Campanha 'Stop Hate For Profit': empresas querem boicotar o Facebook
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Campanha ‘Stop Hate For Profit’: empresas querem boicotar o Facebook

Campanha ‘Stop Hate For Profit’: empresas querem boicotar o Facebook

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No fim do mês de junho, grandes marcas, como a Coca-Cola e a Starbucks, anunciaram que parariam de veicular publicidade nas plataformas Facebook durante o mês de julho. Desde então, a lista de empresas que decidem aderir ao boicote só cresce.

O movimento surgiu a partir da campanha ‘Stop Hate For Profit‘, em português ‘Pare com o ódio por lucro‘. 

boicote ao Facebook
Campanha ‘Stop Hate For Profit’ amplia boicote ao Facebook. | Foto: Reprodução.

Campanha amplia boicote ao Facebook

Apoiada por grupos de defesa dos direitos civis dos Estados Unidos, como a Liga Antidifamação, a organização deixou claro que a campanha seria “uma resposta ao longo histórico do Facebook de permitir que conteúdos racistas, violentos e falsos sejam disseminados em sua plataforma”.

No Brasil, a ação foi estimulada por páginas como a Sleeping Giants Brasil, já conhecida por tornar públicos e cobrar, com frequência, posicionamentos de empresas que vinculam sua imagem a sites de notícias falsas.

Microsoft, Puma, Verizon, Hershey’s, Vans. Essas foram algumas das diversas companhias que cobraram melhorias no espaço em que inserem seus produtos, demonstrando entender seu compromisso com a sociedade, a qual prestam seus serviços. 

O histórico do Facebook

A empresa Unilever, detentora dos produtos Dove, maionese Hellmann’s, sorvetes Ben & Jerry’s e chá Lipton, ainda foi além. A firma declarou que suspenderia sua ação publicitária até o fim do ano, em função da aproximação do período eleitoral dos Estados Unidos, país que enfrenta quadro de intensa polarização política.

O posicionamento remete ao fato de que não é a primeira vez que o Facebook se associa a práticas questionáveis.

Em 2018, a rede social envolveu-se em um escândalo de uso político indevido de dados, acusado de vazar informações de cerca de 50 milhões de seus usuários para a empresa Cambridge Analytica. Na época, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, teve que depor no Congresso dos EUA.

A importância da pressão dos anunciantes

Somente com o anúncio de paralisação feito por diversas companhias no fim de junho, já pode ser observada uma baixa de 7,2 bilhões na fortuna do CEO da empresa.

O mesmo aconteceu no episódio dos dados em 2018, no qual apenas dois dias após a divulgação pelo jornal The Guardian, as ações do Facebook já haviam despencado em 35 bilhões de dólares.

A publicidade representa, hoje, quase toda a receita da rede social. Portanto, esta não demorou a se manifestar: analisou contas inadequadas em diversos países.

No Brasil, por exemplo, ao menos 35 contas, 14 páginas e 1 grupo com cerca de 350 participantes, foram removidos. Cerca de 883 mil pessoas seguiam uma ou mais das páginas no Facebook e, no Instagram (também pertencente ao Facebook), 917 mil.

Mais efeitos no Brasil: CPI das Fake News

A investigação do Facebook ainda chegou a nomes conhecidos na política brasileira, como o do atual presidente Jair Bolsonaro e o de seus filhos.

A página de Instagram Bolsonaro News, removida durante a análise da plataforma, tinha enquanto registro o e-mail de Tercio Tomaz, assessor especial do presidente no Palácio do Planalto.

O perfil, que continha quase 500 mil seguidores, funcionava como mais um polo de divulgação de notícias falsas e ataques coordenados a desavenças políticas de Bolsonaro, como o governador Wilson Witzel (RJ) e, até mesmo, seus ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Sergio Moro.

Outros nomes ligados à família Bolsonaro também foram citados, como o do assessor de gabinete de Eduardo Bolsonaro, conhecido como Paulo Chuchu. O deputado manifestou-se, em seu Twitter, acerca das ações do Facebook, tratando-as como uma “clara violação da liberdade”.

No WhatsApp (rede social comprada pelo Facebook), 10 canais ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) também foram bloqueados por conta de disparo de mensagens em massa.

A CPI das Fake News, responsável por examinar possíveis interferências premeditadas no quadro político brasileiro, pediu ao Facebook acesso aos relatórios da investigação. 

A deputada Joice Hasselmann, ex-aliada de Bolsonaro, já havia denunciado a suposta existência de uma estrutura chamada de “gabinete do ódio”.

CPI das Fake News
Joice Hasselmann depondo na CPI das Fake News. | Foto: Reprodução.

A líder do PSL alegou que o sistema operaria de dentro do Palácio do Planalto e ainda acusou Eduardo e Carlos Bolsonaro (vereador do Rio de Janeiro) de comandarem o que chamou de “milícia digital”.

Bolsonaristas migram para nova rede social

Após as primeiras ações do Facebook, o presidente, seus filhos e apoiadores começaram a migrar seus conteúdos para uma rede social já adotada pela direita americana, a “Parler”.

Seu criador, John Matze, define o local como uma alternativa à “falta de transparência em grandes tecnologias, supressão ideológica e abuso de privacidade”.

Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro convidando seus seguidores à nova rede social. | Foto: Reprodução Twitter.

Reafirmou-se a responsabilidade social da garantia de uma rede segura

Em poucos dias, a campanhaPare com o ódio por lucro‘ já desencadeou não só ações efetivas por parte do Facebook, como também importantes informações de possíveis tentativas de manipulação de conjecturas políticas.

A partir do entendimento de que, hoje, as redes sociais representam, se não o principal, um dos principais espaços nos quais absorvemos grande quantidade de informações diariamente, Mark Zuckerberg diz reconhecer a importância do compromisso com a verdade, para que o Facebook não corra o risco de, porventura, auxiliar tentativas de construção de cenários de ódio, ou crises político-sociais, mundo afora. 

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Por Luiza Menezes – Fala! UFF

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