Dia Internacional da Educação: desafios da Educação em tempos de pandemia
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Dia Internacional da Educação: desafios da Educação em tempos de pandemia

Dia Internacional da Educação: desafios da Educação em tempos de pandemia

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A educação é um dos setores mais essenciais de uma sociedade. Sendo assim, além de ser um direito humano, é um dever que garante a cidadania de uma pessoa em um determinado contexto. Hoje, dia 28 de abril, celebra-se o Dia Internacional da Educação. Presente há mais de vinte anos, o dia pretende discutir a importância do direito, assim como relembrar suas metas, a exemplo da alfabetização.

Em meio à epidemia do novo coronavírus, que assola o mundo desde março de 2020, falar sobre a temática é ainda mais importante. Com a paralisação de atividades e escolas para evitar o contágio em massa pelo vírus, novos modelos surgiram a fim de adaptar o ensino perante a adversidade.

No entanto, antes de entender os impactos da pandemia da Covid-19 e os desafios para um momento posterior a ela, saiba mais sobre o Dia Internacional da Educação e por que sua celebração acontece nesta quarta-feira.

Educação
A educação sofreu grandes transformações com a Covid-19. | Foto: Reprodução.

Dia Internacional da Educação

O Dia Internacional da Educação é comemorado no dia 28 de abril. A comemoração veio após o Fórum Mundial de Educação de Dakar, ocorrido no Senegal em 2000, que estabeleceu uma agenda para a educação básica. Assim, 164 nações assinaram o “Marco de ação de Dakar, educação para todos: cumprindo nossos compromissos coletivos”.

De acordo com o documento, seis metas deveriam ser cumpridas até 2015. Isso porque, à época, 20% da população era analfabeta – cerca de 880 milhões de adultos. Além do mais, contabilizavam-se 113 milhões de jovens não escolarizados, sendo a maior parte de nações periféricas, também chamadas de países em desenvolvimento.

Apesar de ser celebrada em abril, a Organização das Nações Unidas (ONU) não reconhece a data como oficial. Ou seja, o dia nunca chegou a ser decretado pela Assembleia Geral da organização. Mesmo assim, isso não impediu que muitos comemorassem a data.

Metas para a educação

Na declaração do Fórum Mundial de Educação de Dakar, há seis principais metas. Com relação à criança pequena, o documento sinaliza a necessidade de ampliar e melhorar a educação, principalmente em casos de defasagem ou vulnerabilidade. Ainda no quesito infantil, estabelece a necessidade de assegurar o ensino primário a todos, de modo que seja gratuito, obrigatório e de boa qualidade.

No tocante aos jovens e adultos, a declaração salienta a importância da aprendizagem e da formação da cidadania. Além disso, reforça o objetivo de atingir uma melhoria de, pelo menos, 50% nos índices de alfabetização e o acesso à educação básica e continuada.

Ainda, objetiva extinguir as diferenças de gênero nos ensinos primário e secundário, visando alcançar a igualdade entre eles. E, por fim, almeja melhorar a qualidade da educação e garantir resultados positivos na alfabetização e nas habilidades essenciais, assim como a matemática.

Por mais que as metas tivessem um prazo a serem cumpridas – 15 anos após o fórum -, nem todas atingiram o desejado. No “Relatório de Monumento Global EPT — Educação para Todos“, a ONU apresentou os resultados e as possíveis melhorias. No entanto, o processo contou com grandes avanços. Estimou-se que 34 milhões de crianças a mais frequentaram a escola devido às metas de Dakar, conforme o documento. Por outro lado, a desigualdade também aumentou e permitiu que pobres fossem mais prejudicados pela falta de inclusão.

No Brasil, entre 2014 e 2018, o investimento em educação diminuiu 56% – passando de R$ 11,3 bilhões para R$ 4,9 bilhões. Na contramão, um estudo Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostra que Luxemburgo e Áustria lideram o ranking de maior gasto anual na educação básica por aluno, enquanto que, na América Latina, Chile e Argentina se destacam, o Brasil posicionando-se em seguida (investindo US$ 4.500).

Dia Internacional da Educação
Aulas remotas na pandemia. | Foto: Shutterstock.

Desafios e métodos de ensino na pandemia

Com a pandemia do coronavírus, o mundo paralisou. Em meio à presença de um vírus desconhecido, todos os setores sofreram impactos e tiveram de se adaptar à nova realidade. Assim, com a educação não foi diferente. Desde ensino básico a superior, as aulas presenciais passaram a ser remotas. Por meio de plataformas on-line, alunos conseguiram ter acesso aos conteúdo das aulas.

O ambiente acadêmico digital tornou-se mundial. Com o passar do tempo e o combate à Covid-19, alguns países elaboraram planos de retomada à educação presencial em setembro de 2020. Dentre os países que tiveram melhor desempenho no processo, destacam-se Alemanha, Nova Zelândia, China, França e Dinamarca. Com relação à volta, todos fizeram um retorno em fases, aplicaram políticas específicas para aqueles que faziam parte do grupo de risco, implementaram medidas sanitárias de acordo com profissionais da saúde e tiveram uma comunicação transparente com o governo.

O Brasil também teve sua retomada de atividades, a partir do mês de outubro, com muitas dúvidas sobre o processo. Escolas, assim como governos estaduais e municipais, tiveram que elaborar suas próprias retomadas, visto que o Ministério da Educação (MEC) foi ausente em várias ocasiões. Em contrapartida, a volta do comércio teve maior planejamento por parte do governo. “É muito preocupante a gente viver em uma sociedade que prefere bares, shoppings e restaurantes abertos e escolas fechadas”, concluiu a fundadora da Vozes da Educação, Carolina Campos, em entrevista ao Correio Braziliense.

A ausência da aula presencial não só mudou a rotina das populações, como colocou em xeque a eficiência do método on-line. No território brasileiro, a dificuldade do acesso à internet (30% dos domicílios não têm) foi um dos desafios, principalmente na educação pública. Dessa maneira, a desigualdade de renda também foi determinante para uma disparidade no acesso ao ensino.

Barreiras do pós-pandemia

A retomada presencial e as modificações sanitárias para a volta são algumas das barreiras pós-pandemia. Em uma perspectiva mundial, a aprendizagem deverá ser retomada para que a queda nos níveis de alfabetização não seja tão expressiva.

No caso brasileiro, as barreiras na educação já existiam. “A defasagem sobre a questão do aprendizado e da leitura já é uma realidade há um bom tempo; a pandemia acabou por escancarar e maximizar tal problema”, confirmou a pedagoga Daniele Ferreira Giordano. Já a educadora Walkiria Rigolon, acredita que o momento pode ser determinante para a mudança na estrutura das escolas e do ensino.

A gente precisa mudar esse modelo de escola. Mas para mudar a escola, tem que investir na formação de professores, essa é uma parte muito importante, mas a gente precisa que políticas públicas também garantam um maior investimento nas escolas.

Ressaltou Rigolon.

Olhando para a educação infantil, a fonoaudióloga Diana Faria pensa que não só deverá existir uma reformulação da escola, mas também dos métodos de ensino no país. “O foco é entender qual foi a defasagem que essa criança teve e trabalhar com isso. Então, não olhar para a série [escolar], mas olhar para o desenvolvimento; esse vai ser o desafio e a chave para o sucesso da aprendizagem”.

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Por Isabela Cagliari – Redação Fala!

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