Entenda qual foi a importância do espartilho na história da moda
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Entenda qual foi a importância do espartilho na história da moda

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Sem dúvida alguma, uma das peças mais controversas do mundo da moda é o espartilho. Apesar de estar presente no guarda-roupa feminino da Renascença até o século 20 e ter uma legião de usuários até os dias atuais, o espartilho foi considerado uma arma de tortura e até mesmo a causa de diversas doenças. Há quem ame e quem odeie, mas você sabe de onde ele veio e como ele se desenvolveu até os dias de hoje? 

espartilho
Entenda a importância do espartilho na história da moda. | Foto: Reprodução.

Importância do espartilho na história da moda

Existem registros de peças semelhantes ao espartilho desde a antiguidade, mas foi apenas nos anos 1500 que ele tomou a forma que conhecemos hoje. Forma esta que vem desde então se adaptando ao ideal de beleza feminino de cada época, indo de estruturas rígidas no século 18 até as cintas modeladoras usadas nos dias de hoje. 

Muitos acreditam que o espartilho era uma espécie de tortura, que deformava o corpo e poderia até causar a morte, mas isso não é verdade. Eles serviam de sustentação para o corpo (uma espécie de sutiã) e por serem feitos sob medida, distribuíam a pressão em todo o corpo, sendo até bem confortáveis de usar. Existem, sim, casos de pessoas cujo único objetivo ao usar um espartilho era afinar ao máximo sua cintura (o chamado tight lacing), porém não era a maioria. Esta narrativa surgiu durante o iluminismo, quando médicos passaram a condenar veementemente seu uso, mas sem muitas provas reais de seus malefícios. 

moda na antiguidade
Representação do espartilho na antiguidade. | Foto: Reprodução.

Com a virada do século 20, o espartilho se tornou mais maleável, atraindo mulheres com um estilo de vida mais esportivo e permanecendo durante a estética masculina dos anos 20, as curvas dos anos 40 e a silhueta de violão dos anos 50. Já nos anos 70, Vivienne Westwood foi conhecida por utilizar espartilhos em suas coleções, mas ao invés do olhar extremamente recatado e feminino, a estilista incorporou a peça em sua estética subversiva e punk, que ia contra o sistema e a favor da libertação feminina. 

Espartilho
Espartilho nas passarelas. | Foto: Reprodução.

Em 1990, a peça foi novamente popularizada por Jean-Paul Gaultier, que criou um modelo para a cantora Madonna utilizar em sua turnê Blond Ambition, com cones nos seios que fizeram da peça um símbolo de empoderamento feminino. Depois disso, o espartilho foi visto diversas vezes nas coleções de Jean-Paul, Miuccia Prada, Gianni Versace e diversos outros estilistas renomados, cada um reinventando o espartilho de sua maneira. 

madonna espartilho
Madonna. | Foto: Reprodução.

Atualmente, a narrativa negativa do espartilho teve uma nova onda, desta vez com o surgimento de séries de época, em destaque Bridgerton, que logo em seu primeiro episódio retrata uma personagem desmaiando por ter apertado demais seu espartilho – algo impossível de acontecer na época da série, já que apenas o ilhós de ferro davam a possibilidade de apertar um espartilho de tal maneira, e ele ainda não tinha sido inventado – e reacendendo comentários equivocados sobre a tortura e prisão dos espartilhos. 

Bridgerton
Espartilho na série Bridgerton. | Foto: Reprodução.

Mesmo assim, a peça mais uma vez ficou sob os holofotes, no chamado Regencycore – nome dado ao estilo que utiliza elementos da época da Regência Britânica, retratada em Bridgerton – que teve seu momento de destaque nas redes sociais, em especial o Tiktok. Desde janeiro, buscas por espartilhos triplicaram em sites de compras, tornando-o novamente um hit, visto em cliques de street style o tempo todo e usado por fashionistas que vão de Kim Kardashian a Bella Hadid, provando que não importa o que aconteça, o espartilho sempre encontrará seu caminho de volta. 

Kim Kardashian
Kim Kardashian e Bella Hadid com a peça. | Foto: Reprodução.

No fim do dia, considerar o uso do espartilho como torturante e até mesmo letal hoje, é o mesmo que considerar que todas as mulheres que hoje usam saltos altos usam modelos extremamente altos e desconfortáveis. Acontece, mas não é o mais comum. Aliás, como qualquer outra vestimenta, o espartilho foi usado, vivido e moldado aos costumes de cada época, desenvolvendo seus materiais, seus significados e tornando-se uma peça símbolo de feminilidade, sensualidade e, por que não, de liberdade? 

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Por João Ponciano – Fala! Anhembi

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