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Lançamento do livro “O Que Aprendi Sendo Xingado na Internet”, de Leonardo Sakamoto

Lançamento do livro “O Que Aprendi Sendo Xingado na Internet”, de Leonardo Sakamoto

A  última segunda-feira, 6 de junho de 2016, foi o dia escolhido por Leonardo Sakamoto –  jornalista da Folha de S. Paulo – para o lançamento de seu mais novo livro chamado “O que aprendi sendo xingado na internet”, publicado pela Editora Leya.

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Na tarde chuvosa da capital paulista, o autor, que já foi alvo de várias polêmicas na rede, contou com a presença de convidados ilustres como os também jornalistas, Eliane Brum (El País Brasil), Juca Kfouri (Folha de S.Paulo/UOL Online) e Juliana de Faria, criadora do projeto feminista Think Olga. Além disso, participaram da discussão sobre violência nas redes as celebridades do YouTube, Nátaly Neri (Afros e Afins) e PC Siqueira (maspoxavida).

O evento, que contou com sessão de autógrafos e perguntas dos leitores, aconteceu no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional.

“Se a internet é uma selva, você tem aqui o seu guia de sobrevivência”,

Afirma o ator e escritor, Gregório Duvivier, em texto que integra a contracapa do livro.

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Sakamoto já publicou outros 2 livros, estabelecendo-se como uma das vozes mais influentes da esquerda atual. Ele usou toda sua experiência para escrever os 12 textos que fazem parte da obra, originalmente publicados no blog do autor.

Em uma espécie de diálogo, o autor e os convidados discutiram os motivos do grande número de agressões virtuais, que se atenuaram com a recente polarização política no país. A exposição de opiniões, para eles, é uma faca de dois gumes: se por um lado une pessoas com pensamentos semelhantes; por outro, acentua as diferenças, gerando conflitos.

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Sakamoto aponta que atravessamos a chamada “adolescência da internet”, em que mais usuários estão descobrindo a dimensão do ciberespaço, mas ainda não compreendem as possibilidades e consequências que podem acarretar. Diariamente, mensagens com conteúdos ofensivos, incitando dor e sofrimento, são publicadas em diversos sites, especialmente nas redes sociais.

“Ameaças de morte e agressão foram veiculadas, dizendo que eu deveria ‘ser caçado e morto por faca’ ou que balas deveriam ser disparadas em minha testa”,

escreve o jornalista sobre episódio ocorrido em janeiro deste ano.

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Com o crescente número de brasileiros que têm acesso à internet (a estimativa é de aproximadamente 139 milhões), é cada vez mais fácil se deparar com pessoas mal intencionadas, muitas vezes na nossa própria rede de amigos. Juca e Eliane concordam que a rede permite revelar as opiniões que antes permaneciam no âmbito privado. Por isso, há uma falsa percepção de que, atualmente, existe mais liberdade para expor a sua opinião, incitar violência e extrapolar nas atitudes de ódio. Por trás das telas há uma sensação de segurança e, consequentemente, impunidade.  

Entre os crimes que mais ocorrem na web estão insultos, calúnias, difamação, atos obscenos, apologia ao crime, pedofilia, preconceito, discriminação e perfis falsos. Na maioria dos crimes cibernéticos, a Internet é um meio para a prática do delito. Não se trata de crimes “virtuais”, mas sim de crimes reais cometidos em ambientes digitais.

Uma outra prática preocupante é o stalking, o ato de observar, vigiar e até mesmo seguir um indivíduo pela internet — principalmente dentro de redes sociais —, muitas vezes forçando contatos indesejados. Nem sempre há um motivo claro, porém um stalker (traduzido frequentemente como perseguidor) pode ter o intuito de amedrontar sua vítima.

A prática, infelizmente, não é nova. Foi definida como crime grave na década de 90, como consequência da relação obsessiva entre celebridades e seus fãs. PC Siqueira, com mais de 2 milhões de inscritos no seu canal, já enfrentou situações desse tipo muitas vezes. Quando questionado sobre a forma como lida com fanáticos, respondeu: “Eu não lido. Mesmo após 6 anos de experiência, outro dia tive um ataque de pânico”.

Nátaly Neri, estudante de  Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo, relatou também as ofensas e agressões que recebe com frequência nos comentários dos vídeos.  De cunho, principalmente, racista, as mensagens recebidas pela blogueira chegaram até a questionar sua formação acadêmica. Nátaly foi prática e disse ignorar a maioria das mensagens.

Outro ponto recorrente na discussão, foi o recorte de gênero presente nas ofensas distribuídas ao redor do ciberespaço. Resultados de um levantamento, feito pela Comissão de Banda Larga da ONU sobre violência cibernética no ano passado apontaram que, ao redor do mundo, 73% das mulheres que estão conectadas já foram expostas a algum tipo de agressão virtual.

Juliana de Faria, formada em Jornalismo, criou a ONG Think Olga, ao ter uma matéria sobre violência de gênero recusada por um editor da revista em que trabalhava. Publicar textos em defesa dos direitos das mulheres já lhe rendeu uma série de ofensas.

Um dos projetos mais recentes da ONG, #mandaprints, tenta reverter o quadro de violência sofrida por mulheres na internet. No site da campanha, lê-se:

Nossa presença atrai violência, seja explícita ou simbólica. Somos agredidas por compartilhar ideias, limitadas a objetos sexuais por mostrar nossa aparência, excluídas de grupos dos quais queremos fazer parte por quem ainda acredita em ‘coisas de homem’ e ‘coisas de mulher’. Mas a internet é coisa de todo mundo e é o machismo que vai sair da rede, não nós”.

Alguns anos atrás, a atriz Carolina Dieckmann teve fotos pessoais divulgadas sem autorização. Como resultado, foi criada a Lei 12.737/12, que pune como crime a invasão de computadores, tablets ou smartphones, conectados ou não à internet, “com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações”. Isso demonstra que a impunidade geralmente associada à internet está diminuindo, e os órgãos públicos estão lentamente se adaptando ao mundo digital. Entretanto, sabe-se que uma lei não é o suficiente para reverter um quadro como esse. A solução, como Sakamoto propõe no seu livro, é dialogar.

“A internet foi inventada, mas ainda não sabemos se ela serve para produzir fogos de artifício ou chacinas. (…) Não vamos entregá-la nas mãos dos que querem sangue”.  

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Se sofrer qualquer tipo de agressão online, denuncie:

São Paulo:

Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC)

Av. Zack Narchi, 152, Carandiru – São Paulo (SP)

Fone: (11) 2224-0721 ou 2221 – 7030

4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.br

Rio de Janeiro:  

Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI)

Rua Professor Clementino Fraga, nº 77 (2º andar), Cidade Nova (prédio da 6ª DP) – Rio de Janeir (RJ)

Fone: (21) 2332-8192

drci@pcivil.rj.gov.br

Espírito Santo:

Delegacia de Repressão a Crimes Eletrônicos (DRCE)

Av. Nossa Senhora da Penha, 2290, Bairro Santa Luiza – Vitória (ES)

Fone: (27) 3137-2607

drce@pc.es.gov.br

Minas Gerais:

Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos (DEICC)

Av. Nossa Senhora de Fátima, 2855 – Bairro Carlos Prates – Belo Horizonte (MG)

Fone (33) 3212-3002

dercifelab.di@pc.mg.gov.br

Por Letícia Santini e Catalina De Vera – Fala!Cásper

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