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David Bowie – a morte e a arte do artista.

David Bowie – a morte e a arte do artista.

O mundo chocou-se com a partida de David Bowie, no penúltimo domingo dia 10 de Janeiro de 2016, desencadeando uma série de manifestações sobre a imagem daquele que ficou conhecido como o “Camaleão do Rock”, seja por conta de sua aparência andrógena, seja pelo fato dele ter uma característica essencial a todos aqueles que são tratados como grandes estrelas da música mundial – a capacidade de se reinventar musicalmente ao passar dos anos, permeando suas canções com características que vão do glam rock ao folk. Por mérito desse ecletismo, suas criações foram alvo de samples por mais de 120 músicas nos mais variados gêneros, concluindo assim a importância de Bowie dentro da música global e no próprio rock.

NA MÚSICA

O primeiro êxito global surge em 1969, no álbum homônimo que conta com um de seus maiores sucessos, Space Oddity, composição esta que é inspirada no filme 2001: A Space Odyssey de Stanley Kubrick e que nos apresenta ao emblemático Major Tom, alter ego de Bowie que tem sua epopeia retratada em músicas posteriores como Ashes to Ashes.

O álbum seguinte de Bowie, The Man Who Sold the World, demonstra bem a sua qualidade com relação a utilização de vários elementos de diferentes vertentes musicais em suas composições, se aproximando do Hard Rock em muitas das músicas presentes nessa coletânea.

Em Hunky Dory, o camaleão mostra novamente sua inclinação pela androgenia retratada pela capa do álbum, esse que é considerado pela revista Times como um dos “100 melhores álbuns de todos os tempos”, e que teve seu devido valor perante o público em geral apenas após o lançamento da coletânea subsequente de Bowie, ainda hoje considerado sua maior obra.

Utilizando-se dos arquétipos que representam uma estrela do rock, Bowie consagra seu personagem mais famoso no álbum The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars. Ziggy é retratado como um extraterrestre que contém todos os estigmas atribuídos ao inglês durante sua carreira, como a ambiguidade em volta de sua sexualidade estimulada por jornalistas invasivos, o abuso de drogas por parte do mesmo (já sinalizado anteriormente com Major Tom) e o assédio por conta da fama, que acabam por tornar o extraterrestre depressivo, uma representação de todos os sentimentos de David durante os anos 70.

NO TEATRO E NO CINEMA

Curiosamente, o primeiro papel como ator principal de Bowie foi justamente retratando um alienígena, em The Man Who Fell to Earth, filme de 1976 do diretor Nic Roeg.

Em 1979 fez o papel principal em Just a Gigolo, produzido por David Hemmings. No filme, o personagem de Bowie se chama Paul von Pryzgodski, um oficial prussiano que ao voltar da Primeira Guerra Mundial conhece Baronesa, personagem que ganha vida por meio da atuação de Marlene Drietrich, que o convida para ser gigolô em seu bordel.

Se aventurou também pelo teatro, sendo muito elogiado por sua atuação na peça O Homem Elefante, em cartaz na Broadway de 1980 a 1981.

Atuou ainda no filme O Grande Truque, êxito comercial em 2006, no papel de Nikola Tesla. O filme ainda conta com estrelas de Hollywood como Christian Bale e Hugh Jackman, dirigido pelo conceituado diretor Christopher Nolan.

Mas a importância deste londrino não cessa apenas na música e no cinema, por se tratar de um dos poucos artistas que enfrenta assuntos tratados como tabu pela sociedade, e por sempre se colocar como pivô em causas humanitárias.
Por meio de suas obras, Bowie coloca assuntos velados no centro da discussão nos anos 70, como a transexualidade e a homossexualidade, sendo que o último era considerado crime na Inglaterra até 1967, e talvez não teria tanto enfoque se não fosse pelo trabalho e ativismo de David.

Além disso, firmou-se como grande filantropo, tendo sido um dos pivôs da série de concertos Live Aid em 1985, que visava arrecadar fundos para a pesquisa sobre a AIDS, sem falar na longa lista de instituições de caridade que Bowie estava vinculado, como o Food Band For New York City e Save the Children.

David Bowie deve ser sempre lembrado como alguém que lutou contra padrões impostos, tanto pela indústria musical quanto pela sociedade, e nada sintetiza de maneira mais clara tal afirmação do que uma frase descrita por David Buckley, biógrafo de Bowie, sobre as diversas declarações sobre sua sexualidade, por vezes se declarando bissexual, doutras desmentindo o fato:
“talvez seja verdade que Bowie nunca foi gay, e nem sempre foi um bissexual ativo… O que ele fez, de vez em quando, foi experimentar de tempos em tempos, mesmo que sob o intuito de curiosidade e ingenuidade e de ser transgressivo, antinormativo”.

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Por: Rafael Palma – Fala!M.A.C.K.

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