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Entrevista com ZAPI – conversamos sobre seu trabalho autoral e a cena do Rap

Entrevista com ZAPI – conversamos sobre seu trabalho autoral e a cena do Rap

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Diretamente da USP (EACH), descobrimos o som do Zapi. Ele faz parte do coletivo (se é que se chama assim) Vadios, produz música autoral e é um dos representantes da nova geração do Rap brasileiro, consagrada por uma pancada de gente com mais tempo de estrada, como Emicida, Criolo, Projota ou até alguns mais recentes, tais como Costa Gold, Haikaiss, Família Madá, 3030, e por aí vai.

Conversamos com ele para trocar umas ideias a respeito desse universo, que se expande cada vez mais na rádio, na internet, na televisão e nas festas que rolam por aí. Confira:

01 – Salve Zapi! Primeiramente, queria saber se você faz Rap ou Hip-Hop, ou dois. E pra quem não sabe diferenciar, qual é a grande diferença entre esses dois estilos?

R: Na minha visão, o RAP nada mais é do que um dos pilares da Cultura Hip-Hop, e eu particularmente procuro não classificar o tipo de música que eu faço, justamente porque acredito que a inspiração e a música podem percorrer dentro de diversos estilos, e até mais de um ao mesmo tempo, sendo assim, muitas vezes uma classificação pode não ser muito representativa se for o caso da música integrar diversos outros instrumentos ou estilos, por exemplo, como o Samba, o Rock, o Reggae, o Surf Music, entre outros… Eu particularmente acho muito interessante esse tipo de mistura !

02 – Você já tem um CD gravado e alguns videoclipes também. Foram todos feitos de forma independente? Ou você assina com alguma gravadora/selo?

R: Sim, esse ano eu lancei o meu primeiro Álbum intitulado “O Cheiro da Guela”, um trabalho sério que contém 15 faixas e 2 Interlúdios, que teve um prazo de 3 anos e meio de criação, desde o comecinho de tudo até a conclusão final. As 15 faixas saíram junto com um Web Vídeo independente, feito da música tema do álbum que possui o mesmo título do CD, e que foi gravado em frente ao estádio do Pacaembu, em parceria com o meu amigo pessoal e músico NOG, com captação de imagem de Igor Peticov.
O Álbum inteiro foi feito de forma totalmente independente, idealizado por mim, e realizado em parcerias com diversos produtores musicais de diferentes partes do país que forneceram os instrumentais.
Já está previsto também o lançamento de mais dois clipes de músicas do “Cheiro da Guela”! Uma chamada “TREZE” e a outra chamada “SAMPA” !

03 – Qual a sua opinião sobre essa nova onda do Rap? O público está crescendo, muitos artistas estão surgindo e o estilo está conquistando cada vez mais o mainstream. Você enxerga isso como um processo natural, negativo, positivo, ou nada disso?

R: Enxergo como um progresso vindo de um processo natural, com certeza !
O RAP vem ganhando espaço e conquistando o mercado cada vez mais, fazendo com que o nosso trabalho seja reconhecido e valorizado, assim como já aconteceu na ‘gringa’ (Nova York) por volta dos anos 80, processo que consagrou o estilo musical por lá, berço natural da cultura.
A cena tem mais é que se expandir mesmo, sem limitações!
Existem muitos assuntos a serem abordados, e a arte em si nos dá essa liberdade de explorar todos os lados. Desta forma, existe espaço para todo tipo de RAP no mercado, tornando obsoleta qualquer restrição… Porém, eu particularmente continuo a preferir fazer e escutar o bom e velho RAP que fala sobre a VERDADE, muitas vezes não exposta em nenhum outro meio de comunicação…

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Kamau, Zapi, BigDaGodoy, James Ventura e Max B.O

04 – No que consiste o coletivo Vadios?

