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Corte profundo na educação: estudantes não permitem essa hemorragia

Corte profundo na educação: estudantes não permitem essa hemorragia

Os estudantes brasileiros encontraram uma pedra no meio do caminho. Na verdade, entre tantos obstáculos que os jovens já enfrentaram, é mais fácil dizer que existe uma montanha no meio da estrada da formação. Em Abril, o governo declarou um possível corte de 30% no orçamento de despesas discricionárias, ou seja, serviços básicos como água, luz e manutenção de três faculdades federais. Em seguida, foi anunciado o corte de R$ 2 bilhões das mesmas despesas em todas as universidades federais e de R$ 900 milhões em todos os institutos federais.

“No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.”

“No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade

Por isso hoje, dia 15 de Maio de 2019, estudantes de todo o Brasil se mobilizam, convocados pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e  unidos às instituições nas quais estudam, para manifestar contra o corte de verbas. O objetivo é tentar impedir que as que essa ação seja efetivada. O bloqueio do capital vai atravancar, principalmente,  pesquisas e processos de pós graduação, incluindo mestrado e doutorado.

Assembleia da Universidade de São Paulo – Foto: Ronaldo Silva

As manifestações acontecerão em 13 estados, englobando um total de 20 cidades. Entre elas, destacam-se Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital paulista, a concentração acontecerá no vão do MASP (Museu de Arte de São Paulo), na Avenida Paulista, às 14:00.

Alunos de faculdades particulares de São Paulo também estão se mobilizando. A Faculdade Cásper Líbero e a PUC -SP estão paralisadas. Os estudantes da Mackenzie estão simpatizando com o ato mesmo em semana de provas e a Anhembi Morumbi também pretende se envolver.

“As manifestações de hoje são por algo a mais, elas visam lutar para garantir que a nossa educação não seja negligenciada, colocada como segundo plano. E isso independe de ser universidades particulares ou públicas” explica Marina Loureço, co-presidente do Centro Acadêmico Vladimir Herzog (CAVH), da Faculdade Cásper Líbero. A co-presidente do CAVH e aluna de jornalismo, Lorena Alves, conta do processo para paralisar a faculdade: “Os membros do  CAVH já estavam decididos a se mobilizar, mas a vontade veio da própria base, dos estudantes da Cásper Líbero”.

Elas contam que, hoje de manhã, a faculdade teve rodas de conversa e oficinas para confecção de cartazes para o ato que acontecerá a tarde, na Avenida Paulista, que é a casa da Cásper. “Professores vieram pedir cartolina porque a tarde alguns deles vão participar do ato”, comenta Mariana. Ela fala também da importância do envolvimento das universidades particulares: “Nós não podemos deixar que as nossas pesquisas se percam por aí, não podemos deixar as universidades federais com problemas de luz, de água, de professores. A gente não pode deixar isso acontecer só porque estamos em uma universidade particular, isso não é justo”

Na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o corte será de R$64,6 milhões. A faculdade mineira será a 3ª mais afetada do país pelo bloqueio de verba. “Quando ocorreram os cortes de 2015 e de 2016, a reitoria realizou cortes na segurança, limpeza, portarias e manutenção, buscando preservar as atividades acadêmicas. Os cortes foram sentidos, mas, as atividades fins da universidade foram mantidas. Assim, a UFMG já está trabalhando sem margem para novos cortes. Se ou quando eles vierem, terão impacto mais forte do que os anteriores, pois encontram a UFMG funcionando já com pouquíssima margem de manobra”, explica o Prof. Hani Camille Yehia, Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Neurociências da UFMG. Ele também alerta: “As universidades e o MEC estão no mesmo time. Trabalhamos juntos para que o ensino e a pesquisa no Brasil atinjam níveis elevados. Ainda falta muito a fazer, mas, muito já foi feito também. Não seria inteligente jogar isso fora”.

Assembleia dos alunos da UFMG – Foto: Tainá Dutra

Gabriela Dalago, aluna de jornalismo da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), conta sobre os efeitos que o corte teria na sua faculdade: “Com certeza a gente perderia bastante recurso para pesquisas científicas e projetos de extensão, já é bastante difícil agora, e com certeza vai ficar mais difícil com o corte”.

Na UFF (Universidade Federal Fluminense), será bloqueado 38,2% do orçamento, que equivale a R$55 milhões. A universidade, que já enfrenta o subfinanciamento há alguns anos, terá o fornecimento de energia, água, vigilância, limpeza e transporte afetados imediatamente. Alguns hospitais de universidades federais também serão atingidos. Entre eles, o da Universidade Federal de Grande Dourados, que perdeu R$ 20 milhões, e o Hospital Universitário Gaffree Guinle, do Rio de Janeiro, que perdeu R$18,5 milhões.


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