Biden x Trump: Tudo o que você precisa saber sobre as eleições dos EUA
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Biden x Trump: Tudo o que você precisa saber sobre as eleições dos EUA

Biden x Trump: Tudo o que você precisa saber sobre as eleições dos EUA

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Ano ruim do republicano faz Biden despontar com favoritismo, mas Hillary também era favorita

Chegou mais um ano de eleição presidencial nos Estados Unidos e, como de costume, o cenário é bem incerto e promete muitas polêmicas até novembro. Um dos motivos deste processo ser rodeado de polêmicas é o sistema eleitoral estadunidense, que desprivilegia a maioria popular.

Em 2000 e em 2016, o candidato vencedor obteve menos votos diretos, portanto, Bush e Trump foram eleitos por terem mais votos dos colégios eleitorais, fazendo Al Gore e Hillary Clinton amargarem a derrota mesmo com mais apoio popular. 

eleições dos EUA 2020
Veja o que você precisa saber sobre as eleições dos EUA deste ano. | Foto: Reprodução.

Entendendo o sistema eleitoral estadunidense

Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não possuem voto obrigatório, por isso, um dos desafios da campanha eleitoral é convencer os chamados “eleitores desmotivados”, visto que ainda possuem cerca de 40% de abstenção nas últimas corridas presidenciais.

Outro fator muito importante é o voto indireto, ou seja, os eleitores não votam em Trump ou em Biden diretamente, os eleitores elegem delegados eleitorais, que são 538. Estes se dividem em: 435 deputados, representando distritos (uma região territorial com relevância e autonomia política e econômica), 100 senadores (2 para cada estado) e 3 representando o distrito de Columbia e Washington.

Apesar da divisão dos deputados ser distrital, a contabilização dos votos se dá por âmbito estadual, ou seja, cada um dos 50 estados tem um número diferente de delegados (a Califórnia, por exemplo, tem 55 e o Texas tem 38) e que, para um candidato ser eleito presidente, ele deve ganhar 270 delegados (metade mais um).

O que faz um candidato com menos votos acabar sendo eleito é o sistema “The winner takes it all” (O vencedor leva tudo, em português), que faz com que a divisão dos delegados seja absoluta e não proporcional. Por exemplo, se no Estado da Califórnia, que possui 55 delegados, 27 votarem em Trump e 28 em Biden, o democrata contabiliza 55 delegados na contagem final, pois ganhou no estado. Existem duas exceções neste sistema, que são os Estados do Maine e do Nebraska.

Em suma, o candidato que quer sentar na cadeira do salão oval deve mobilizar eleitores desmotivados e neutros, sobretudo nos estados com mais delegados.

Quem é o concorrente de Trump à Casa Branca?

O democrata da vez é Joe Biden, ex-senador pelo Delaware e vice-presidente de Barack Obama. Biden era considerado desde o início das preliminares do Partido Democrata o mais preparado para derrotar Trump.

Centrista, Biden acena para uma política de reconciliação após a gestão destrutiva de Trump.

Biden x Trump
Biden e Trump concorrem à presidência dos EUA neste ano. | Foto: Reprodução.

Principais propostas de Biden e seus trunfos

Uma das principais pautas de Trump nas eleições de 2016 foi a imigração, sobretudo de hispânicos, e Biden propõe um novo plano para regularizar estes cidadãos que sofreram diversos ataques pelo republicano. Estima-se que 11 milhões sejam beneficiados e ganhem a cidadania americana.

Por este motivo, nas pesquisas mais recentes feitas pelo jornal The New York Times, Biden aparece com boa vantagem no eleitorado hispânico, com 36 pontos percentuais de vantagem ao seu opositor.

Outro trunfo de Biden é a ampliação do “Obamacare”, programa criado durante a gestão de Obama para ampliar o acesso ao serviço de saúde, visto que os Estados Unidos não possuem um sistema universal público e gratuito de saúde, como no Brasil.

Impacto da pandemia nas eleições

Os Estados Unidos é o país mais afetado pela pandemia do novo coronavírus no mundo, com mais de 3 milhões de pessoas contaminadas e pouco mais de 136 mil mortes. A gestão de Trump na pandemia vem sendo muito criticada em território norte americano, principalmente após se desfiliar da OMS.

