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História do Cinema Brasileiro

História do Cinema Brasileiro

Por Matheus Menezes – Fala!Anhembi

 

Ao longo de toda a sua história, o cinema nacional passou por muitos altos e baixos, enfrentando diversos empecilhos no caminho. Na década de 1950, o problema eram os altos custos de produção. Depois de 1968, o inimigo foi a censura da ditadura militar. As dificuldades de se produzir peças audiovisuais no Brasil é latente até os dias de hoje, onde faltam incentivos.

Nessa matéria, foi preparado um grande resumo da história do cinema brasileiro, desde o seu surgimento em 1896 até os dias atuais. Assim será possível perceber os entraves ancestrais que impedem a difusão de conteúdo nacional.

 

OS PRIMEIROS PASSOS DO CINEMA BRASILEIRO

O cinema desembarcou no Brasil em 1896, com a primeira exibição de um filme na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Por ser uma novidade, os ingressos ainda eram muito caros, e somente a elite carioca participou desse evento. Já as primeiras produções brasileiras foram rodadas entre 1897 e 1898. O curta-metragem Vista da Baía de Guanabara é considerado o primeiro filme brasileiro da história. Nele o cineasta italiano Afonso Segreto registra a sua chegada de navio após atravessar o oceano Atlântico.

O italiano Alfonso Segreto, considerado o primeiro cinegrafista no Brasil, ao lado de um projetor da empresa do irmão. Pascoal Segreto foi um empresário italiano que, junto com Alfonso, abriu as portas para o cinema nacional.

 

A expansão do cinema brasileiro só se deu uma década depois, com os avanços em energia elétrica no país, que possibilitaram o surgimento de mais salas de exibição. Em 1908, São Paulo e Rio de Janeiro se tornam polos do mercado exibidor. Nessa época, os pequenos proprietários de salas realizavam suas próprias produções com as equipes locais. Na grande maioria, essas eram obras de ficção que dramatizavam crimes de grande repercussão na mídia, como O Crime da Mala (1908), de Francisco Serrador. Apesar dos esforços, as produções estrangeiras costumavam receber mais destaque.

A partir de 1916 se popularizam os cine-jornais, como forma de preencher a programação e manter as equipes locais ocupadas. É aqui que surgem as chamadas “cavações”, pautas claramente encomendadas por grandes indústrias para promover a sua imagem institucional, ou ainda casos onde famílias nobres encomendavam a filmagem de casamentos e batizados.

A ERA DOS GRANDES ESTÚDIOS

Na década de 1920, o cinema expande para outras capitais, como Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte. O sucesso da sétima arte resulta na publicação de revistas especializadas, e o interesse por cinema cresce substancialmente. Como resultado desse crescimento, é criado em 1930 o “Cinédia”, o primeiro estúdio brasileiro, profissionalizando a maneira como os filmes nacionais são gravados.

Na mesma época, a inovação tecnológica permitiu a inserção de som nas películas. A “Cinédia” passa então a investir em comédias musicais, que ajudam a alçar artistas como Carmem Miranda ao estrelato. Esses longas seguiam os padrões hollywoodianos, o que explica o sucesso internacional do clássico Alô, Alô, Carnaval (1936), de Ademar Gonzaga. Depois desse filme, Carmem Miranda foi contratada para trabalhar nos EUA.

Maria do Carmo Miranda da Cunha estrelou Alô, Alô, Brasil (1935) e Alô, Alô, Carnaval (1936), antes de ser contratada por Hollywood, onde participou de um total de 14 filmes entre as décadas de 1940 e 1950.

 

Na década de 1940 são criados novos centros cinematográficos. A companhia “Atlântida Cinematográfica”, fundada em 1941, se torna a produtora mais bem-sucedida do Brasil na época. Ela obtém fama através de um outro tipo de comédia: a chanchada, eternizada pela dupla de humoristas Grande Otelo e Oscarito. Esse gênero de baixo custo dominou as salas de cinema até a década de 1950. O faroeste Matar ou Correr (1954), de Carlos Manga, simboliza o ápice da chanchada no cinema.

Outro grande estúdio da época é o “Vera Cruz”, estabelecido em 1949. A companhia renegou as comédias populares e apostou em dramas mais aprimorados, como O Cangaceiro (1953), de Lima Barreto – filme que deu início ao gênero do cangaço no cinema. Prevaleceu nesse período a tentativa de estabelecer uma indústria cinematográfica nacional nos moldes de Hollywood, porém os altos custos das produções levaram a “Vera Cruz” à falência e comprometeram o ritmo de lançamentos dos outros estúdios.

Com o seu apelo como faroeste, O Cangaceiro (1953) foi vendido para a Columbia Pictures e distribuído em mais de 80 países.

 

O CINEMA NOVO

Seguindo a derrocada dos grandes estúdios nacionais, algumas produções tentaram se afastar dos padrões de Hollywood para criar uma estética única e puramente brasileira. Esse movimento ficou conhecido como Cinema Novo, ganhando grande relevância a partir da década de 1960. Um exemplo é O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, o primeiro filme brasileiro a concorrer ao Oscar.

Glauber Rocha é o grande nome desse movimento. Em Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), o cineasta explora as ligações entre mudanças políticas e violência, algo que permeou toda a sua filmografia. Os comentários políticos são a principal característica do Cinema Novo, influenciado pelo estilo do neorrealismo italiano e da Nouvelle Vague francesa.