R: Vadios é uma Gangue de Pixação e Graffiti da cidade de São Paulo, nascida na Zona Oeste em 1989.
Tudo começou  quando Josélio, o mais velho de 4 irmãos, começou fazendo algumas pixações no colégio, e algum tempo depois levou a arte às ruas, integrando novos pixadores e grafiteiros a sua “Crew”…
Em 2003, com a entrada do artista plástico e designer KEP, o VADIOS começou a levar o nome da crew a um contato ainda maior com o graffiti, expandindo a arte para além das ruas do bairro da Pompéia.
No ano de 2011, KEP criou uma marca de roupas chamada ‘VADIOS47’, fazendo roupas com estampas de gravuras de autoria própria e apoiando skatistas, cantores de rap, surfistas e pessoas ligadas à cultura de rua…
Através da cultura HIP HOP, durante a gravação de um dos meus primeiros Raps, eu que sempre morei pelo bairro da Pompéia tive a oportunidade de conhecer o KEP, que além de hoje ser um grande amigo, foi o cara que apoiou o meu som e me colocou no coletivo VADIOS com o objetivo de expandirmos o nome para além dos muros e das roupas, através dos fones de ouvido – direto pra dentro da casa das pessoas !
A gangue VADIOS continua em atividade constante nas ruas de São Paulo e em diversos cantos do mundo! Conhecida por alguns como Família Vadios, seus integrantes são:
Josélio, o falecido Nê(+), Rói, Pagão, Lzn, Tata, Dexter, Gigante, Cunha, Lebrão, Kep e eu, (ZAPI).

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Graffiti Vadios – Vila Pompéia

05 – Suas composições trazem algum tipo de protesto? Você acha que o Rap é uma arma poderosa para cobrar e apontar as falhas da sociedade?

R: Com certeza! Acho essencial apontar as falhas da organização em que vivemos, principalmente em tempos de manipulações de informação, porém, nem todas as minhas músicas são de cunho crítico ou político-social…
Eu acredito que qualquer tipo de informação positiva deve ser propagada, já que a partir do momento que você tem uma visão que muitos podem não ter, torna-se a sua responsabilidade levá-la a luz do conhecimento de todos que estiverem ao alcance, seja ela uma crítica, uma reflexão, uma simples mensagem de amor, ou apenas uma rima descontraída.
Eu sempre procuro compartilhar um pouco da realidade que eu enxergo através das lentes da minha visão, sem me restringir a fazer somente sons de críticas sociais, mas rimando também um pouco do meus estilo de vida, e sobre as coisas que eu gosto como o Skate, o Surf, o Grafite ou outros assuntos que me prendem a atenção, como por exemplo causas Ambientalistas ou de cunho espiritualista…

06 – Rap carioca ou Rap paulista? Você se identifica mais com qual deles?

R: Fica difícil para mim dizer, pois ambos presentearam a nós, rimadores da Nova Era, com um rico e miscigenado berço musical. Entre vários nomes reveladores, os que me vem na mente no momento vão desde Black Alien, Speed Freaks, Mv Bill, Marcelo D2 ou Quinto Andar, até Racionais Mc’s, Sabotage, Charlie Brown Jr, RZO, Ogi e vários outros, sendo ambos essenciais para chegarmos no momento da cena em que nos encontramos hoje…
Além de me identificar com o rap carioca, tenho amigos na cena de lá, como “Cartel Mc’s”, grupo carioca com os quais tive a oportunidade de realizar um som ao lado dos amigos do “Costa Gold”, grupo que também é paulista! (Para quem quiser conhecer, a música se chama “Jogo Sujo” ).
Ainda assim, felizmente não são só as duas metrópoles que compõem o cenário Nacional!      Existem outros nomes se destacando em outras partes do Mapa do Brasil, como por exemplo o “Rapadura”, rapper do Norte\Nordeste brasileiro, que mistura o Rap com ritmos regionais, entre outros…!

07 – Você considera a cena do Rap/Hip-Hop bem unida? A galera se junta para somar forças para o movimento?

R: Existe sim a união de alguns artistas que se ajudam no cenário, como no meu próprio caso, onde recebi forte apoio do grupo Costa Gold, que já tinha na época mais experiência e tempo na cena do que eu. Outro exemplo é a fraternidade “DamassaClan”, uma das mais famosas no momento e que reúne diversos Mcs e grupos atuais, como “Haikaiss”, “Família Madá”, “Tubaína”, “Don Cesão”, entre outros…
Eu acredito que a tendência é essa união continuar crescendo e as diferenças irem desaparecendo ao ponto de que vão sendo respeitadas como arte, pois apesar das diferenças, estamos todos no mesmo “avião”- prestes a alçar voo – chamado RAP !

Clique AQUI escute no youtube o CD Cheiro da Guela completo.

Escute a faixa O Cheiro da Guela:

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Clique AQUI e confira o canal da família Vadios no YouTube

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Por: Redação Fala!Universidades

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