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Jovens Dispensam Redes Sociais por Melhora de Qualidade de Vida

Por Raissa Francisco – Fala!Anhembi

A Geração Alfa não imagina o mundo sem a tecnologia e as relações sem as redes sociais. Nascidos a partir de 2010, esta juventude domina todos os meios de comunicação, desde a velocidade de buscar dados à complexidade de resolver problemas técnicos. Guiada pela ideia de que o Planeta Terra não tem fronteiras geográficas, a globalização a acompanha desde a infância e a dificuldade de lidar com mais de uma tarefa ao mesmo tempo ficou restrita à turma de seus pais. De acordo com relatórios da We Are Social e Hootsuite, existem mais de quatro bilhões de pessoas no mundo usando Internet e, no Brasil, 62% da população, dentre várias gerações, está conectada através das redes sociais, equivalente à 130 milhões de brasileiros.

Quando desconectados, brasileiros ganham, em média, quatro horas livres em seu dia. Foto de Raissa Francisco

Apesar disso, o estudante Gustavo Vaccari afirma que o desinteresse e falta de necessidade o motiva a não querer fazer parte deste mundo virtual, além de ter mais disponibilidade de utilizar o tempo vago para estudo e lazer, uma vez que “muitas vezes, apenas agregam informações sem valor e, que no final do dia, as horas gastas poderiam ter tido mais importância”. O jovem de 20 anos acredita que a abdicação de redes sociais e do fluxo de informações gera ordem e estabilidade, fatores que evitam ações inconsequentes nesta fase. Gustavo diz que a conexão proporcionada pelas mídias não cria laços e que, muitas vezes, pode provocar sensações vazias. Ao contrário, Mateus Kimiris pensa que existe a concepção que as pessoas estão se tornando mais solitárias, mas que a mesma não está relacionada à Internet e sim com a velocidade com que tudo ocorre. O estudante de Letras reconhece que o distanciamento das redes traz dificuldade para entrar e manter contato com as pessoas, porém que o tempo adquirido recompensa o problema.

“Muitas vezes, apenas agregam informações sem valor e, que no final do dia, as horas gastas poderiam ter tido mais importância.”

A professora de Filosofia e Sociologia, Vanessa Arienti, também não tem perfil virtualmente, porque não se interessa pela vida exibida. “Cunhei uma definição a fim de brincar com os amigos, digo que sofro de misantropia (ódio) virtual”, a profissional de 37 anos não se sente afetada pela escolha de abdicar os meios, nem mesmo no mercado de trabalho, já que encontra oportunidades em sites específicos e por indicação de colegas do meio. O contato com a intelectualidade, humano e com a natureza é mais valorizado, “no tempo livre eu leio, vejo séries, estudo, cozinho, recebo amigos e cuido de plantas”.

Marcelo Rodrigues, 33 anos, já esteve em diversas redes (Orkut, Multiply, LinkedIn, Twitter, Instagram, Facebook), mas em 2013 se deu conta que passava muito tempo alimentando as mídias, “a ansiedade que isto me causava e até mesmo desgosto com algumas atualizações. Eu me sentia desinformado se não acessava, como se estivesse perdendo algo que poderia estar acontecendo naquele instante”. Por enxergar prejuízos em sua qualidade de vida, o advogado deixou as ferramentas de produtividade e diz que no começo se sentia deslocado e esquecido, mas que “hoje, sinto satisfação em redescobrir as pessoas sem filtros, reduzir a ansiedade por não saber como as pessoas estão vivendo, porque deixamos de conhecer circunstâncias insignificantes que comprometem a compreensão do que é importante”.

Desconectados utilizam tempo livre para desenvolver o conhecimento e lazer. Foto de Raissa Francisco

ANSIEDADE

A Universidade de Cambridge e a Real Sociedade de Saúde Pública do Reino Unido realizaram um estudo que revelou que a pior rede social para saúde mental de jovens é o Instagram. A vulnerabilidade impacta de forma negativa na autoestima, horas de sono, medo de exclusão de eventos, estímulo ao assédio digital, sintomas depressivos, aumento de ansiedade e sensação de solidão. “Sentimentos que fragilizam as pessoas são potencializados ao extremo, penso que isto ocorre por não haver espaço adequado de reflexão ponderada no ambiente virtual. Só vemos radicalização, extremos, manifestações sem reflexão e exposição da intimidade”, assume Rodrigo que aumentou a ansiedade no período virtual.

A sensação de fazer parte de um grupo pertence ao universo on-line, por isto o desconectado aconselha “não se deve trocar interações sociais concretas, elas desenvolvem de forma natural e benéfica”. Estabelecer limites no tempo de uso das mídias ajuda a controlar e perceber o exagero, por isso é indicado a elaboração de um relatório para dividir as horas livres do dia. “Gosto de uma ideia que é o título de um livro de Luigi Pirandello, pois penso que longe das redes sociais podemos voltar a ser “um, nenhum e cem mil” – sou um, pois eu me conheço dessa forma; sou nenhum, para quem não me conhece; e sou cem mil, porque sou conhecido de forma diversa por cada um que um dia me conheceu.”

Existe um mundo vasto à ser vivenciado, onde as pessoas e as coisas estão inseridas e são palpáveis “como é dito em um bordão de uma série de televisão (The X-Files): ‘A verdade está lá fora’”.

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