GP da Itália: a melhor corrida dos últimos tempos
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GP da Itália: a melhor corrida dos últimos tempos

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Vitória de Gasly, erros da Mercedes, caos na Ferrari e ótimo fim de semana da McLaren marcaram o GP em Monza

6 de setembro de 2020. Essa data será lembrada por muitos e muitos anos, por marcar uma das grandes corridas da história da maior categoria do automobilismo. Em uma corrida completamente caótica, AlphaTauri, McLaren e Racing Point estiveram no pódio, e fizeram os fãs do esporte se arrepiarem do começo ao fim.

GP da Itália
Pierre Gasly emocionado no pódio após sua vitória no GP da Itália. | Foto: F1Mania.

GP da Itália

Logo na sexta-feira, em Monza, nos treinos livres, já foi possível ter uma ideia do que poderia ser esperado no restante do fim de semana. Após o grande resultado e desempenho da Renault em Spa, na semana passada, acreditava-se que a equipe francesa poderia brigar por algo a mais na Itália, por serem pistas de características parecidas: pura velocidade.

Porém, quem se destacou desde o começo, foi a cliente de motor da Renault, McLaren, andando sempre no topo do grid nos treinos enquanto a equipe francesa estava sempre mais atrás. Do lado negativo, a Ferrari, correndo em casa, sofreu muito desde os treinos, e já dava sinais de que seria outro sofrível fim de semana para os tifosi; Max Verstappen, que vem muito bem na temporada, também não conseguiu manter o mesmo ritmo desde os treinos em Monza.

Sábado

As surpresas começaram a aparecer logo na classificação. No sábado, como esperado, as Mercedes dominaram, mesmo sem o tão falado Party Mode (configuração para dar mais potência na classificação), com Hamilton em primeiro e marcando a volta mais rápida da história da Fórmula 1 no quesito velocidade média, sendo essa acima de 280 km/h, e Bottas em segundo.

Porém, desta vez, Max Verstappen não foi quem esteve na cola das Mercedes. Carlos Sainz, piloto espanhol da McLaren, fez uma grande classificação e garantiu a 3ª posição no grid de largada; Sergio Perez, da Racing Point, em 4º, Verstappen apenas em 5º e Lando Norris, o outro piloto McLaren, em 6º, confirmando a força da equipe inglesa nesse fim de semana. Leclerc largou em 13º e Sebastian Vettel ficou no Q1, e classificou apenas em 17º.

Domingo

No domingo, as luzes se apagaram e os pilotos estavam correndo no Grande Prêmio da Itália. O grande destaque da largada foram as grandes saídas das McLarens e o terrível começo de Valtteri Bottas. Sainz, que largou em 3º, passou para segundo antes mesmo da primeira curva, e rapidamente abriu uma certa vantagem junto a Lewis Hamilton.

Mas quem realmente se destacou, foi o jovem sensação Lando Norris. O inglês começou em 6º, mas teve um início muito forte, e rapidamente pulou para 3º, colocando Hamilton na frente e as duas McLarens logo atrás, enquanto Bottas caiu para a 6ª posição.

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A largada do GP da Itália, em Monza. | Foto: ge.

Logo na sexta volta, o primeiro abandono da corrida, e foi de Sebastian Vettel e sua Ferrari. O alemão teve um problema com os freios do carro e foi obrigado a deixar a prova. A corrida estava tranquila até a 19ª volta, quando um fato mudou o rumo deste GP.

A Haas, de Kevin Magnussen, apresentou um problema e parou bem próxima à entrada dos boxes, acionando o Safety Car, porém, isso influenciou diretamente a corrida de Lewis Hamilton. O líder da prova estava na saída da Parabólica (última curva da pista em Monza, antes da entrada nos boxes) e, ao ver a bandeira amarela, entrou nos boxes. Porém, os boxes ainda estavam fechados naquele momento, e Lewis veio a receber uma punição de 10 segundos por Stop & Go. O mesmo valeu para Antonio Giovinazzi, da Alfa Romeo.

