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A Invisibilidade do Negro nas Artes Brasileiras

A Invisibilidade do Negro nas Artes Brasileiras


Por Thiago Dias – Fala! Anhembi
Fotos por Fernanda Antônia – Fala!MACK


A Arte no Brasil teve seu início na Pré-História, quando surgiram as primeiras pinturas paleolíticas em uma das cavernas mais antigas do País, a Serra da Capivara, situada no Piauí. Os índios faziam suas artes com penas de pássaros – daí se deu origem ao nome de “Arte Plumária“, e usavam tintas e derivados da natureza para pintura corporal, o que se tornou hoje a Arte Indígena.

Com a chegada dos Portugueses no Brasil, as influências artísticas renascentistas se juntaram ao que aqui se praticava e teve início o período Barroco. Os artistas retratavam em suas pinturas os índios, as naturezas, e todo o cotidiano do Nordeste naquela época.

 

Onde estão os negros nas artes plásticas?

Se na literatura e na música brasileira os negros e os pardos estão bem representados, incluindo aí gênios como Machado de Assis, Castro Alves e Cartola… onde estão os artistas negros nas artes plásticas?

Será que sua contribuição se bastou a incursões isoladas na literatura, aos rituais carnavalescos ou à influência na música brasileira?

Desde a educação básica aprendemos pouco ou quase nada sobre a cultura negra, sendo os negros e pardos a maioria da população brasileira, representados em 54%.

No ano de 2002 foi sancionada a Lei 10.639/03, em que se torna obrigatório o ensino da história e das culturas afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio. Na faculdade, você provavelmente deve ter realizado algum trabalho acadêmico sobre etnias.

No ano de 2015, 12,8% dos negros na faixa etária de 18 e 24 anos estavam inseridos nas universidades, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E na sua sala de aula, quantos negros há?

 

Manifestação na Feira Plana

O Fala! esteve na Feira Plana e acompanhou um ato de empretecimento da arte nacional em favor da descolonização cultural que ocorreu durante a exposição. À princípio, ninguém pareceu entender porque tantos jovens negros carregavam cartazes com nomes, sobrenomes e a palavra “presente” no final. Tiraram o sossego, inquietaram o público, que se pôs a observar a manifestação. Mas então, quando gritaram “Onde estão os artistas negros?”, despertaram aquele público para um fato que provavelmente não tinham percebido antes: entre os expositores da Feira Plana, havia pouquíssimos negros.

O Fala! separou alguns dos artistas citados nos cartazes:

Renata Felinto

é uma artista plástica brasileira. Graduada em Artes Visuais pela Universidade Estadual de São Paulo (UNESP). Atualmente é Professora de Arte e Cultura Africana na Instituição, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Um viés do seu trabalho é o uso do auto retrato como forma de expressão e manifestação política contra a predominância de imagens de mulheres brancas na arte.

Antonio Obá

Artista visual, nasceu na comunidade de Ceilândia, na periferia de Brasília. Hoje, é professor de artes na região de Taguatinga, ambas cidades satélites do Distrito Federal. Concorreu a um dos maiores prêmio da arte visual brasileira contemporânea, o Prêmio Pipa.  

Entre os temas de pesquisa do artista estão o sincretismo religioso, a miscigenação, as raízes afro-brasileiras e o erotismo.

Diane Lima

Nascida em Mundo Novo (BA). É diretora criativa e curadora, também fundadora do portal NoBrasil e criadora da campanha “Deixa o Cabelo da Menina no Mundo” e do projeto Afro Transcendence.

Paulo Nazareth

É um artista plástico nascido em 1977, na cidade de Governador Valadares (MG). Estudou na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Graduou-se em Artes Visuais em 2005 com habilitação em desenho e licenciatura e em 2006 com habilitação em gravura. Em 2012, Nazareth ficou em 1º lugar no Prêmio MASP de Artes Visuais.

Caetano Dias

Nascido na feira de Santana BA. No ano de 1985, estudou Letras na Universidade Católica do Salvador. Sua carreira artística é marcada pela participação no Grupo Interferências, com realização de murais em espaços públicos em Salvador.

E Professor de pintura do Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM/BA (Salvador BA), desde 1995.

Michelle Mattiuzi

“Ex-bancária, ex-recepcionista, ex-operadora de telemarketing, ex-auxiliar de serviços gerais, ex-cuidadora de crianças, ex-dançarina, ex-mulher, ex-atendente de corretora de seguros, ex-esposa, ex-aluna. Foi jubilada pela Universidade Federal da Bahia, por racismo institucional”. Ninguém melhor para definir Michelle como ela própria.

 Negra, escritora, performer, nascida na cidade de São Paulo, atualmente vive e trabalha em Salvador, Bahia.  

Conversa com a artista negra

Ao final do ato, conversamos com a artista negra e militante Gabriela Monteiro. Eis aqui o que ela contou ao Fala!:

“A gente nunca tem como referência artistas negros, em nenhum aspecto. Mas, com a crescente integração dos negros nas universidades vem aumentando também o número de artistas, designers, escritores, todos do meio da arte, só que esse crescimento não traz pra gente um espaço, porque esse espaço continua sendo majoritariamente branco, de pessoas que têm mais acesso a essas feiras, galerias, museus.”

“Então a gente vai ficando cada vez mais recluso, é muito difícil hoje um negro artista ter subsídio para bancar um ateliê ou bancar materiais para sua arte, ter dinheiro para fazer suas publicações”

“Quanto mais pessoas concordam com isso, com esse racismo institucional que existe, mais as pessoas se tornam racistas também. Se você vê isso acontecer e não faz nada pra mudar,você está sendo racista. Acredito que esse ato foi muito importante pra trazer essa consciência, mas espero que a galera tenha consciência e talvez na próxima feira possa vir mais artistas negros aqui”

Em favor da descolonização cultural, sim, e por mais negros ocupando todos os espaços públicos.

 

Confira também:

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– Basquiat: janela do passado e do presente

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