Entenda o que há por trás do possível banimento do TikTok nos EUA
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Entenda o que há por trás do possível banimento do TikTok nos EUA

Entenda o que há por trás do possível banimento do TikTok nos EUA

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Além de roubo de dados, a disputa e o desgaste político também ameaçam o aplicativo chinês TikTok

No dia 6 de julho, Mike Pompeo, secretário de estado norte-americano, afirmou que o governo Trump estuda banir o TikTok, que pertence à empresa chinesa ByteDate. Segundo Pompeo, o possível banimento do aplicativo visa proteger dados de cidadãos dos Estados Unidos. Entretanto, motivos políticos, em especial, a desgastada relação diplomática entre os países pode influenciar a decisão de proibir o aplicativo.

De acordo com a declaração de Mike Pompeo, a ByteDate estaria repassando informações dos usuários do TikTok para o governo chinês.  “Não quero passar na frente do presidente [Donald Trump], mas é algo que estamos considerando”. Mike Pompeo também disse que as pessoas só devem optar por usar o TikTok “se quiserem suas informações pessoais nas mãos do Partido Comunista Chinês”.

Em sua defesa, o TikTok ressaltou que atua de forma independente do governo chinês e que suas centrais de dados não estão na China, por isso, não respondem às leis chinesas. Os porta-vozes da empresa afirmaram que o TikTok, assim como outros, “seus outros aplicativos atuam em mercados, usuários, conteúdos, equipes e políticas” diferentes da China.

A empresa tem tentando se afastar do governo chinês. Por esse motivo, o aplicativo anunciou que irá parar de operar em Hong Kong, como retaliação à nova lei de segurança imposta pela China. Como estratégia, a BiteDate contratou como diretor executivo Kevin Mayer, que antes era chefe da divisão de streaming da Disney.

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O TikTok pode ainda ser banido dos EUA. | Foto: Reprodução.

Popularidade do TikTok

Desde o início de 2019, o TikTok está entre os aplicativos mais baixados. Os Estados Unidos é o segundo país com maior número de downloads do aplicativo chinês, ficando atrás apenas da Índia, que já baniu o aplicativo. Já o Brasil, ocupa o quinto lugar em downloads do aplicativo. Na China, o TikTok somente está disponível como Douyin, um aplicativo semelhante, mas com algumas restrições.

Em todo o mundo, o número estimado downloads do TikTok é de dois bilhões e 800 milhões de usuários ativos. Em abril, a Sensor Tower disse que o TikTok bateu recorde de aplicativo mais baixado em um trimestre da história, com 2 bilhões de downloads.

TikTok e o roubo de dados

A preocupação dos Estados Unidos com o aplicativo não é recente. Desde o ano passado, há denúncias a respeito da política de privacidade do aplicativo chinês, o que fez com que senadores do país pedissem uma investigação detalhada sobre o TikTok. Como justificativa, os senadores afirmaram preocupação quanto à segurança nacional. 

O aplicativo tem um dos problemas históricos em sua política de proteção e privacidade. No começo de 2020, uma empresa de segurança digital descobriu algumas falhas, posteriormente resolvidas, que facilitavam o acesso de hackers aos dados de usuários e ao controle de contas de terceiros.

Além disso, o lançamento do novo sistema operacional da Apple escancarou mais uma falha de segurança do TikTok e de outros aplicativos. A versão beta do iOS 14 mostra o momento em que um aplicativo acessa a área de transferência do celular, onde é guardado o texto cópia para, depois, ser colado. 

Contudo, o aplicativo chinês era um dos aplicativos que não tinham a permissão do usuário para tal ação. Investigações foram realizadas e conluiaram que o aplicativo, apenas lia a informação sem armazená-las. O TikTok se defendeu, dizendo que o intuito era evitar posts de spam repetitivos e também acabou com o recurso.

Especialistas independentes confirmaram que o TikTok coleta informações de seus usuários. No entanto, esse é um argumento frágil para a sua proibição. Visto que muitos aplicativos, inclusive norte-americanos, como o Facebook, tem o mesmo comportamento, além de todos os dados coletados e seus fins serem citados nos termos de uso do aplicativo chinês.

Entre os dados coletados pelo TikTok estão quais vídeos são assistidos e comentados, dados de localização, modelo de telefone e sistema operacional usado e até o ritmo de digitação dos usuários ao usar as teclas.

Desgaste diplomático 

Trump e Xi Jinping
O desgaste diplomático entre Trump e Xi Jinping está por trás do possível banimento do TikTok nos EUA. | Foto: Reprodução.

Guerra comercial

2018 e 2019 foram marcados pela tensão entre as duas maiores economias mundiais. A guerra comercial entre a China e os Estados Unidos começou, quando Trump aumentou a tarifa de produtos chineses para tentar proteger os produtores norte-americanos e reverter o déficit comercial com os chineses.

Como resposta, o governo de Xi Jinping também aumentou a tarifa de produtos norte-americanos. Após negociações, aparentemente, os dois países entraram em um consenso. Mas a disputa e tensões entre China e Estados Unidos não deixaram de existir e acabaram ficando ainda mais evidentes na pandemia.

Pandemia de Covid-19

Donald Trump chegou a dar várias declarações hostis em relação ao país onde o novo coronavírus surgiu. O tom adotado pelo presidente norte-americano, muitas vezes, foi de culpabilização da China. 

