Cadastre-se e tenha acesso a conteúdos exclusivos!
Quero me cadastrar!
Menu & Busca
Democracia em Vertigem – leia a crítica do filme

Democracia em Vertigem – leia a crítica do filme

Democracia em Vertigem, um documentário brasileiro recém-lançado pela Netflix, aborda a polarização política instaurada no Brasil desde o mandato de Luís Inácio Lula da Silva até o atual governo de Jair Bolsonaro.

“Temo que a nossa democracia tenha sido apenas um sonho efêmero”. É com esta frase que se inicia o documentário brasileiro Democracia em Vertigem narrado e dirigido pela atriz Petra Costa. Sem qualquer enrolação, a produção dá o start na história da política brasileira apresentando um trabalhador que comandou a Greve do Sindicato Metalúrgicos do ABC em 1979, cujo qual era conhecido como Lula, que seria candidato à presidência da república pela primeira vez em 1989, pelo partido que ele mesmo fundou, o Partido dos Trabalhadores (PT). 

A produção narra toda a história até o primeiro mandato de Lula em 2003, passando por sua reeleição em 2006, a posse de Dilma Rousseff em 2011, a chegada de Temer em 2016 e a eleição de Bolsonaro em 2018.

Democracia em Vertigem: o balanço entre a mentira e a verdade

Com uma sequência de vídeos, a história do documentário é montada. Uma seleção de mão cheia que apresenta desde vídeos caseiros até entrevistas exclusivas com políticos brasileiros e a mãe da narradora. Petra utiliza-se de exemplos fáceis para explicar o caos: sua família e ela mesma, sempre apontando, quando necessário, seus posicionamentos.

A produção possui, ainda, uma sonoplastia que casa perfeitamente com as imagens e, claro, a voz suave e articulada da locutora, que contribui não só para o esclarecimento de casos como para trazer uma angústia e emoção ao telespectador durante a exibição do longa.

O ponto alto da produção é a abordagem do Impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e o pedido de prisão de, também ex-presidente, Lula. Somos imersos outra vez no caos instaurado no território brasileiro em 2016. De um lado, vestidos de verde e amarelo, os apoiadores do ato. Do outro, aos vários tons de vermelho, aqueles que eram contrários ao golpe.

Um jogo é proposto ao espectador. Ao rever cenas, entrevistas e conversas por telefone o público pode repensar suas opiniões sobre os ocorridos e tirar novas conclusões. Questionamentos surgem e  o documentário cumpre seu papel em trazer uma reflexão para o público, deixando em suas mãos a decisão sobre o quê ou em quem deve acreditar.

Contudo, é necessária disposição mental para assisti-lo, uma vez que trata-se de um documentário político e uma abordagem apartidária não é o principal do longa-metragem. Por isso, aqueles que não concordam com o posicionamento exposto tendem a não gostar da produção.

Importante ressaltar que com isso, mais uma vez, explicita-se a polarização política existente no país e a dificuldade popular de furar bolhas sociais, e aceitar posicionamentos antagônicos.

É uma produção de excelência ao relembrar o público fatos que aconteceram e que foram esquecidos, mas que são necessários para entender o momento político atual e ajudar a formar a opinião dos telespectadores, cumprindo seu papel midiático.

O filme é perfeito para quem tenha, talvez, sentindo-se perdido nesses anos conturbados, que o Brasil enfrentou e enfrenta, capazes de provocar vertigem em cada cidadão do país (todos rs) e, também, para aqueles que não acompanharam ou não entenderam nada do que aconteceu nessa avalanche de mentiras faladas e criadas, corrupção comprovada ou, até mesmo, inventada, e uma polarização política ultrapassada, mas instaurada em cada vírgula do Senado, da população e do país.

FICHA TÉCNICA

Título: Democracia em vertigem
Direção: Petra Costa
Estreia: 19 de junho de 2019
Duração: 113 minutos
Classificação: 12 anos

_________________________________________
Crítica por Lívia Marques – Fala! Cásper

0 Comentários

Tags mais acessadas