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Gestão, qualidade da educação e liderança nas escolas

Gestão, qualidade da educação e liderança nas escolas


 Livro organizado pelo Grupo de Pesquisa Gestão e Qualidade da Educação (GESQ) aborda os novos caminhos para a administração escolar

Livro Gestão escolar e qualidade da educação: caminhos e horizontes de pesquisa. Foto: Larissa Gomes
Livro Gestão escolar e qualidade da educação: caminhos e horizontes de pesquisa. Foto: Larissa Gomes

PRÊMIO EDUCAÇÃO TRANSFORMA INCENTIVA A TRANSFORMAÇÃO DE VIDAS POR MEIO DA EDUCAÇÃO

Gestão e liderança das escolas

O conceito de liderança, as dificuldades da gestão e a importância dos dados educacionais são alguns dos temas abordados pelo livro Gestão escolar e qualidade da educação: caminhos e horizontes de pesquisa, apresentado no seminário que ocorreu no dia 3 de abril deste ano.

A obra busca entender os contextos, processos, agentes e resultados da escolarização. Além disso, propõe uma conversa entre os diversos estudos na área, com foco na qualidade e intervenção dessa realidade em busca de melhorias.

As autoras Cynthia Paes de Carvalho, Ana Cristina Prado de Oliveira e Maria Luiza Canedo reuniram no livro um conjunto de diálogos entre pesquisas sobre gestão escolar.

A obra articula análises quantitativas e a percepções dos agentes envolvidos na administração e na implementação de políticas educacionais.

As pesquisadoras debateram os efeitos dos dados que obtiveram nas pesquisas e enxergam neles possibilidade de trazer mudanças para a escola, seja por meio da leitura e da utilização de estatísticas educacionais ou pela operacionalização de sistemas. Contudo, Ana Cristina afirmou que essas análises não são percebidas da mesma forma pela maioria das gestões.

Entender esses resultados como possibilidade efetiva de alguma mudança para discussões e construções para as escolas não foi uma questão achada pela pesquisa.

De acordo com Ana, que é doutora em Educação pela PUC-Rio, os estudos ao redor do mundo são convergentes em certos aspectos da escolarização pública, mesmo que a cultura e a geografia distanciem esses locais. Para ela, o GESQ procura trabalhar nesse intercâmbio de pesquisa, com o objetivo de internacionalizar e promover o multiculturalismo da gestão escolar.

Embora sejamos países tão distantes, temos coisas que dá para conversar. Eisso nos desafia a pensar a necessidade de reconstrução contextual do próprio termo liderança no nosso contexto brasileiro e no nosso contexto de gestão escolar.

Segundo Ana Cristina, a satisfação dos docentes com o trabalho é uma questão importante para a implementação de políticas públicas nas redes pública de ensino.

A doutora disse ainda que a alta evasão e rotatividade dos professores e diretores não ajuda para a qualidade de ensino nas escolas públicas. E ressaltou a carência de um diálogo mais frequente dos grupos de pesquisa com as escolas e com as redes.

As escolas municipais estão sempre sobrecarregadas com seus próprios problemas que tem pouco espaço para acolher isso. Mas continuamos achando importante essa relação. A demanda que nos vem é mínima para nossa capacidade de trabalho. Às vezes, pagam consultoria internacional para coisa que a universidade faria de graça. É preciso azeitar essa relação.

Gestao escolar
Público atento ao debate
Foto: Larissa Gomes

A PALAVRA COMO ARMA DOS POVOS INDÍGENAS: CONVERSA SOBRE EDUCAÇÃO INDÍGENA E RESISTÊNCIA NO FESTIVAL PAT

A Qualidade da Educação e do Ambiente Acadêmico

Durante o seminário, o professor Ângelo Ricardo de Souza, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), declarou que a realidade no ambiente acadêmico não dialoga com os dados.

Segundo Souza, eles são importantes, mas não traduzem a realidade, pois há uma discrepância entre o que ocorre de fato dentro das escolas e o que as análises mostram. Nesse olhar, para ele, é mais relevante analisar as estatísticas comparativamente com resultados anteriores.

São informações importantes, mas não quer dizer que o dado seja absoluto e de que fato seja aquilo. É mais importante ver como a variável se comporta ao longo do tempo. O dado não pode ser fotografia. Ele varia, depende de cada realidade.

Para o professor, existe um conflito, o qual chamou de descompasso duplo, com as análises. A parte interna desse comportamento se refere ao fato de não ter professores formados para lidar com geração e análise das informações. Por outro lado, quem faz as pesquisas, geralmente, usa critérios externos demais à realidade escolar, afirmou Ângelo Souza.

Gestao escolar
As autoras Cynthia Paes de Carvalho, Ana Cristina Prado de Oliveira e Maria Luiza Canedo. Foto: Larissa Gomes

CORTE PROFUNDO NA EDUCAÇÃO: ESTUDANTES NÃO PERMITEM ESSA HEMORRAGIA

O livro aborda um debate para o trabalho de líder do diretor como possibilidade de trazer mudanças significativas para propostas educacionais das escolas.

Entretanto, de acordo com Ana Cristina, há uma resistência a esse conceito de liderança. Outro problema é a falta de escuta e consulta aos diretores para implementação dessas alterações.

Chega um novo sistema e ninguém pergunta ao diretor se essa mudança será útil. Às vezes, para aquele contexto, pode ser mais do mesmo.

Os estudos também apontam para as interações entre os professores e o diretor. Em muitos casos, essa relação facilita a sintonia nas salas de aula, repercutindo positivamente nos resultados dos alunos.

Para a doutora, os gestores têm responsabilidade específica como implementadores das políticas, pois a figura tem relevância para a eficácia das propostas educacionais.

Estudos nos inspiraram a criar um índice para falar sobre essa liderança do diretor, como os professores avaliam e reconhecem sua importância no estímulo ao trabalho. É nessa perspectiva que consideramos a liderança.

Dentro desse ponto, Ângelo Souza discorreu sobre a percepção do clima escolar, relacionado à organização e à cooperação entre os docentes e alunos.

BOLSONARO X EDUCAÇÃO E CULTURA UNIVERSAL

De acordo com o professor, o clima deve ser lido de um jeito mais amplo, incluindo três componentes: ambiente, tempo e pessoas. Logo, segundo ele, não se trata somente das condições espaciais, mas também das interações humanas. A partir disso, será possível saber se há um espaço favorável ou não para a qualidade educacional, afirma o professor.

A escola não se faz no individual. Não é a soma do resultado dos indivíduos, é muito mais do que isso.

Por Gustavo Magalhães – Fala! Puc Rio

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