Conheça as vivências da equipe de enfermagem na pandemia
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Conheça as vivências da equipe de enfermagem na pandemia

Conheça as vivências da equipe de enfermagem na pandemia

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Em um dos momentos mais críticos da saúde pública brasileira, profissionais relatam os desafios que enfrentam na linha de frente durante a pandemia

Em um ano de pandemia, segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), o Brasil corresponde a um terço do total de mortes causadas pela Covid-19 entre os profissionais de enfermagem no mundo. Até 31 de dezembro, em todo o país, foram registrados 47.335 casos de coronavírus entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem e obstetrizes, onde 525 morreram.

A importância do trabalho destes profissionais, principalmente durante a pandemia, se dá pois, sem eles, salvar vidas nos hospitais todos os dias se torna uma tarefa ainda mais árdua. São eles que recebem os infectados, os acolhem e acompanham diariamente suas condições físicas, emocionais e psicológicas. Porém, apesar dos inúmeros elogios e homenagens que a profissão têm recebido, quando se olha para a realidade das vivências diárias, são poucos os motivos para comemoração.

O dia a dia na pandemia

Stefanie Righetti, técnica em enfermagem, atua na linha de frente desde o início da pandemia com plantões imprevisíveis. “Ao mesmo tempo que sabemos que os pacientes podem vir a óbito a qualquer instante, eles podem também sobreviver por mais dias e isso se torna gratificante. Ver um paciente crítico sair andando, respirando… é o que faz a gente não querer desistir a cada dia de trabalho”, relata.

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No início da pandemia, com a ausência de profissionais suficientes, Stefanie chegou a ficar de plantão por 72 horas. | Foto: Acervo Pessoal.

Além do fato de ter que lidar com inúmeras situações críticas durante os plantões exaustivos, o medo da contaminação pelo vírus é algo que sempre a acompanha e abala seu psicológico, fazendo até com que, algumas vezes, sinta os sintomas da doença mesmo sem estar infectada. Angústia diária de quem vivencia a potência do vírus e a perda de colegas durante o exercício de sua profissão: “Cada perda dessa é irreparável, tanto para a família, quanto para a nossa equipe hospitalar”.

A consciência de pertencer à linha de frente é ter a cada plantão um limite tênue entre o profissional e o vírus. Por isso, mesmo sendo muito difícil ficar longe da família e das pessoas que ama, Stefanie sabe que está fazendo o certo em evitar contato e o quanto é importante o uso dos equipamentos de proteção durante o trabalho. Mas, ainda assim, o minucioso cuidado com as medidas de higiene e segurança ainda é muito descredibilizado por parte da população, e muitos só passam a entender a gravidade da situação quando adoecem ou têm familiares acometidos pelo Covid-19. 

Mesmo que a vacina tenha chegado, não ignorem os cuidados, o vírus ainda circula de forma grave em nossa sociedade.

Stefanie Righetti.

Falhas governamentais que dificultam o trabalho

Outro fator que desafia o desempenho dos profissionais de enfermagem é a falta de assistência governamental aos hospitais. 

Antônio Genildo é enfermeiro e relata que trabalhar na linha de frente é uma experiência traumática tanto para os profissionais da classe como para os pacientes e que um dos principais problemas enfrentados é a falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), causando muito medo de contaminação.

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Ilustração da Covid-19. | Foto: Nuthawut Somsuk/Getty Images.

Os hospitais e todos os equipamentos estão sucateados. Faltam leitos de enfermaria, CTI, UTI. Falta medicação, respirador e, às vezes, falta até luva e máscara. Os profissionais não estão tendo acompanhamento com psicólogo e, para piorar, muitos colegas até agora estão com salários atrasados e ainda não receberam sequer o décimo terceiro.

Dispara.

Assim, a falta de apoio do governo à ciência vem contribuindo bastante para que os números de mortes aumentem e para que os profissionais de saúde fiquem cada vez mais exaustos, com péssimas condições de trabalho.

Por fim, sobre a importância do papel que desempenha na profissão, Antônio afirma que a pandemia vem mudando sua forma de trabalhar e que o acolhimento humanizado na enfermagem vem se destacando muito. Seu grande aprendizado durante esse período é a percepção de que sem sua profissão, não existe saúde e da necessária valorização da classe. “Eu tenho certeza que a enfermagem deveria ser mais valorizada, além de uma arte, ela é ciência e todo mundo já precisou ou ainda vai precisar de um profissional da área”, conclui.

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Por Lara Wille – Fala! Universidade Federal de Juiz de Fora

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