Fim da classificação que desaconselha alimentos ultraprocessados
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Fim da classificação que desaconselha alimentos ultraprocessados

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O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2006, apresentou as primeiras diretrizes alimentares oficiais para a população. A Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a recomendar que os países adotassem guias de alimentação como forma de prevenir doenças como obesidade e diabetes a partir da década de 1980. Tanto a FAO como a OMS recomendam uma dieta rica em cereais integrais, legumes, frutas e vegetais, assim como o consumo reduzido de carne e de alimentos com alto teor de gordura e de açúcar (além de alimentos ultraprocessados).

O guia separa os produtos em quatro grupos de acordo com seu nível de processamento. No primeiro grupo, estão os alimentos in natura ou minimamente processados. No segundo, estão os óleos, açúcar e sal. O terceiro grupo é dos processados, que inclui alimentos in natura que tiveram a adição de substâncias para aumentar sua durabilidade, como conservas. Por fim, há os alimentos ultraprocessados. De acordo com o guia, esses alimentos – ricos em açúcares, sódio, gordura e outras composições industriais – devem ser evitados. 

alimentos ultraprocessados
Alimentos ultraprocessados. | Foto: Reprodução.

Diante das transformações sociais vivenciadas pela sociedade brasileira, que impactaram sobre suas condições de saúde e nutrição, fez- se necessária a apresentação de novas recomendações. 

Entenda o pedido do fim da classificação que desaconselha alimentos ultraprocessados

Uma nota do Ministério da Agricultura critica o Guia Alimentar e pede fim da classificação que desaconselha alimentos ultraprocessados. A crítica consiste em afirmar que, ao recomendar o consumo mínimo de ultraprocessados, o guia impede a autonomia das escolhas alimentares.

Devido a seus ingredientes, os alimentos ultraprocessados são nutricionalmente desbalanceados e estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas, cardiovasculares e metabólicas. Apesar de vários estudos científicos já terem comprovado esses riscos, a nota técnica do Ministério argumenta que “pesquisas demonstram que não existem evidências de que o valor nutricional e a saudabilidade de um alimento estejam relacionados aos níveis de processamento”. E diz ainda que a classificação de alimentos ultraprocessados como nutricionalmente desbalanceados é “uma incoerência”.

O posicionamento do governo foi severamente criticado por especialistas da área da saúde e da nutrição, que ressaltam que órgãos internacionais e outros países também adotam os padrões do guia brasileiro. Os profissionais da área enfatizam que essa nova nota ignora totalmente a questão de saúde publica, informam que tais críticas se resumem a afirmações não amparadas por qualquer evidência científica e classificam os argumentos da nota como frágeis e inconsistentes.

O Ministério da Saúde foi questionado e pressionado sobre a adoção das alterações solicitadas pela Agricultura, mas não houve posicionamento.

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Por Leticia Ortega Jorge – Fala! Cásper

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