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Homem Aranha: De Volta ao Lar – confira nossa resenha sobre o filme

Por Lucas Sam – Pipoca Amanteigada

 

Sinopse

Depois de atuar ao lado dos Vingadores, chegou a hora do pequeno Peter Parker (Tom Holland) voltar para casa e para a sua vida – já não mais tão normal. Lutando diariamente contra pequenos crimes nas redondezas, ele pensa ter encontrado a missão de sua vida quando o terrível vilão Abutre (Michael Keaton) surge amedrontando a cidade. O problema é que a tarefa não será tão fácil como ele imaginava.

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Veredito

Homem-Aranha: Homecoming, filme realizado pela Marvel Studios em parceria com a Sony, já demonstra logo no início que possui a cara do último estúdio, mas com uma pitada Marvel. E essa mistura não é algo ruim.

Digo isso porque ele é, acima de tudo, um filme ótimo, bonito, com piadas na medida certa, que dá vontade de assistir, apesar de não ser perfeito. O seu roteiro é coeso, com boas passagens e muito bem construído. Mérito tanto do roteirista, como do diretor Jon Watts – nome ainda em ascensão no meio, que conduziu o filme com competência sem abrir mão do ritmo nem da coerência das cenas. Quero dizer, quase isso…

Alguns dos erros cometidos em relação ao filme foi a quebra de ritmo constante que, apesar de não atrapalhar muito no resultado final, interfere na fluência do filme e o torna “sem graça” em determinados momentos.

Essas situações seriam amenizadas com a retirada dos “narizes de cera” (cenas desnecessárias que só servem para dar volume ao filme), o típico tapa-buraco. É um pouco irritante você estar ali, animado em ver a sequência da investigação do Homem-Aranha contra o Abutre e, de repente, se deparar com mais uma conversa melosa de Peter com Liz, o interesse amoroso da vez, ou um papo completamente dispensável com Ned Leeds, melhor amigo do herói e futuro Duende Macabro (Harry Osborn está chateado), que de tão irritante parece seu xará televisivo Ned Flanders.

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Ned pode até ser um personagem engraçadinho, porém não tem carisma o suficiente para conseguir sustentar uma cena por muito tempo. Mesmo que funcione como ajudante atrapalhado/alívio cômico do filme, foi mal trabalhado e se tornou forçado demais para o papel, tanto que o espectador ri, na maior parte do tempo, do quão ridículo as situações que o envolvem se tornam.

A Marvel conseguiu criar bons personagens secundários que roubam a cena, como foi o caso do Baby Groot e Happy Hogan (que inclusive aparece nesse filme, excelente como sempre), mas nesse caso ela errou feio. Nem de longe parece o cara que, um dia, virá a se tornar um dos vilões mais barra pesada do Amigão da Vizinhança.

A participação do Homem de Ferro também foi outra boa oportunidade desperdiçada. No filme, ele aparece como mentor e figura paterna do Homem-Aranha, já que não contamos com a presença do Tio Ben. Porém, aparece tão pouco, e de forma tão superficial, que mal notamos essa função no personagem. Suas ações são importantes para a narrativa, é verdade, mas é muito pouco se considerarmos que ele é o herói que possibilitou toda a dominação da Marvel Studios no cinema. Infelizmente, mais um caso de participação especial apenas para atrair mais público para um filme que ninguém sabia como seria.

Mas se erraram na construção do Tony Stark e Ned Leeds, acertaram em cheio com Peter Parker e Liz Allan. Ele foge completamente do modelo ‘crianção’ que apareceu no filme Capitão América: Guerra Civil, e o filme, inclusive, mostra o amadurecimento do herói Homem-Aranha, demonstrando como ele se transforma num cara determinado, com personalidade e tão sarcástico como o personagem nas HQ’s (o amadurecimento do humano Peter Parker não é tão evidente, porque não existem passagens que explicitem isso, porém, digamos que ele amadureceu por tabela).

Já ela, foge um pouco do modelo ‘mocinha frágil’ e se mostra independente, segura de si, e tem participação decisiva no filme, em momentos que não posso falar por motivos de: spoiler.

No fim das contas, há personagens bons e ruins, ficando um saldo positivo para o filme.

