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Eleição é um Negócio Complicado

Eleição é um Negócio Complicado

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Neste ano, fui em diversas palestras do Haddad antes de apoiar sua candidatura, e de tudo que aprendi, o mais relevante foi perceber que o discurso de críticas feitas a ele nas redes sociais eram extremamente rasos. Em um dos eventos, na FAU-USP, até excluíram da minha cabeça muitos boatos, com perguntas incisivas e duras, como o papo de Indústria da Multa e outras fantasias.

Haddad era, de fato, uma carta fora do baralho petista. Evitava usar a estrela do partido, pronunciar a palavra ‘’golpe’’ ou até usar a cor vermelha nas campanhas.

O terremoto causado pela Lava-Jato, as prisões petistas às vésperas da eleição, as manifestações e a alta demanda de condições básicas de vida (responsabilidade de outras esferas do Executivo, também) fizeram o país surfar na onda do conservadorismo e o forçaram a tomar essas atitudes. Isso refletiu em sua campanha, perdeu votos da periferia, do cinturão vermelho, área de segurança do PT. De 72 prefeituras conquistadas na última eleição, os petistas, dessa vez, ficaram com 8. Haddad está no partido errado, na hora errada.

Dos acontecimentos engraçados dessa eleição – além do presidente do país indo votar de forma abstrusa com medo de manifestações – tivemos candidatos estufando o peito para afirmar que detinha qualquer qualificação profissional, menos Político, foi o novo surto. Como se as chapas da prefeitura tivessem chego em suas casas como um convite para Hogwarts. A rejeição tornou-se algo tão eminente que reconhecer-se como político já é motivo de escárnio.

O alívio é saber que ainda temos uma democracia e, se o PMDB não mudar de ideia no meio do caminho, temos um novo gestor municipal. A principal surpresa, pasme, não é a eleição de um tucano – que mesmo desconfiando, aguardo um bom mandato. Mas, sim, o ódio inocente e infantil daqueles que votam em qualquer um para ver uma derrota do Partido dos Trabalhadores em qualquer área do país. Cólera que se torna cada vez mais escancarada.

Tanta coisa para expor que, infelizmente, não cabe aqui. A parte principal desse enredo, amigo, é que na somatória da votação paulistana, Dória ficou em segundo lugar. Em primeiro está o candidato ‘’Ninguém’’. A soma de votos brancos, nulos e abstenções triunfou nessa eleição.

Por isso, se você continua odiando apenas um partido e, às vezes, uma pessoa; se você continua atribuindo o título de ‘’petista’’ ou ‘’coxinha’’ a todos que divergem dos seus pensamentos; se você explana teorias sem sentido e discute usando Caps Lock – faça um favor a todos nós, não fale sobre política, procure um psicólogo. E procure ler um pouco mais. Já vivemos uma guerra civil-partidária tosca, com debates rasos e pouca informação válida. Não ajude a semear essa sua ignorância.

Dentre todas essas mazelas presentes no Brasil, as cidades e o país têm cada vez mais dificuldades em escolher alguém que represente a maioria da população. São Paulo tem sérios problemas a resolver. E lembra até um mantra da minha mãe: não adianta falar, precisa apanhar pra aprender.

Por: Leonardo Martins – Fala! Cásper

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