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José de Alencar e o nacionalismo na literatura

José de Alencar e o nacionalismo na literatura

Por Beatriz Gimenez – Fala! PUC

José Martiniano de Alencar, mais conhecido apenas como José de Alencar, foi um dramaturgo, jornalista, advogado, político e, principalmente, romancista brasileiro. Nasceu sete anos após a proclamação da Independência e, com dois anos, presenciou a volta de D. Pedro I à Portugal, deixando o Brasil nas mãos de seu filho, ainda uma criança de 5 anos, D. Pedro II.

Retrato

Alencar cresceu em meio a uma luta por poder durante o período regencial brasileiro, o que pode ter levado o autor a ser um dos principais representantes do movimento indianista. Dentre suas obras, as mais conhecidas são “Iracema”, “O Guarani” e “Ubirajara” – a “trilogia” dos romances indianistas.

Estudo e formação

Filho do padre José Martiniano e de sua prima Ana Josefina de Alencar, José de Alencar nasceu dia 1º de maio de 1829, em Mecejana, Ceará. Com a desistência de seu pai do sacerdócio e a entrada para a política como senador, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade em que Alencar iniciou seus estudos. Porém, ao ingressar no curso de Direito em 1846, ele se mudou para São Paulo para estudar na Largo São Francisco da Universidade de São Paulo (USP), onde viria a se formar no ano de 1850.

Na faculdade, o clima boêmio estava muito presente, embora ele se recusasse a fazer parte dele. Porém, o futuro escritor não conseguiu fugir da influência do romantismo literário, intrínseca em comportamento, principalmente, de alunos de Direito, por meio de conversas sobre filosofia, arte e literatura.

Do jornalismo à política

Alencar fundou uma revista chamada “Ensaios Literários”, que contava com a participação de outros estudantes do Largo São Francisco, como Álvares de Azevedo, Bernardo Guimarães e José Bonifácio, porém, foi com a participação no jornal “Correio Mercantil” que o escritor ganhou notoriedade. Como folhetinista, ele escreveu a obra “Ao correr da pena”, a qual falava sobre o cotidiano da cidade de São Paulo, mas, após ter um de seus artigos censurado, ele se demitiu.

“Diário do Rio de Janeiro” foi o próximo jornal em que Alencar trabalhou, logo após comprá-lo junto com alguns amigos.

Estreando como romancista, escreveu “Cinco Minutos”, que saiu em forma de folhetim e foi publicado em 1856. No dia 1º de janeiro de 1857 publicou o romance, também como folhetim, “O Guarani” – obra que alcançou grande sucesso e logo foi editado em livro, e nesse mesmo ano, ele se torna redator chefe.

Guarani

Em 1859 o escritor abandonou o jornalismo, tornou-se chefe da Secretaria do Ministério da Justiça, do qual, depois, viraria consultor, e passou a lecionar Direito Mercantil.

Em 1860 ele ingressou na política como deputado estadual do Ceará pelo Partido Conservador do Brasil Império e, de 1868 a janeiro de 1870, ocupou o cargo de Ministro da Justiça. Em 1869 ele se candidatou para o senado do Império, porém, não foi escolhido por D. Pedro II por ser muito jovem.

Literatura de Alencar

Alencar pode ser considerado o precursor do romantismo brasileiro dentro de quatro frentes: histórica, regionalista, urbana e indianista.

O romance histórico não foi muito explorado no Brasil, já que a história do país é muito recente e falar sobre ela invadiria o espaço do romance indianista. Mas Alencar procurou mostrar que o Brasil independente ainda tinha raízes na colônia portuguesa, sendo suas principais obras do tipo “As Minas de Prata”, de 1862, e “A Guerra dos Mascates”, de 1873.

Mascates

Já no romance regionalista, o foco da narrativa eram as diferentes realidades do país com base em suas regiões. O autor escreveu “O Gaúcho”, sobre o Rio Grande do Sul, “O Tronco do Ipê”, sobre o interior de São Paulo, e “O Sertanejo”, sobre o Nordeste. José de Alencar alavancou uma literatura regionalista que teve início no Brasil.

