Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
“Jornalismo nos Tempos da Cólera” Debate Sobre Discursos de Ódio na Internet

“Jornalismo nos Tempos da Cólera” Debate Sobre Discursos de Ódio na Internet

Na última quarta feira (26/02), o Mackenzie recebeu uma das edições do ciclo de palestras “Jornalismo nos Tempos da Cólera”, e desta vez com um debate entre Gregório Duvivier, humorista e escritor, Juliana de Faria, jornalista e criadora do site Think Olga e Leonardo Sakamoto, jornalista e cientista político. Com a mediação do jornalista Guilherme Alpendre, a conversa foi conduzida a respeito dos discursos de ódio na internet que conseguem se expandir facilmente, além da questão: “como boatos e memes chegam a ter mais credibilidade que fatos e reportagens? O que podemos fazer a respeito como jornalistas?”.

IMG_1671
Foto: Isabella Bisordi.

 

Por se posicionarem publicamente na internet à respeito de algum assunto, Gregório, Juliana e Sakamoto discutiram sobre ataques e ameaças que recebem diariamente em suas páginas, mas por diferentes motivos. Juliana, criadora de um dos sites feministas mais influentes no Brasil, e de diversos movimentos como “Chega de fiu-fiu” e “meu primeiro assédio”, que tiveram grande visibilidade, acredita que a internet pode ser perigosa e violenta para qualquer um, mas não podemos deixar de fazer recortes e notarmos que ela ainda é pior para minorias: “Quando a gente se posiciona em relação à violência contra a mulher, acabamos recebendo violência também. É muito problemático quando nós, mulheres, recebemos ameaças de estupro e de abuso, porque são reais”, explica a jornalista.

Leonardo Sakamoto e Gregório Duvivier concordam que recebem diversos xingamentos pela maneira que se posicionam em seus textos. “No meu caso, sofro ameaças pelo o que defendo, não necessariamente pelo o que eu sou. Aí que está a diferença, porque eventualmente eu posso mudar de posição, e vou deixar de ser um fator que causa incômodo. Agora, para uma mulher, um negro ou homossexual, por exemplo, não tem como deixar de ser quem você é a ponto de não causar incômodo”, aponta Sakamoto, abrindo também espaço para diversas perguntas e discussões sobre lugar de fala e protagonismo em uma luta de minoria.

Seguindo a discussão, três mulheres da plateia se voluntariaram e foram convidadas a se juntarem à bancada de debate. Mariana, professora de português, explicou também a importância da representatividade negra em qualquer espaço: “Protagonismo é diferente de querer aparecer. Se não vemos rostos negros, as crianças e os jovens negros não terão em quem se espelhar e não teremos representatividade, e é disso que o protagonismo se trata”, ressaltou.

IMG_1672
Foto: Isabella Bisordi.

 

O melhor caminho para o fim dos discursos de ódio, de acordo com os palestrantes, sempre será o diálogo. Gregório, que sempre trabalhou com humor tanto no campo da atuação, como no de escritor, ressaltou também como usá-lo para minimizar este problema: “a grande vantagem do humor é quando a gente consegue inserir um pensamento sem que aquela pessoa perceba, e conseguimos romper a barreira do preconceito e do ódio”, diz.

Ao final da conversa entre os formadores de opinião e o púbico, que interagiu por meio de perguntas no Twitter, foi dado o conselho a todos os jornalistas presentes que encontrem sempre novas formas de diálogo, para informar o púbico e trazê-los para perto. Em uma era onde as imagens causam mais impacto do que uma reportagem apurada cuidadosamente, é importante que todos saibam medir as consequências de uma informação disseminada na internet, e para Leonardo Sakamoto, todo jornalista têm a responsabilidade de tentar mudar essa realidade, sempre informando seu público, que atualmente vêm crescendo cada vez mais.

IMG_1673
Foto: Isabella Bisordi.

Por: Isabella Bisordi – Fala!M.A.C.K

0 Comentários

Tags mais acessadas