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Dorina Nowill – Quando um desafio pessoal se torna uma causa social

Dorina Nowill – Quando um desafio pessoal se torna uma causa social

Por Anna Carvalho – Fala!Cásper

Em 1946, Dorina de Gouvêa Nowill iniciava as atividades da então Fundação para o Livro do Cego no Brasil a partir da produção e distribuição de livros em braille. Atualmente, a Fundação Dorina Nowill para Cegos é uma das maiores imprensas braille do mundo. Localizada na capital paulista, a entidade também oferece serviços diários e gratuitos de habilitação, reabilitação e de inclusão social, educacional e profissional juntamente com pessoas com deficiência visual e seus familiares.

Dorina Nowill nasceu em maio de 1919, em São Paulo, e aos 17 anos perdeu a visão repentinamente. No entanto, a cegueira não foi um impeditivo para a jovem continuar lutando pelos seus sonhos e objetivos pessoais. Amante de leitura e das letras, seguiu estudando e foi a primeira aluna cega a fazer um curso regular no Brasil. Posteriormente, frequentou cursos de especialização na Michigan State Normal School e no Teacher’s College, instituições de ensino norte-americanas. Foi quando voltou ao Brasil que percebeu a carência de obras e materiais em braille e optou por continuar fazendo a diferença. Há mais de 70 anos, a Fundação Dorina Nowill para Cegos mantém o legado e a luta dessa mulher que, com certeza, estava muito à frente do seu e até mesmo do nosso tempo.

Dorina Nowill também desempenhou importante papel na conquista de políticas públicas nacionais com atuações de destaque, como a sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em 1981. Seu falecimento em agosto de 2010, aos 91 anos, não impossibilitou a entidade de continuar zelando por sua luta pela autonomia e inclusão da pessoa com deficiência visual. Pelo contrário, a fundação segue seu trabalho com o apoio de colaboradores, conselheiros, patrocinadores, voluntários e parceiros. Como ela mesma disse: “Todas as histórias têm um fim, mas a minha continua… Plantamos e nem sempre vemos o fruto do nosso trabalho completo, mas felizmente outros continuarão”.

O ano de 2019 é de grande importância para os envolvidos com a instituição pois é o ano do centenário de Dona Dorina (como é chamada por todos na instituição), uma mulher que transformou seu desafio pessoal em história e inspiração para muitos outros. Em momento tão especial, a Fundação acaba de ampliar sua gráfica em braille com 26 novas impressoras, aumentando a capacidade de produção e, consequentemente, o envio de livros gratuitos ao redor do país. Essa é uma iniciativa extremamente importante, pois, o sistema braille é a única forma de alfabetizar uma criança cega, além de conferir mais independência e autonomia para as pessoas com deficiência visual. Vale destacar que a entidade também produz materiais em outros formatos, como áudio, digital e em fonte ampliada.

De uma questão pessoal vem um legado capaz de beneficiar milhões de pessoas: no Brasil existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, de acordo com o censo IBGE 2010. Mas essa é uma causa que deve ser ampliada. É essencial que medidas institucionais e governamentais sejam adotadas em prol da acessibilidade e da autonomia dessas pessoas. Com enfoque nas áreas de acesso à educação, trabalho e informação, a principal função da Fundação Dorina Nowill para Cegos é promover a inclusão dessas pessoas.

Lições de Dorina de Gouvêa Nowill

Todos têm o direito de ser diferentes e o dever de estar juntos.

Ter uma criança com deficiência como aluno não é um peso. É uma oportunidade de crescimento e evolução.

Palavras que exerceram profunda influência sobre mim em várias fases, quando tive que enfrentar sérios problemas: perseverança, caridade, resignação e paciência.

A força do ideal, a coragem e a dedicação são elementos essenciais para que as obras que têm como objetivo o homem propriamente dito, sua felicidade e seu bem-estar possam prevalecer em qualquer sociedade presente ou futura.

Depoimento pessoal

Como todo estudante de jornalismo, sempre acreditei na nossa capacidade de querer e poder mudar o mundo. Ou, ao menos, ajudar na tarefa. E o estágio na assessoria de imprensa da Fundação Dorina Nowill para Cegos me faz acreditar que isso é possível. A entidade não somente muda a vida de quem perde parcial ou totalmente a visão, mas também de todos aqueles que convivem com essa mudança: familiares, amigos, envolvidos no processo de reabilitação e demais pessoas que trabalham na entidade.

Como estudante de Jornalismo e atuante na assessoria de imprensa, me sinto satisfeita quando consigo atribuir relevância ao assunto, sempre com o intuito de inserir a pessoa com deficiência visual na sociedade e de fazer com que os videntes (pessoas sem deficiência visual) percebam que eles são os protagonistas da própria vida. Se aprendi algo com esse trabalho é que ver é muito diferente de enxergar. Muitos veem com os olhos, mas não enxergam com o coração e com a alma. Por isso, muito obrigada, Dona Dorina!

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