Ipê

Enquanto isso, no romance urbano, Alencar procurou fazer uma crítica aos costumes sociais da época, mostrando como era a vida na Corte, ou seja, na cidade do Rio de Janeiro – sede da monarquia brasileira.

A moda, os costumes e as regras sociais são a base da narrativa desse tipo de romance, o qual trata, de modo geral, de aventuras amorosas, além de traçar perfis das mulheres protagonistas da trama.

Uma das características mais importantes que Alencar acrescentou à literatura brasileira, por meio do romance urbano, é a observação psicológica das personagens. Por meio desse tipo de narrativa, é perceptível que a mulher tem um papel principal para Alencar, assim como a relação entre o amor e o dinheiro. Alguns dos principais exemplos do romance urbano são: “A pata da gazela”, “Sonhos d’Ouro”, “Senhora”, “Lucíola” e “Diva”.

Senhora

O Indianismo

No indianismo, o índio era tratado como um herói valente e nobre, livre das corrupções sociais e dos vícios da civilização como a conhecemos. Alencar via o índio como representante da nação brasileira e símbolo da nossa liberdade, passando essa ideia por intermédio de suas obras, já que valorizava o Brasil e a língua aqui falada, negando o viés português que a maioria dos romancistas da época tinham.

O autor era nacionalista e tinha um grande apreço à tradição indígena. Suas principais obras formam um mapa da história do índio no Brasil.

No romance indianista de Alencar, o índio é visto em três etapas diferentes: “Ubirajara” conta a história do índio antes de ter contato com o homem branco – a partir da história de Ubirajara, um índio guerreiro e valente que cresce até alcançar a maturidade.

Ubirajara

“Iracema” fala sobre os homens brancos convivendo com os indígenas. Foi um livro escrito após uma visita de Alencar à sua terra natal, e o contato com a epopeia sobre a origem do Ceará, que tem como personagem principal a índia Iracema, o “virgem dos lábios de mel”.

Iracema

Por fim, ele trata sobre o índio no cotidiano do homem branco em “O Guarani”, que fala sobre a história de amor do índio Peri com a branca Ceci.

Com isso, é perceptível que José de Alencar se preocupava muito em retratar sua terra e seu povo por meio de mitos, lendas, tradições, festas religiosas, usos e costumes do brasileiro, com o objetivo de tornar seu texto cada vez mais nacionalista – o que agradava muito Machado de Assis, que elogiou muito as obras do autor, principalmente “Iracema”. Com a fundação da Academia Brasileira de Letras, em 1897, Machado escolheu Alencar para ser patrono da cadeira 23.

O autor também escreveu peças de teatro, assim como “Nas asas de um anjo”, “Mãe” e “O demônio familiar”.

Morte e legado

Chamado de “o chefe da literatura nacional” por Machado de Assis, José de Alencar morreu dia 12 de dezembro de 1877, vítima de tuberculose, no Rio de Janeiro. O escritor deixou, com 48 anos, seis filhos com Georgiana Cochrane. Um deles, Mário de Alencar, seguiu a carreira de letras do pai.

Suas obras continuam sendo lidas atualmente. José de Alencar é leitura obrigatória para grande parte dos vestibulares brasileiros, uma vez que seus textos podem ser considerados documentos históricos. A visão nacionalista do “patriarca da literatura brasileira”, como era chamado, deu início à uma literatura própria brasileira e tirou o país da sombra de Portugal, tornando o Brasil independente também em suas narrativas.

CAPA

Confira também:

– Patuá e Patuscada – um sonho que se tornou realidade

– Uma conversa sobre a valorização e a importância do teatro brasileiro

1 Comentário

  1. agamenon alves de alencar
    9 meses ago

    meu parente distante foi muito util para o brasil

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