Como o meio ambiente reagiu à quarentena e quais são as previsões
Menu & Busca
Como o meio ambiente reagiu à quarentena e quais são as previsões

Como o meio ambiente reagiu à quarentena e quais são as previsões

Home > Lifestyle > Saúde > Como o meio ambiente reagiu à quarentena e quais são as previsões

Em meio à pandemia, a noticia de níveis de poluição atmosférica baixando soa como um alívio, uma esperança. E, de fato, pesquisas mostram que vários índices estão em queda, e seus resultados são visíveis. Populações ao redor do mundo têm lidado com novidades como maior visibilidade de paisagens, antes obstruídas pela fumaça, ou animais voltando a ocupar ambientes que pareciam não ter esperança. No entanto, como o meio ambiente vai realmente se adaptar a esse “novo normal”?

A resposta para essa pergunta divide especialistas. Alguns apontam que essas melhorias continuarão por um tempo comandando o ecossistema terrestre. Já outros, lembram que, em contrapartida à diminuição de muitas práticas, houve aumentos significativos na produção de alimentos, por exemplo. 

Vincent-Henri Peuch é um exemplo de otimismo momentâneo, quando comenta que: “Não creio que possamos dizer que vai haver um impacto a longo prazo desta redução. No entanto, a curto prazo, acho que essas reduções são úteis. O nível de poluição do ar tem afetando a saúde cardiopulmonar em geral, portanto, ter menos poluição num momento em que este vírus anda por aí só pode ser bom”. O fato é que uma melhora na qualidade do ar contribui para a diminuição da contaminação do vírus, ajudando o sistema imunológico da população. 

Por outro lado, uma previsão que preocupa os especialistas é a repetição dos eventos pós 2008. Nos quais após a crise financeira mundial, os níveis de poluição dobraram, de forma compensatória ao tempo de paralisação. Como o poder de compra da população havia diminuído, as emissões de gases poluidores de fábricas diminuíram proporcionalmente, causando um alívio momentâneo na atmosfera terrestre. Tal alívio se mostra bem similar ao vivido na pandemia de 2020, por isso, causa preocupação em estudiosos da área.

Efeitos da quarentena no meio ambiente

Analisando na prática os efeitos do isolamento social a curto prazo, podemos observar a Itália, por exemplo. Sendo o país que permaneceu há mais tempo em isolamento social, a capital da pizza, agora, conta com mais um atrativo: golfinhos foram vistos nadando no porto de Cagliari, na ilha de Sardenha. Além disso, os famosos canais de Veneza estão consideravelmente mais limpos e cristalinos, graças à diminuição do fluxo de barcos. Ainda na Europa, a Agência Espacial Europeia detectou uma redução de dióxido de nitrogênio no ar, um dos compostos responsáveis pela chuva ácida.

Cruzando o Atlântico, em cidades como São Francisco e Nova York, foram detectados níveis de poluentes no ar em queda, chegando a 40% e 28% a menos, respectivamente. Do outro lado do mundo, a China também mostrou seus resultados de emissão de dióxido de carbono, que graças ao fechamento de lojas e fábricas, mostraram uma queda de 25%. Tal índice corresponde a 6% de redução global da emissão do CO² . Ainda na Ásia, moradores do norte da Índia puderam ver parte da cordilheira de Dhauladhar, no Himalaia, pela primeira vez. Paisagem escondida pela poluição desde a Segunda Guerra Mundial.

Em meio a essa contradição de níveis em queda, e preocupações sobre a volta das empresas e fábricas mundiais, todos seguem se perguntando o que acontecerá quando todos os países decretarem o fim da quarentena. Especialistas não podem prever com exatidão como será a rotina das populações, será que adotaremos o dito “novo normal”? O meio ambiente responderá aos nossos novos – ou antigos – hábitos, assim como respondeu às paralisações globais.

_________________________________
Por Rebecca Henze – Fala! UFRJ

Tags mais acessadas