O preto e branco árido do longa-metragem Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) faz a tela praticamente reluzir com o calor. A sensação é a de que o filme e o país retratado por ele estão prestes a explodir.

Após o Golpe Militar de 1964, o Cinema Novo se torna uma ferramenta de oposição. Glauber Rocha lança Terra em Transe (1967), refletindo sobre a rapidez com que o governo civil pôde cair sem derramamento de sangue.

AS LICENÇAS POÉTICAS EM PLENA DITADURA MILITAR

Em 1968 entra em vigor o Ato Institucional Número 5. A ditadura militar se acirra. O Congresso Nacional é fechado e a mídia sofre censuras. O Estado passa a interferir diretamente nas obras, através da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme). A resposta dos cineastas veio através do cinema marginal. Para ter o seu filme aprovado, é preciso ser criativo!

O movimento Tropicalismo surge nesse contexto e aproveita de várias licenças poéticas e metáforas para comentar sobre a situação política do país. Macunaíma (1969), de Joaquim Pedro de Andrade, é o maior representante dessa fase. A ironia está presente durante toda a duração do longa-metragem. No meio da mata, a terra chamada de “Pai da Tocandeira” – criada no romance de Mário de Andrade – é usada para retratar o Brasil.

Grande Otelo, eternizado no gênero chanchada na década de 1950 ao lado de Oscarito, vive aqui a sua interpretação mais icônica.

Nos anos da ditadura, o cinema brasileiro mais uma vez carece de dinheiro para financiar suas produções, tendo em vista a crise econômica que abalou o país na época. O cinema sobrevive através da presença em festivais, como o Festival de Gramado, criado em 1973. Apesar disso, a estreia de Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), de Bruno Barreto, foge à essa realidade, ao levar mais de 10 milhões de pessoas ao cinema, um recorde de público.

A ERA DA RETOMADA

Outro movimento de cinema relevante só viria despontar na década de 1990, após a redemocratização do Brasil. Primeiro, foi preciso enfrentar os confiscos durante o governo de Fernando Collor, o que estagnou a produção nacional. Em 1992, por exemplo, foram lançados apenas três longas. Porém, no governo de Fernando Henrique Cardoso, a Lei do Audiovisual entra em vigor, e o cinema brasileiro ganha uma nova chance. É a Era da Retomada.

Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995), de Carla Camurati, é a primeira empreitada nessa reestruturação da sétima arte no país. Distribuído pela Warner Bros. Pictures, o filme sofreu com a precariedade das salas de cinema na época. O mercado exibidor ainda precisava se ajustar.

Em 1997, as Organizações Globo criam o seu braço cinematográfico, a Globo Filmes. A partir de então, o cinema brasileiro vai se reposicionar internacionalmente. O grande pilar dessa investida por parte da Globo é Central do Brasil (1998), de Walter Salles, uma coprodução brasileira com a França. Fernanda Montenegro estrela como Dora, ex-professora que ganha a vida escrevendo cartas para analfabetos na estação ferroviária Central do Brasil. Dora é uma mulher desiludida que inicia uma bela amizade com o jovem Josué. Por sua atuação nesse filme, Fernanda Montenegro concorreu ao Oscar de Melhor Atriz.

Ainda que não tenha sido o primeiro filme desse período a levar mais de um milhão de espectadores ao cinema, Central do Brasil (1998) foi o marco da recuperação da autoestima do cinema brasileiro.

A Era da Retomada conseguiu condensar os comentários sociais (resgatados do Cinema Novo) para uma audiência mais ampla. Assim, os filmes dessa fase triunfaram tanto na bilheteria quanto na crítica especializada. Outros títulos incluem Cidade de Deus (2002), de Fernando Meirelles, e Carandiru (2003), de Hector Babenco.

O CINEMA BRASILEIRO ATUAL

Até hoje é possível perceber a presença mais expressiva de comédias no catálogo nacional, vide os populares Se Eu Fosse Você (2006), de Daniel Filho, e Minha Mãe É Uma Peça – O Filme (2013), de André Pellenz. Porém, filmes mais complexos como Tropa de Elite (2007), de José Padilha, e Meu Nome Não É Johnny (2008), de Mauro Lima, são a prova de que o cinema brasileiro atual é versátil.

As produções brasileiras modernas: simplistas, mas sofisticadas. No canto esquerdo, Tatuagem (2013). No canto superior direito, Praia do Futuro (2013). No canto inferir direito, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho (2014).

Fora das grandes produtoras, as peças audiovisuais no Brasil se sustentam apenas através das leis de incentivo. Por isso é muito importante apoiar o cinema nacional. Sempre que possível, vá ao cinema conferir os lançamentos nacionais. E vá rápido, porque esse tipo de produção costuma ficar pouco mais de duas semanas em cartaz.

E é assim que a sétima arte sobrevive em território tupiniquim. Ao longo de sua história, o cinema brasileiro passou por diversos altos e baixos. E ainda não temos a nossa indústria cinematográfica consolidada. Mas apesar de todas essas dificuldades, nossos talentos continuam achando formas criativas de contar boas histórias.

1 Comentário

  1. M. Messias Alves
    4 meses ago

    Gosto muito de cinema. Adorei a matéria.