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Gravidez na Faculdade

Gravidez na Faculdade


Por Fernanda Godoy – Fala!Anhembi

Estou Grávida, e Agora?

A maternidade é um momento especial na vida de uma mulher. O corpo muda, a rotina se transforma, os interesses se diversificam e o mundo gira em torno da mamãe e do bebê. Mas, e quando essa grande revolução acontece na vida de uma estudante universitária? Conversamos com quatro estudantes em estágios distintos de gravidez para descobrir como é enfrentar esse período tão delicado em meio a tantas responsabilidades exigidas pelas universidades.

ISABELA SALLES, 21

“A única coisa que vai mudar é isso, eu deixar um pouco o meu sonho de lado…”

A emoção transborda aos olhos de Isabela. Estudante de jornalismo e estagiária, Bel descobriu a gravidez no dia 18 de outubro de 2017.

“Eu descobri e entrei em desespero. E agora? Eu ainda não terminei a faculdade, eu ainda não sou 100% responsável… O médico disse que eu estava de dois meses e foi um baque. ”

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A jovem de 21 anos é noiva e terá que adiantar um pouquinho os preparativos do casamento para se organizar com a chegada do bebê.

 Isabela Salles, futura mamãe enfrentando a rotina de aulas. Foto: Fernanda Godoy

No primeiro momento, a menina teve duas grandes preocupações: a reação dos pais com a notícia e seu estágio. “Eu tive medo dos meus pais não me ajudarem mais com a faculdade, mas não teve isso. Foram muito bons para mim”, e o estágio que ela tanto gosta, “Eu vou sair em dezembro. Eu teria mais um ano ainda para continuar, como eu não vou ter chances de efetivação estando grávida, eu não quero que o bebê fique só com minha família para eu ser estagiária e ganhar pouco… acredito que trabalhando com meu namorado, a gente conseguiria uma renda a mais”.

Determinada, a estudante de jornalismo não pretende parar com os estudos. Ela possui uma boa acessibilidade à faculdade e irá conversar com os coordenadores para se ajustar com provas e trabalhos, uma vez que ela terá seu bebê no último ano de seu curso – ano de TCC.

Com grande personalidade, Isa falou sobre um assunto que acomete muitas meninas: a questão do aborto. Ela diz não ser contra o aborto,  e que toda mulher tem o direito de decidir. “Mas a partir do momento que eu descobri a gravidez, que eu fui no ultrassom e ouvi o coraçãozinho, eu disse, ‘é meu!’ Eu não teria coragem. Quero muito ter esse bebê.”

Bel não se intimida com a opinião alheia: “Tem alguns amigos que eu conto e eles não conseguem disfarçar a cara de ‘putz, você se ferrou’”. Ela acredita que não mudará muita coisa neste momento, como faculdade, rotina, colegas. “Apoio é essencial”, e isso ela está tendo de sobra por pessoas próximas e seus familiares.

“Eu sempre quis ser mãe, com trabalho fixo, salário bom e as vezes paro para pensar que não teria momento melhor, eu estou me transformando. Eu acredito que tendo um conforto e dando amor para meu filho é superior a todas essas coisas supérfluas. Estamos muito felizes.”

 

MARÍLIA COIMBRA, 20

“A faculdade é uma das maiores responsabilidades que a gente tem e um filho provavelmente é a principal responsabilidade que a gente tem, então quando você descobre que vai ter que passar pelas duas coisas ao mesmo tempo, é bem assustador.”

Marília, estudante de odontologia e grávida de 8 meses, exaltou uma grande tensão na descoberta de sua gravidez: ela é bolsista 100% pelo Prouni, e por isso existe uma grande pressão para manter a sua condição na universidade. O que mais mexeu com ela no início da gravidez foi a parte emocional. Era aflita por um turbilhão de pensamentos acerca de trabalho, dinheiro para a faculdade e para as coisas do bebê, futuro, trancar a faculdade ou não, a opinião alheia… “Pensei em parar de estudar”. Com o apoio do namorado, ela decidiu tentar até o fim persistir com os estudos.

A estudante de odontologia, Marília Coimbra, durante aula prática na faculdade. Foto: Marília Coimbra

Sua rotina se transformou de imediato, pois ela trabalhava no Hospital das Clínicas com instrumentação cirúrgica e teve que interromper sua especialização em cirurgias de grande porte devido à exposição aos gases anestésicos. Foi um grande susto, uma vez que ela tinha ali uma garantia salarial importante para essa nova fase. Foi então que a estudante começou a vender brigadeiro na faculdade para continuar os estudos e comprar as coisas para o bebê.

“Nos primeiros meses não mudou muita coisa, mas após a metade da gestação, usar o transporte público foi um grande problema”. Em uma das idas para a faculdade, ela teve um grande susto, quando no empurra-empurra dos vagões, ela sofreu uma pancada por uma bolsa em sua barriga, o que a afastou da faculdade e de tudo o que estava fazendo neste período.

Marília afirmou sentir preconceitos por sua condição. Sentiu olhares tortos e no início até escondia sua barriga com o auxílio de roupas de frio para evitar julgamentos. “É uma gravidez, não deveria ser algo ruim. Faz parte do ciclo natural. Tem gente com dó, tem gente que acha que sua vida acabou, é uma mistura de tudo”. Ao contar para os professores, ela sentiu um pré-julgamento e uma resistência não explícita, mas obteve ajuda.