A atuação de Tom Holland e Laura Harrier são espetaculares (perdão pelo trocadilho), mas Michael Keaton merece destaque. Eternamente lembrado pela sua atuação como Batman nos anos 90, ele já mostrou que tem talento o suficiente para ser recordado além de papéis como Spotlight e Birdman. Aliás, nesse último ele faz uma bela crítica sobre como a indústria dos quadrinhos no cinema é desleal com seus atores – porém, isso é papo para outro post.

Aqui, devemos ressaltar como ele interpreta um ótimo Abutre, com o carisma necessário para nos fazer lembrar que, na verdade, ele também é uma vítima da sociedade. Isso fica evidente na forma pesarosa como ele toma as suas atitudes e no semblante preocupado ao se deparar com obstáculos que podem atrapalhar seu negócio – única forma que ele encontra para sustentar sua família. Na armadura de Abutre, um vilão marcante, mas fora dela, um simples pai de família, que só quer o bem de quem ele ama. E Keaton interpreta ambos muito bem.

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O filme é claramente baseado no universo Ultimate do Homem-Aranha, o que explica a inexistência de cenas importantes da história do herói (como a picada da aranha radioativa, a morte do Tio Ben e a clássica frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”), pois, assim como nas HQ’s, imagina-se que o espectador já saiba tudo isso de antemão.

Além dos personagens mais jovens, identificamos a forma rápida e direta que a narrativa possui e o clima realista empregado no filme, tanto nas atitudes do herói como nos obstáculos enfrentados, seja a vida amorosa trágica de Peter ou o perigo da morte iminente diária ao qual o Homem-Aranha está exposto.

Algo interessante a ser notado, e inclusive criticado, é a mudança de etnia das personagens. Em Homecoming, a namorada, o melhor amigo e o antagonista do herói possuem origem hispânica, mas Peter Parker é caucasiano.

Ironicamente, nos quadrinhos, existe uma versão hispânica do Aranha (Miles Morales, também do universo Ultimate), porém os outros personagens só possuem versões bem europeizadas: brancas, loiras e de olhos claros.

Vamos dar um desconto para a Liz, já que no desenho Ultimate Spider-Man ela possui descendência hispânica, mas e quanto aos outros dois personagens?

Em outras palavras, questiono aqui o fato de colocarem diversos personagens hispânicos no filme, na tentativa de dizer “Estão vendo? Nós nos preocupamos em retratar a diversidade!”, porém insistem num personagem central obrigatoriamente branco e extremamente malhado – bem padrãozinho – mesmo existindo uma versão dele, no mesmo universo retratado, de outra etnia.

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Isso não estraga o filme, porém muitos passam batidos por esse fato. Aliás, esse é um assunto a se discutir, tanto que essa mesma política já se repetiu em outros filmes, como o caso Tocha Humana no Quarteto Fantásticorefilmagem lançada em 2015, e Pistoleiro, em Esquadrão Suicida.

No final, Homem-Aranha: Homecoming é um acerto da Marvel e indica que o Amigão da Vizinhança terá um futuro promissor. Tem seus erros e não se encaixa direito na cronologia do universo cinematográfico da Marvel, até porque o acordo com a Sony surgiu depois dele ser elaborado, mas passa longe de ser um filme ruim.

Não é um filme melhor que os da trilogia do Sam Raimi, nem pior. É simplesmente diferente. Se Tobey Maguire precisou ser um Homem-Aranha confiante e retraído, mas destemido para se adaptar à trama adulta e obscura dos primeiros filmes, Tom Holland deve ser inseguro e ao mesmo tempo hiperativo, para dar certo nessa nova série de filmes. Ambos ótimos a seu modo.

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Um comentário

  1. Eleonara Gonçalves

    Revisei a trajetória de Jon Watts e me impressiona que os seus trabalhos tenham tanto êxito, um dos meus preferidos é Homem Aranha por que faz com que o espectador se sente a ver o filme. Deixo os horários de transmissão: https://br.hbomax.tv/movie/TTL611598/Homemaranha–De-Volta-Ao-Lar, vale a pena vê-la, além de todo o elenco fazer uma excelente química.

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