Curta-metragem: 5 produções nacionais que você precisa conhecer
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Curta-metragem: 5 produções nacionais que você precisa conhecer

Curta-metragem: 5 produções nacionais que você precisa conhecer

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Conheça as melhores produções de curta-metragem do cinema brasileiro, uma opção à falta de tempo para filmes longos

Curta-metragem é uma ótima opção para você que dispõe de pouco tempo – ou paciência – para assistir a filmes com as tradicionais durações de duas horas. Raramente, passando de 30 minutos, o curta é uma das melhores pedidas para o entretenimento rápido.

Além disso, para aspirantes à cineasta que desejam iniciar a atuação profissional, um curta pode ser uma boa maneira de colocar seus conhecimentos e suas ideias em prática. Assim, temos também um jeito acessível de conhecer novos diretores.

5 produções em curta-metragem com destaque atemporal

E para os amantes da sétima arte, o site Portacurtas.org.br possui um grande acervo de curtas-metragens brasileiros, alguns dos citados aqui estarão disponíveis neste portal, e também podem ser encontrados no YouTube com uma infinidade de conteúdo para todos os gostos.

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Curta-metragem: cinco produções nacionais importantes. | Foto: Montagem/Reprodução.

1. O Porto de Santos (1978) – um curta-metragem da década de 70

Aloysio Raulino, um dos melhores diretores de curtas-metragens brasileiros, tem um olhar sensível e consegue captar a beleza nas coisas mais simples. Além disso, ele mantém um estilo de denúncia das situações mais precárias. Nessa produção, não poderia ser diferente.

O Porto de Santos é um dos mais importantes registros dessa cidade na década de 70. Retrata o cotidiano dos trabalhadores das docas do porto, a vida dos caiçaras e as noites agitadas, repletas de luzes, músicas e boemia.

Reúne imagens belíssimas das paisagens e dos navios. Além de ter o som como um de seus grandes alicerces, caracteristicamente diegético, possui apenas uma pequena narração de contexto no começo. O diretor, porém, ainda tem seu nome subestimado atualmente.

2. Entre Paredes (2004)

Ciúme, paranoia, culpa. São as três palavras que melhor definem essa obra impressionante de Eric Laurence. Um casal de trabalhadores no meio da floresta mostra o que a mente humana pode fazer sob o domínio desses sentimentos.

O filme não tem diálogos e em nenhum momento você sente falta deles, no decorrer da trama. Isso acaba sendo compensado pelo talento dos atores, dando mais destaque para as emoções mostradas na tela.

Cenas noturnas não são tão simples de fazer, mas nessa produção elas aparecem de forma excepcional. Esse curta é a prova cabal do que pode fazer a combinação de um bom roteiro, uma boa fotografia e uma boa atuação. É um suspense angustiante e verdadeiro, que prende o expectador do início ao fim. Você pode assisti-lo no site Portacurtas.org.br.

3. Manhã Cinzenta (1969)

Em um país fictício da América latina, um casal de estudantes é detido pelo regime autoritário que governa a nação. Dirigido por Olney São Paulo, foi de grande coragem lançar uma crítica direta à ditadura que assolou o Brasil nesse período.

A obra chegou a ser confiscada pelo governo, mas uma cópia foi projetada durante um voou sequestrado pelo Movimento Revolucionário Oito de Outubro, o que levou Olney a ser perseguido, preso e torturado. Esse é um curta-metragem que retrata com maestria os horrores dessa época. Além disso, é um dos preferidos de Glauber Rocha, um dos mais emblemáticos diretores do Cinema Novo.

Possui uma montagem não linear (ou caleidoscópica, nas palavras do próprio Glauber), lembrando muito os filmes do diretor Tarantino, embora tenha sido feito bem antes do seu nascimento. Há também, uma forte influência do neorrealismo italiano.

Por muito tempo esse filme não via a luz do sol, só restou duas cópias que foram restauradas em 1994 pela Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. O curta-metragem permanece sendo um dos mais significativos da resistência à ditadura militar no país e possui uma mensagem de relevância na atualidade.

4. Cartão Vermelho (1994)

Fernanda é uma garota de 12 anos que gosta de jogar futebol com os meninos do seu bairro. Porém, ela sabe que se chutar a bola na direção da virilha dos meninos ela acaba tendo vantagem no jogo, o que gera uma revolta no time.

A diretora Laís Bodansky fez também outros clássicos, como Bicho de Sete Cabeças e As Melhores Coisas do Mundo. Nessa produção, ela dirige seu primeiro curta-metragem, e não poderia começar de maneira mais controversa. Além de retratar uma menina jogando futebol, que já era um grande tabu no início dos anos 90, cabe enfatizar que esse curta retrata uma cena de abuso sexual, que dividiu as opiniões do público. Mas vale lembrar, segundo a própria diretora, em nenhum momento ela tenta transformar a cena em algo aceitável.

Cartão Vermelho aborda a descoberta da sexualidade, o machismo presente desde a infância, relações de gênero e de poder. Tudo isso comprimido em 14 minutos, que consegue traduzir essa fase da vida de descoberta, caracterizada pela transição da infância para a adolescência. Confira o curta em Portacurtas.org.br.

5. Como se Morre no Cinema (2002)

A combinação entre ficção e documentário de Luelane Loiola Corrêa, conta a história da cachorra Baleia, do filme Vidas Secas, a adaptação do livro de Graciliano Ramos, dirigida por Nelson Pereira dos Santos.

Com uma criatividade impressionante e a voz de Luiz Carlos Vasconcelos, esse curta bem-humorado conta com depoimentos da equipe desse ícone do cinema novo, protagonizado por um papagaio que nutre uma certa inveja do da cachorra Baleia, já que a cadelinha recebeu todo tipo de regalia enquanto estava viva, sendo até convidada para o Festival de Cannes.

Foi o grande vencedor do Festival de Gramado no mesmo ano, e mostra um lado diferente e pitoresco desse marco do cinema nacional.

Menção honrosa de curta-metragem

O único motivo para Ilha das Flores (1989) não estar nessa lista é porque ele é mais popular que os citados, e a ideia é trazer o que você ainda não conhece dessas produções de curta duração. Jorge Furtado, o diretor dessa verdadeira obra-prima, usou vários temas, gêneros e linguagens para este trabalho. Não é à toa que ele é um dos melhores diretores de nosso país.

O curta é composto por elementos de história, geografia, sociologia, biologia (o que explica ser tão exibido em salas de aula) e usa uma montagem rápida, rica em recortes e hiperlinks. O foco principal é o descaso, que o Brasil tem com as pessoas mais pobres, que conseguem estar abaixo até dos porcos. A narrativa mostra que tudo está ligado e faz parte de um grande sistema.

Assim, está em primeiro lugar na lista dos melhores curtas-metragens brasileiros da história, segundo a Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), é difícil definir a importância que Ilha das Flores tem, assim como é difícil definir ele próprio.

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Por Matheus Cosmo – Fala! Fiam Faam

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