimentos ainda aconteciam no dia da explosão, em uma nova onda de protestos após um período de pausa, em razão da pandemia. A tragédia deve aprofundar o colapso econômico, como apontam os economistas. O incidente que devastou metade da capital libanesa deve custar, no mínimo, 3 bilhões de dólares para os cofres públicos, com a possibilidade de superar os 5 bilhões em danos. 

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Por Fernanda Fialho – Fala! Uerj

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