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As pessoas ainda assistem à TV aberta?

As pessoas ainda assistem à TV aberta?


Por Matheus Silva – Fala!Cásper

Muita coisa mudou desde a inauguração da primeira emissora de TV no Brasil, a Tupi, em 1950. Com o tempo, novos canais apareceram, os programas se multiplicaram e ainda tivemos a vinda da internet, que mudou muito a forma como consumimos conteúdo.

As televisões sempre conseguiram prender a atenção de muita gente. É possível dizer que o momento à frente delas culturalmente foi um momento para ser compartilhado em família, para estar em conjunto, se reunir com aqueles que passaram o dia longe, mantendo assim, sempre uma relação muito próxima com as pessoas. Hoje, já é um pouco diferente. As crianças não crescem mais com apenas uma televisão diante dos seus olhos, mas sim com a opção de uma tela menor, em que ela vê vídeos do que e como quiser. O antigo “ritual” que era estar diante da televisão, hoje pode ser visto apenas como um momento individual, mais pessoal. A atenção compartilhada agora não é só diante da televisão, mas é também dividida com o celular.

Muito se mudou no entretenimento com a chegada da internet. O jeito como as pessoas recebem conteúdo e interagem com ele é um dos pontos importantes para entender o porquê da prevalência do smartphone sobre a TV. Outro quesito que também pesa é o fato de que, na televisão, o espectador tinha que controlar seu tempo para poder assistir o programa que gostava, e assim era necessário se adaptar aos horários da TV. Com o YouTube, por exemplo, já é o contrário. Ele assiste quando, como e onde quiser, mudando totalmente o jeito como as pessoas eram acostumadas a consumir conteúdo, tornando mais fácil e adaptável o consumo de conteúdo por qualquer pessoa.

Com tudo isso acontecendo, as pessoas começaram a se questionar sobre o que valeria mais a pena para elas. Se era pagar para ter um plano melhor de internet no celular e assinar algum serviço de streaming ou colocar o dinheiro delas para ter acesso aos canais fechados da televisão. Nessa conversa, porém, não foi citada a parte da televisão aberta, porque mesmo com todo esse questionamento sobre o que valeria mais a pena pagar, as pessoas optam acima de tudo em manter uma televisão em casa, para que não deixem de acompanhar o que passa nos canais abertos.

Embora as opções de canais sejam milhares e seja inegável o crescimento dos serviços de streamings (Netflix e Plays), a TV aberta não foi abandonada. A televisão aberta ainda é um dos principais meios de comunicação, entretenimento e informação dos brasileiros. Além das dificuldades tecnológicas e estruturais que o País enfrenta, que ainda impede o avanço da internet em boas partes do território do Brasil, é claro que existe toda uma questão geracional envolvida, sem deixar de contar também pela forma com que o brasileiro consome conteúdo compulsivamente, podendo estar ligado e conectado a várias telas ao mesmo tempo – às vezes sendo até o mesmo conteúdo, apenas transmitido com alguns detalhes diferentes.

Muitas pessoas ainda têm uma ligação muito forte com os horários da televisão aberta, mantendo sempre uma rotina associada aos horários dos programas para que não deixem de acompanhar o que gostam, podendo realizar os afazeres do dia a dia enquanto assistem. Percebemos isso quando alguém da nossa família deixa de estar na mesa de jantar em contato com a família, para não perder o episódio do dia da novela, por exemplo.

A TV aberta continua sendo o meio mais acessível de informação e entretenimento dos brasileiros. Para muitas pessoas que não tem condições para pagar um pacote mensal e desbravar canais da TV fechada, os canais abertos sempre estiveram aí, batendo recordes de audiência, até mesmo depois da chegada da internet.

O que vem mudando é a quantidade de gente que passa a assistir mais vídeos pela internet, um  número que aumenta consideravelmente a cada dia que passa. Uma pesquisa feita pelo YouTube em parceria com o site de publicidade Meio&Mensagem e a consultoria Provokers, aponta que o percentual de brasileiros que vê vídeos na internet (42% da população) já supera os que assistem TV a cabo (37%). Existe uma preferência em pagar para assistir vídeos na internet do que um pacote da TV paga. Para os adolescentes, a televisão é cada vez mais um ser estranho. Na maior parte do tempo, enquanto assistem TV, também seguem conectados em outra tela que, normalmente, é o celular. O que para os mais velhos pode ser um momento para reunir a família, para os jovens, é apenas um momento individual, sem muita interação familiar e mais virtual. Com o tempo, o hábito de ver televisão do brasileiro vai mudar. Isso é inevitável. Mas, enquanto esse processo ocorre gradualmente, as TVs abertas seguirão reinando com seus telejornais e novelas, inquestionáveis na função de prender a atenção do público e fazer o sucesso que sempre fizeram.

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