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Daniel Alves e a crise da lateral-direita brasileira

Daniel Alves e a crise da lateral-direita brasileira

Por Natanael Oliveira – Fala!PUC

A grave lesão sofrida pelo lateral-direito do PSG não é só preocupante para a Copa do Mundo, mas também é o início de 
uma discussão sobre futuro da posição na seleção brasileira

 

Dono da posição.

Dia oito de maio, final da Copa da França, o todo poderoso Paris Saint-Germain contra o surpreendente time do Les Herbiers, equipe participante da terceira divisão do escalão francês de futebol. Uma vitória por dois a zero sem grandes dificuldades para o grande favorito da partida e da competição: o PSG, gols do argentino Lo Celso e do uruguaio Cavani. Tudo estava acontecendo de maneira perfeita, afinal, estava sendo conquistado (e foi) o quarto título do time parisiense na temporada, quando aos quarenta e dois minutos do segundo tempo do jogo, Daniel Alves sentiu um incomodo no joelho direito e precisou ser substituído, dando seu lugar para o belga Thomas Meunier.

O que poderia ser apenas uma simples dor localizada, se tornou algo muito mais preocupante com os exames preliminares feitos pelos médicos do clube francês, constatando uma grave lesão no ligamento do joelho direito que descarta a participação do brasileiro na que seria sua provável última Copa do Mundo.

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Daniel Alves, desde o seu início arrasador no Sevilla, até a glória e consolidação como o melhor lateral-direito do mundo no Barcelona, sempre foi uma unanimidade da posição na seleção canarinho, acumulando números impressionantes, como mais de cem partidas jogadas pelo Brasil, além de um bicampeonato da Copa das Confederações em 2009 e 2013, e uma Copa América conquistada em 2007, criando assim uma dinastia que faz jus a tradição brasileira de laterais donos da posição, como foi o bicampeão mundial Cafu, dono do recorde de maior número de jogos pela seleção com impressionantes 149 partidas, o lendário Djalma Santos, campeão da Copa do Mundo pelo Brasil em 1958 e considerado por muitos como o melhor lateral-direito da história do futebol, e Carlos Alberto Torres, o Capita, tricampeão mundial em 1970.

Lenda.

 

A preocupação com o lateral do PSG vai muito além da qualidade técnica e a experiência necessária e imprescindível em uma competição como a Copa do Mundo, mas ela também advém da falta de substitutos que mantenham a mesma qualidade da equipe de Tite trazida pelo Daniel Alves. A dupla convocada por Tite para a Copa do Mundo é formada por Danilo, reserva do inconstante Kyle Walker no Manchester City de Guardiola, e o corintiano Fagner, além de ter o eterno reserva do Bayern de Munique, Rafinha, provavelmente entrando entre os doze nomes na lista de suplentes, caso aconteça algum imprevisto com os vinte e três convocados.

Os dois laterais convocados e substitutos do jogador do Paris Saint-Germain estão longe de serem unanimidades entre os torcedores brasileiros. Danilo vem de duas temporadas em que não jogou bem por Real Madrid e Manchester City, colocando em dúvida a sua qualidade técnica e se realmente pode jogar a Copa como titular da seleção. Fagner, do Corinthians, apesar de ser um dos melhores da posição no Brasil, sempre foi mais famoso pelo seu temperamento esquentado, o que também poderia prejudicar a equipe de Tite em partidas mais nervosas. Rafinha, do Bayern, praticamente não tem familiaridade nenhuma com camisa da seleção, além de ser mais conhecido como o eterno reserva do já aposentado Philipp Lahm, e atualmente de Joshua Kimmich.

Futuro da posição? Bruno Domingos/MowaPress

A preocupação se estende muito mais do que para a Copa na Rússia, mas também para o futuro da lateral-direita, já que Daniel Alves iria para a sua última participação na competição, carregando na bagagem os seus 35 anos. Fagner, com 28 anos atualmente, terá 32 na próxima Copa, no Qatar, e o único que poderia ter uma carreira mais longeva nessa posição carente seria Danilo, de 26 anos, que não consegue se provar em nenhuma grande equipe do futebol europeu.

A posição que já foi comandada por lendas da seleção brasileira, hoje sofre para achar substitutos a altura, e não vemos nenhuma “luz no fim do túnel” quanto a isso, já que no futebol nacional não estamos revelando jogadores que sejam capazes de vestir e jogar em alto nível pela Amarelinha.

Os prognósticos indicam que poderemos viver tempos difíceis na lateral-direita brasileira, a não ser que surpreendentemente surja um grande fenômeno da posição nos próximos anos, ou que os atualmente convocados joguem como nunca antes. Aguardemos cenas dos próximos capítulos.

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