Com as paradas para pit stop durante o Safety Car, o grid se embolou, e Hamilton se manteve em primeiro, seguido por Stroll, Gasly, Giovinazzi, Raikkonen e Leclerc. Lembrando que Lewis e Giovinazzi tinham punições a cumprir. A corrida foi retomada e apenas uma volta depois, Charles Leclerc perdeu o controle de seu carro na Parabólica e acertou o muro de proteção com muita força, mas saiu ileso. Porém, o acidente do monegasco gerou uma bandeira vermelha e todos os pilotos foram para os boxes.

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Acidente de Leclerc no GP da Itália. | Foto: ge.

Uma regra polêmica da FIA permite que, em caso de bandeira vermelha, os pilotos troquem seus pneus, e isso beneficiou Lance Stroll, que ainda não tinha feito nenhuma parada e relargaria na 2ª posição. Após mais de 20 minutos de paralisação, os pilotos foram para os colchetes para fazerem a relargada.

Com a corrida retomada, estavam correndo novamente em Monza, e o destaque negativo foi a péssima largada de Lance Stroll, que teria totais condições de brigar pela vitória, vide que Hamilton perderia muitas posições pela punição. Após uma volta, o piloto da Mercedes parou nos boxes para cumprir sua punição e caiu para a última posição. Gasly havia assumido a ponta, sendo perseguido por Carlos Sainz, Stroll em 3º, Norris em 4º e Bottas apenas em 5º, tendo feito mais uma corrida apagada e não conseguindo atacar a McLaren de Lando Norris.

Na 31ª volta, Max Verstappen, que já vinha fazendo um fim de semana apagado, teve um problema no seu carro e abandonou a prova, sendo o quarto piloto do dia a deixar a sessão.

Hamilton não deixou de brilhar mesmo estando longe da vitória, e escalou boa parte do grid, ao sair de 17º e chegar em 7º. Mas o grande momento do fim de semana, foram as dez últimas voltas, em que Carlos Sainz iniciou uma verdadeira caçada a Pierre Gasly em busca da tão sonhada vitória.

Foram voltas de arrepiar os fãs em casa, e na última volta, o espanhol conseguiu alcançar o francês, mas não foi o suficiente, e Pierre Gasly conquistou uma das vitórias mais emocionantes de todos os tempos, sendo a primeira vitória de um piloto que não seja da Mercedes, Ferrari ou Red Bull, desde Raikkonen pela Lotus na Austrália em 2013.

A vitória do piloto da AlphaTauri marcou também a primeira vitória de um francês desde Olivier Panis, em 1996. Foi seguido por Sainz e Lance Stroll, formando um pódio bem alternativo em relação ao que se tem visto neste ano. Excelente para os fãs e para o esporte.

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O pódio em Monza. | Foto: F1 Official Site.

O que esperar das próximas corridas

No Campeonato de Pilotos, nenhuma grande alteração, com exceção à volta de Valtteri Bottas para a segunda posição. Já no Campeonato de Construtores, a briga pelo 3º lugar segue acirrada, mas, com o fim de semana quase perfeito da McLaren, terminando em 2º e em 4º, abriram uma boa vantagem de 16 pontos para a 4ª equipe, a Racing Point.

Uma corrida que entrará para a história, que provou para todos que a “Fórmula 1 não morreu” e que poucos esportes podem gerar tanta emoção quanto a maior categoria do esporte à motor. Mesmo que uma equipe domine, são muitas histórias sendo escritas e contadas, em todas as partes do grid, e são em dias como hoje, que a Fórmula 1 demonstra o quão apaixonante ela pode ser.

Após o fim de semana épico em Monza, já é semana de corrida novamente, e a próxima parada é em Mugello, na casa da Ferrari, para a realização do GP em comemoração das 1000 corridas da scuderia na categoria. Será permitido a entrada dos fãs pela primeira vez na temporada, ainda que em capacidade reduzida.

Infelizmente, a corrida de hoje não pôde ser presenciada pelos apaixonados pela Fórmula 1, mas, a partir de semana que vem, eles voltarão aos autódromos, com a expectativa de poderem presenciar pessoalmente emoções que hoje foram apenas pela televisão.

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Por Filipe Saochuk – Fala! PUC

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