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Crítica: O Menino Que Queria Ser Rei

Crítica: O Menino Que Queria Ser Rei


Por Marcelo Canquerino – Jornalismo Jr. ECA USP

Como você reagiria se descobrisse que a lendária Excalibur lhe pertence? E mais: que você precisa usá-la para deter uma bruxa, adormecida há séculos, que está retornando? É exatamente nessa situação que Alex (Louis Ashbourne Serkis) se encontra em O Menino Que Queria Ser Rei (The Kid Who Would Be King, 2019). No longa, o garoto se depara com a famosa espada em um canteiro de obras, e a retira de uma pedra com grande facilidade. A partir daí, descobre que precisa deter Morgana (Rebecca Ferguson), meia-irmã do rei Arthur, que está ficando cada vez mais forte e pretende dominar o mundo escravizando todos.

O protagonista é típico de histórias clichês de evolução, caracterizado por ser o loser do colégio que sofre bullying, mas sempre defende o melhor amigo, Bedders (Dean Chaumoo), a todo custo. Mesmo dotados dessas características, é muito fácil simpatizar com ambos, pois possuem grande carisma e conquistam o público. Ao decorrer da jornada, eles passam por diversas mudanças e terminam a história com pensamentos diferentes daqueles do início.

Não é apenas essa dupla que passa por mudanças. Os valentões da escola, Lance (Tom Taylor) e Kaye (Rhianna Dorris), traçam um percurso muito interesse ao lado de Alex e Bedders. Mesmo com essa narrativa manjada dos filmes de aventura, acompanhar a transformação do caráter dos personagens, principalmente daqueles tidos como malvados no início, é divertido 一 mesmo com o espectador sabendo exatamente para onde o filme caminha.

Lance e Kaye tentam retirar a espada da pedra [Copyright 2018 Twentieth Century Fox]

No que diz respeito aos efeitos especiais, diversas cenas são capazes de impressionar quem assiste, principalmente o público infanto juvenil. A animação que inicia  o filme é muito bonita e bem feita, sendo eficaz para explicar, de forma resumida e prática, a história clássica do rei Arthur.

O roteiro tem uma base muito grande na Jornada do Herói, já que os personagens passam por trajetos que culminam em mudança. O longa faz referência ao conhecido artifício ao citar Star Wars Harry Potter. Isso acontece quando Alex e Bedders percebem que estão revivendo a famosa história da Excalibur, fazendo um paralelo com os filmes da cultura pop atual. Aliás, referências são citadas em muitos momentos, desde comparações da dupla de protagonistas com Shrek e Burro, até Game of Thrones e os nomes dos personagens.

Grande parte dos momentos cômicos se devem ao personagem de Merlin em sua versão jovem, interpretado por Angus Imrie. A maneira como um mago da Idade Média se porta no século XXI gera situações muito engraçadas, a começar pela sua procura por Alex e a espada lendária no colégio ou mesmo através de sua transformação em coruja quando espirra. Ele também aparece, poucas vezes, em sua versão adulta, interpretado por Patrick Stewart.

Merlin (segundo da direita para a esquerda) é responsável por ajudar Alex e seus amigos [Copyright 2018 Twentieth Century Fox]

A grande vilã, Morgana, só aparece efetivamente no final e praticamente não aparece. Sua construção é rasa, apesar da motivação fazer uma pequena menção ao caos da atual geopolítica mundial. Essa situação fortalece a bruxa cada vez mais.

Mesmo recheado de clichês e fórmulas prontas, O Menino Que Queria Ser Rei consegue entreter e divertir bastante, já que faz um bom uso desses artifícios. O filme estreia dia 31 de janeiro nos cinemas. Confira aqui o trailer:

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