A retórica de Trump se assemelha muito com a do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, minimizando a gravidade da pandemia, culpando terceiros e se agarrando ao discurso da economia, inclusive os dois estão tomando a hidroxicloroquina, o estadunidense como profilaxia e Bolsonaro, que já testou positivo para a doença, usa para se curar, apesar da carência de estudos científicos que apoiem estas atitudes.

Pesquisas mostram a insatisfação do eleitorado americano com a gestão Trump na pandemia, em abril, o Pew Research Center mostrou que 65% dos estadunidenses acreditam que o republicano demorou demais nas ações de contenção do vírus. Outra pesquisa do The New York Times mostra que 59% desaprovam a gestão da pandemia.

Campanha eleitoral e pandemia

O primeiro grande congresso de Trump para a campanha foi em Tulsa, cidade ao sul do Estado de Oklahoma e foi um grande fiasco. O partido esperava cerca de um milhão de pessoas e prometia ser uma grande demonstração de força do atual mandatário, mas, no final, não apareceram mais de 10 mil pessoas e os planos de Trump foram atrapalhados por “Kpopers” e “TikTokers”, que inflaram a expectativa da campanha e não compareceram.

Diferente do seu adversário, Biden tem feito congressos virtuais, mostrando mais preocupação com a pandemia.

Black Lives Matter e as eleições

Outro ponto negativo deste ano para o republicano foi a gestão dos protestos antirracistas após a morte de George Floyd em Minneapolis. O presidente teve, inclusive, um tweet notificado por incitar a violência. Pesquisa do The New York Times mostra que 69% do eleitorado estão insatisfeitos com como ele lidou com esta crise e 66% com o tratamento das questões raciais.

Já Biden, ganha cada vez mais força no eleitorado negro, com 76 pontos percentuais de vantagem, principalmente por causa do apoio do ex-presidente Obama. Outro fator importante é a vice do democrata, ele já sinalizou que será uma mulher, especulações vão de Michelle Obama até Elizabeth Warren, mas a mais provável é a senadora negra Kamala Harris.

Trump encurralado 

A principal força do republicano é a questão econômica, que é aprovada por 56% do eleitorado, porém, a pandemia parece assolar muito profundamente a economia estadunidense nos próximos meses.
A reabertura foi um fracasso em vários estados, como o Texas que teve que voltar com a quarentena recentemente e o discurso populista de Trump parece não mais fazer efeito.

Os pedidos de auxílio-desemprego explodiram no último mês e o cenário para o próximo mandatário será bem delicada, seja Trump, seja Biden.

Biden planeja nacionalismo econômico, buscando recuperar esta mão-de-obra. Apesar de Trump estar encurralado, o mercado acena mais alegremente para o republicano.

Como ficará a relação Brasil-Estados Unidos se Biden for eleito?

O democrata poderá romper o maior alicerce internacional de Bolsonaro, especialistas apontam que um afastamento é iminente com a eleição de Biden. Além disso, o candidato promete pressão ao Brasil pela questão ambiental e preservação da Amazônia.

Brasil e EUA
Como ficará a relação entre Brasil e EUA após as eleições presidenciais estadunidenses? | Foto: Reprodução.

Quem as pesquisas apontam como vencedor?

Alguns estados americanos são fundamentais na eleição, esses são chamados de “Purple States” (Estados Roxos, em tradução). Eles se chamam desta forma porque eles não tendem a preferir um partido historicamente, como, por exemplo, a Califórnia e o Texas, que pendem mais para o Partido Democrata (representado pela cor azul) e Republicano (representado pela cor vermelha) respectivamente.

Estes 6 estados são: Arizona, Pensilvânia, Michigan, Flórida, Carolina do Norte e Wisconsin. Eles foram essenciais para o triunfo de Trump em 2016, que superou Hillary em todos.

Nas últimas pesquisas, o cenário é oposto a 2016, Biden ganha em todos os estados e, até agora, desponta como favorito para ser o novo Presidente dos Estados Unidos da América.

A campanha está apenas começando, até novembro muita coisa pode mudar.

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Por Eduardo Reis – Fala! Cásper

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