Amigos próximos a ajudaram muito. Fizeram chá de bebê surpresa e uma professora em especial demonstrou total apoio e compreensão. Mas também ouviu comentários de colegas, como “eu no seu lugar ia querer me matar”.

Marília disse que seu bebê irá nascer com um mês de antecedência devido aos seus esforços para não interromper a faculdade. Ela continuará os estudos no período da noite, deixando o bebê com os pais e o namorado neste período e, se possível, tentará levar a nova rotina juntamente com um trabalho.

 

LARISSA PEREIRA, 19

“Descobrir a gravidez não é fácil e a gente só quer a força da pessoa que você gosta do seu lado, do seu parceiro no caso, e da sua família em primeiro lugar.”

Depois da descoberta muita coisa mudou para Larissa, mas o apoio da família de ambos os lados foi fundamental. Estudante de direito e grávida de 4 meses, a primeira coisa que ela tinha em mente quando soube da notícia foi a faculdade, pois tinha medo de trancar, de não seguir em frente e não ter tempo para os estudos. Sua família permaneceu ao seu lado e disse: “Não! Você tem que continuar os estudos, pois é o seu futuro em jogo e fora que agora tem que pensar no futuro do bebê”.

A estudante, que não teve uma gravidez planejada, disse nunca ter esperado que isso fosse acontecer com ela. “A gente nunca espera que possa acontecer com a gente… Esse risco é para todos. Hoje eu posso estar grávida, amanhã minha amiga pode estar grávida, amanhã a namorada do meu amigo pode estar grávida também.”

Larissa Menossi e o namorado Vitor Belloto aproveitando a paisagem junto ao futuro bebê. Foto: Larissa Menossi


Ao contar para os amigos, recebeu olhares de surpresa e perguntas que nem ela mesma havia 
conseguido pensar. Segundo ela, eles aceitaram numa boa, apoiaram a gravidez sem críticas, preconceitos, julgamentos e ninguém a deixou de lado. “A vida está sendo normal.” Além disso, os mesmos ofereceram ajuda com os conteúdos aplicados na universidade, assim como os professores que, com respostas positivas, ofereceram a suporte a ela durante a gravidez, facilitando a entrega de trabalhos e demais atividades.

Apesar de estar no início da gestação, Larissa já foi atrás de seus direitos e tem se informado sobre os auxílios que sua faculdade poderá oferecer durante esse período. Após o nascimento do bebê, ela pretende trocar o seu turno na faculdade para a noite, a fim de conciliar os estudos com as atividades maternas durante o dia.

 

NARA REIS, 20

“Eu fiquei muito mal. Eu escondia. Nem para os meus amigos eu contava”

Umas das maiores surpresas na vida da ex-ginasta e estudante de educação física foi a chegada do Lucca. No início, a menina sofreu muito com a notícia que seria mãe e não queria contar sobre a gravidez para os amigos e para sua família. “No começo fiquei mal. Não saia, chorava direto, mas depois melhorou”.

“Minha sorte foi que eu tive muito apoio”O maior incentivo para sua permanência na universidade ocorreu com o apoio de um professor. “Eu estava certa que ia trancar, mas meu professor disse: vai! Continua! E deu tudo certo”. Foi durante uma aula de natação, quando este ameaçou tirar sua nota e, consequentemente, reprová-la na disciplina, que a estudante contou seu segredo e se debulhou em lágrimas. Recebeu o maior e melhor conforto de uma pessoa que jamais poderia imaginar.

Nara Reis em momento de descontração com o seu amado Lucca, de 4 meses. Foto: Nara Reis

Alguns professores apresentaram resistência ao passar trabalhos para serem realizados em casa, mas com o auxílio da coordenação do curso, tudo se resolveu. Seus colegas de classe ajudaram bastante com os materiais e atividades e, assim, ela conseguiu concluir o semestre de afastamento sem DP´s.

“Eu tive muito medo de me julgarem… até porque eu não estou com o pai”. Nara percebeu alguns julgamentos sobre sua condição, como a pouca idade e por não estar com o pai do bebê, apesar da grande amizade que existe entre eles. Mas o que mais incomodou foi o jeito como alguns amigos a tratavam, “a Nara é mãe agora… ela não pode sair porque está grávida”e por esse motivo, decidiu se afastar de algumas pessoas.

Pequenina, a estudante de educação física tentou não mudar sua rotina. “Fazia tudo, tinha sono, sentia enjoo, mas fazia as atividades e trabalhava”. Nara afirmou que a faculdade não divulga informações caso ocorra gravidez durante os cursos. Ela conseguiu uma licença de 4 meses, tanto do trabalho quanto da faculdade.

Hoje, a estudante já retornou as suas atividades normais na universidade. Tem trabalhado bastante e acaba sentido muita falta do bebê. No início, levava o Lucca para o trabalho, para curtir um pouquinho essa troca maternal, agora isso não é mais possível. Nara pretende fixar-se apenas em um trabalho com uma carga horária reduzida para se dedicar mais ao filhote.

Foto: Camila Cordeiro

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