O atual governo dos Estados Unidos também anunciou, no dia 7 julho, a sua saída da OMS. De acordo com Trump, a organização foi pressionada pela China para dar “direcionamentos errados”.

Trump também afirmou, em maio, que “O mundo está sofrendo agora como resultado dos malfeitos do governo chinês”. No mesmo mês, ele voltou a fazer duras crítica ao combate da Covid-19, acusando a China de ser responsável por um “massacre mundial”. 

Moeda eleitoral 

Medidas mais agressivas contra a China agradam o eleitorado de Trump, que mira a sua reeleição. Com isso, atritos com o país comunista, que tem crescido na economia e geopolítica global, ajudam o atual presidente a agradar sua base eleitoral mais conservadora e protecionista. 

Nesse ano, o governo Trump passou por imprevistos que irão impactar em sua candidatura. A pandemia abalou gravemente a economia norte-americano, a onda de protestos antirracistas também deve afetar a reeleição de Trump. 

Todavia, se John Biden assumir, concorrente democrata para próxima eleição presidencial, a postura da Casa Branca em relação aos chineses não pode se flexibilizar. Isso porque o setor tecnológico, atualmente, é estratégico, por isso, o protecionismo em relação a ele não deve diminuir e a relação de Biden com Xi Jinping, desde a época em que ambos eram vice-presidentes de seus países, nunca foi das melhores.

Republicanos e democratas concordam quanto ao TikTok

Em maio, algumas organizações de segurança digital e proteção infantil, como o Center for Digital Democracy e a Campaign for a Commercial Free Childhood, entraram com uma queixa na FTC (Federal Trade Comission). 

Para as organizações, o TikTok violou um decreto de consentimento e uma lei que protege a privacidade das crianças na internet, pois a empresa não retirou do ar todos os vídeos feitos por crianças menores de 13 anos, como é previsto pela FTC em fevereiro de 2019. O TikTok teve que pagar uma multa de US$ 5,7 milhões. 

Após a queixa, congressistas democratas enviaram uma carta a Joseph Simmons, presidente da FTC, que detalhava  as falhas do TikTok em proteger a privacidade infantil do aplicativo. Ambos partidos adversários,  o republicano de Trump e democrata de Biden, concordaram sobre o TikTok ser um risco à segurança do país.

Fechamento de consulados 

A mais recente disputa política entre China e Estados Unidos foi a decisão do governo norte-americano de fechar o consulado chinês em Houston, no Texas. A ordem de fechamento foi determinada no dia 22 de julho, após denúncias de que hacker chineses tentaram roubar dados sobre a vacina para a Covid-19.

No mesmo dia, a porta-voz do departamento de Estado, Morgan Ortagus, durante uma visita do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Copenhague, afirmou que “Ordenamos o fechamento do consulado da República Popular da China em Houston para proteger a propriedade intelectual americana e a informação privada dos cidadãos”.

A porta-voz fez mais declarações sobre o assunto à imprensa. “Os Estados Unidos não vão tolerar qualquer violação da nossa soberania, nem intimidação do nosso povo por parte da China, como tampouco toleramos as práticas comerciais injustas, o roubo dos empregos americanos e outros comportamentos.”. Nesse sentido, no dia 23 de julho, Mike Pompeo caracterizou o consulado chinês como “um centro de espionagem chinesa”.

Em retaliação à atitude de fechamento do consulado, a China anunciou poucas horas antes de terminar o prazo dado por Washington para que o governo chinês encerrasse a sua missão diplomática em Houston, o fechamento do consulado dos Estados Unidos em Chengdu, no sudoeste do país.

Sobre a decisão, um comunicado do Ministério das Relações Exteriores da China ressaltou que foi uma resposta aos Estados Unidos. “Uma resposta legítima e necessária às medidas irracionais dos EUA”. 

A escolha do governo chinês de fechar o consulado americano de Chengdu foi devido a essa representação diplomática norte-americana ser a mais próxima da metrópole de Chongqing, importante centro industrial e estratégico comercialmente para a China.

Os Estados Unidos não são os únicos

A Índia proibiu o TikTok e quase outros 60 aplicativos chineses de atuar no país. O governo indiano alegou que os aplicativos são “prejudiciais à soberania, integridade e defesa da Índia, segurança do Estado e ordem pública”. O banimentos dos aplicativos chineses ocorreu após um conflito na fronteira, no início de julho, em que 20 militares indianos foram mortos.

Em uma nota de resposta, a ByteDance ressaltou o compromisso da empresa com a segurança do usuário e o seu compromisso com a Índia. Na carta de 28 de junho para o governo indiano, o presidente-executivo do TikTok, Kevin Mayer, reafirmou a posição da empresa, dizendo que o governo de Xi Jinping nunca solicitou dados de usuários, e se solicitasse, a empresa não os entregaria.

A Austrália, que também proibiu o aplicativo, tem uma complicada relação diplomática com a China. No entanto, segundo o governo do país, a medida é devido à segurança.

O país, que criticou e acusou o chinês de censurar informações sobre o novo coronavírus, lidera um esforço para que seja feita uma investigação independente sobre a resposta da China à Covid-19. Além disso, tanto a China como a Austrália embutiram uma a outra maiores taxas de importações.

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Por Camila Nascimento – Fala! Cásper

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