Como o preconceito afeta o desenvolvimento de uma criança?
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Como o preconceito afeta o desenvolvimento de uma criança?

Como o preconceito afeta o desenvolvimento de uma criança?

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Muitas coisas podem influenciar o desenvolvimento de uma criança, positiva ou negativamente. É justamente durante a infância que as referências são edificadas e concretizadas, ajudando a formar, mais tarde, a personalidade de cada indivíduo. Daí a importância de se ter atenção suficiente no decorrer do crescimento, do amadurecimento e da construção de impressões nas crianças.

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Como o preconceito afeta o desenvolvimento de uma criança? | Foto: Reprodução.

O desenvolvimento de uma criança ocorre por meio de conhecimentos prévios e vivências

Por mais clichê que soe, e de fato o é – ninguém nasce com conceitos pré-concebidos, da mesma forma que ninguém vai à escola despido de conhecimentos e vivências. Cada indivíduo é um universo e traz consigo suas próprias experiências. Contudo, será que as ideias que achamos que são nossas são realmente nossas? Como podemos saber? Não há como saber.

Todas as nossas impressões e julgamentos vêm de experiências e vivências anteriores que, com o tempo, se tornam uma espécie de banco de dados ao qual acessamos sempre que precisamos fazer associações. Sem perceber, construímos padrões que guiam nossas escolhas, gostos e preferências desde o maior grau de abrangência até a mais restrita das restrições.

Nossas escolhas nos moldam e nos ajudam a fazer seleções dos mais diversos tipos, nos mais diferentes aspectos e situações. É assim que sabemos diferenciar o que é gostoso de se comer, daquilo que não é. Da mesma forma funciona para coisas e pessoas, difiro aquilo que me serve e cai bem, daquilo que não se ajusta; ou essa ou aquela pessoa não me agradam, enquanto fulano e cicrano são bons amigos ou boas companhias.

Relação com outras pessoas e a problemática do preconceito

Quando se trata de gente, contudo, tudo se torna um pouco mais complexo. O ser humano é complexo. É bem mais simples decidir que roupa usar, que sapato calçar ou que comida comer, pois tratam-se de coisas, objetos inanimados que em nada interferem, nem opinam, nem discordam, e que, portanto, não incomodam. Roupas sapatos e comidas não precisam ser tolerados, mas, sim, usados, calçados e comidos, é simples.

Gente não, gente precisa de atenção, cuidados. Gente precisa de educação. De tolerância e respeito. Mas nem sempre – às vezes, parece que nunca – estamos dispostos a ceder. Somos necessitados de tudo isso, mas não cedemos. Queremos respeito, mas não respeitamos; queremos atenção, mas não escutamos alguém que precisa ser ouvido; queremos que nossas diferenças sejam aceitas, mas não toleramos a diferença do outro.

Parecem atitudes sem importância, como o bater de asas de uma borboleta. Somos, na maioria das vezes, incapazes de perceber os impactos dessas ações no desenvolvimento moral de uma criança. Não vemos o furacão que forma do outro lado do oceano como fruto de um pequeno movimento de asas de um inseto. As ideias que plantamos no solo fértil da infância alheia pode se desdobrar em um vistoso bosque ou em um extenso deserto.

É necessário ensinar desde a mais tenra idade – porque é de pequeno que se torce o pepino – a se ter respeito e tolerância pelo próximo e suas diferenças, seja lá quais forem, e que as escolhas do outro quanto à vestimenta, à orientação religiosa, à afetividade, ao ramo profissional, ao gosto musical, entre outros, em nada interfere na vida de terceiros.

É preciso intensificar o entendimento de que direitos individuais estão ao alcance de todos e que não seria justo que somente alguns usufruíssem das coisas e do modo de vida que gostam ou que acham pertinente para si enquanto outros são privados desse direito. Crianças são pessoas em formação, mas sensatas o suficiente para entender sobre justiça, igualdade e equidade, porque elas têm a capacidade de se colocar no lugar do outro. Capacidade essa que muitos de nós perdemos durante a vida.

Para que mais adiante possamos construir um mundo melhor, faz-se necessário nos ocuparmos da criação das crianças de agora, para que cresçam livres e desincumbidas da obrigação do ódio, da intolerância e da violência.  

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Por Tassia Malena Leal Costa – Fala! Universidade Federal do Amapá

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