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Crítica: Billy Elliot

Crítica: Billy Elliot

Ainda em cartaz no Teatro Alfa, musical Billy Elliot mistura representatividade, dança, luta de classes e uma inspiradora história de união e preconceitos vencidos.

O espetáculo Billy Elliot conta a história do menino Billy, um londrino que, diante de uma família de mineiros que estão em greve, no auge do problema com Margaret Thatcher, sonha em ser bailarino, mesmo que o pai o obrigue a lutar box.

O rapaz é obrigado a passar por diversas dificuldades, preconceitos e lutas para conseguir se provar diante da complicada realidade que o cerca.

Inspirado no filme, de mesmo nome, de Stephen Daldry, o musical conta de uma forma muito bonita todos os desafios enfrentados por alguém que, durante a infância, descobre um dom que não é aceito dentro da sociedade.

Billy Elliott
Billy Elliot – Foto: João Caldas

A peça teatral é protagonizada por três atores diferentes, que revezam a apresentação durante a semana, desde o dia 15 de março de 2019, em sua estreia.

Em dezembro de 2018, os jovens atores começaram a ensaiar copiosamente dança, interpretação e canto, essenciais para a realização do espetáculo.

É notável o tratamento acertado do enredo com relação à temas como sexualidade, preconceitos e traumas, que são recorrentes na trama. O tempo todo somos recebidos com apresentações e musicais grandiosos, que além de ter claramente um enorme cuidado com a coreografia e posicionamento dos artistas, são extremamente representativos e importantes para uma boa construção de opinião.

Menção honrosa a apresentação em que os atores que interpretam Billy e Michael fazem um número maravilhoso sobre a necessidade de se desprender de estereótipos e de padrões pré-estabelecidos pela sociedade.

Com músicas orginalmente compostas por Elton John e adaptadas para o Brasil, o espetáculo faz um grandioso trabalho ao tratar tanto do drama, fazendo boa parte dos telespectadores derramar algumas lágrimas, quanto da diversão e da beleza das coisas.

E mesmo inserida num contexto dramático de lutas e guerras travadas contra o governo, o espetáculo não perde a leveza na forma como lida com suas situações, sempre trazendo a dança e o balé como protagonistas de suas histórias, junto com Billy.

Outro ponto interessante é a facilidade que o público tem em se identificar com o protagonista, independentemente se esse for ou não o sonho de quem assiste.

Quem já correu atrás de um objetivo, já passou por diversas dificuldades, obstáculos, pessoas que não acreditavam em suas aspirações, com certeza vai enxergar a si dentro da personalidade do menino que diante de tantos problemas não desiste da sua verdade.

Ademais, é claro, não dá para deixar de notar a importância social da história. Falar sobre um enredo, no nosso contexto atual, que quebra tantas barreiras pré-estabelecidas na sociedade através de preconceitos enraizados historicamente é de uma importância incalculável.

Estamos vivendo numa época em que as pessoas não estão com medo de mostrar quem elas realmente são, e isso não é no bom sentido. Elas estão sentindo-se seguras para disseminar uma cultura do ódio o do desrespeito, o que é extremamente prejudicial.

Ter algo tão importante falando sobre isso de uma forma coerente é muito necessário e singular. Não só pela quebra dos paradigmas, mas também porque crianças podem, enfim, sentirem-se representadas.

A jornalista Stella Vasco falou sobre a importância de se sentir representada ao assistir o desenho A Bela e a Fera quando criança.:

É sutil e bastante curioso o momento em que você se sente representada por algo, principalmente quando isso ocorre na infância. Hoje consigo enxergar o tamanho impacto que aquela animação teve em mim e até posso descrever a sensação, mas ainda menina tudo o que eu conseguia sentir se resumia em uma simples frase: “ela é igual a mim”.

A sensação impactante e realizadora ao sair do teatro é instantânea e unânime. É muito bonito ver tudo o que aquelas crianças sabem fazer, de um jeito puro, educativo e de uma forma tão aparentemente simples. O espetáculo é único e vale a pena ser visto antes do fim da sua passagem pelo Brasil, que não deve ser rápida.

Portanto, espero que todas as crianças tenham a oportunidade de se sentirem ouvidas e compreendidas como as que estavam assistindo à peça junto comigo. Foi mágico.

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Por Victor Paulino – Fala! PUC

2 Comentários

  1. raphaelvieira
    4 dias ago

    Muito bom!