'Ancient Dreams in a modern land' - Crítica do novo álbum de Marina
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‘Ancient Dreams in a modern land’ – Crítica do novo álbum de Marina

‘Ancient Dreams in a modern land’ – Crítica do novo álbum de Marina

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Ancient Dreams in a modern land – A simbiose temporal e o grito denunciativo se fundem em um dos melhores álbuns de Marina

A cantora e compositora Marina, que anteriormente atendia pelo nome Marina and the diamonds, lançou no dia 11 de junho seu quinto álbum de estúdio, denominado Ancient Dreams in a modern land. A estreia de Marina no cenário musical, porém, se deu em 2010, com o lançamento do disco The Family Jewels. Desde então, a trajetória criativa da artista foi marcada por inúmeras transições e transformações, desde o nome aos gêneros musicais e inspirações criativas. 

marina and the diamonds
The Family Jewels, primeiro disco de Marina. | Foto: Reprodução.

Ancient Dreams in a modern land, novo álbum de Marina

Seu mais novo trabalho, porém, é capaz de integrar de forma inteligente todo histórico absorvido pela cantora até aqui, mesmo que a alusão a um não pertencimento ao tempo faça parte do conceito intrínseco do projeto. Assim, passado, presente e futuro se unem em uma mescla de ritmos como pop, electropop, dance-pop, pop-rock através de letras que vão da perspicácia ao clichê, mas não deixam de consagrar a genialidade por trás de suas composições. 

Nesse sentido, o título do álbum não é à toa, pelo contrário, a faixa inicial e homônima justifica a escolha ao versar uma crítica social ao comportamento da modernidade, resgatando o legado dos sonhos dos antepassados, utilizando menções metafísicas através da ancestralidade espiritual, que proclama um retorno e uma libertação da forma física. 

Ancient Dreams in a modern land música
Ancient Dreams in a modern land, o novo sucesso da cantora. | Foto: Reprodução.

Divisão

A introspecção crítica torna-se, dessa forma, um dos pontos altos das 10 músicas que compõem os 36 minutos do disco. O álbum, nesse quesito, divide-se em dois momentos, uma abertura marcada pelo pop-rock característico da cantora, carregado de influências dos anos 90, o que pode ser notado em Venus Fly Trap, com gritos de insatisfação sobre a indústria e a padronização e declamação de uma arte autoral.

Entretanto, a dramaticidade e o tom independente aparecem sutilmente através do apelo ao melancólico e ao lúdico em canções como Man’s World. Esses elementos acabam por atrasar um pouco a experiência pelos clichês que foram utilizados em demasia no último álbum de Marina, Love + Fear, que amedronta fãs até hoje. 

Love + Fear
Disco Love + Fear. | Foto: Reprodução.

No tocante ao sentimento de intransigência e não pertencimento, Purge the Poison segue em uma incrível declamação psicodélica, abordando assuntos como a reforma silenciosa perante a queda da sociedade à proteção do planeta e conexão com a natureza proporcionada pela quarentena, o vírus e outros desastres naturais como forma de punição pela ação do homem, uma forma de alerta. Além disso, estão presentes o racismo e a misoginia escancarados perante a sociedade, além da culpa histórica pela atuação dos EUA nas guerras.

O tom assumido pela segunda parte do disco é, no entanto, mais ameno e emocional, contando com a presença de baladas deliciosas de se apreciar, caso de Highly Emocional People, que busca naturalizar as emoções intrínsecas, apesar de constantemente escondias pelo fato de as pessoas não saberem lidar com sua complexidade.

Mais detalhes sobre disco

Durante o disco Marina utiliza estratégias que a distanciam de relações formulaicas, um exemplo é separar as faixas mais agitadas das mais lentas. Os dotes vocais da artista são um deleite para seu ouvinte, sabendo colocar sua voz com praticidade onde necessário. A variedade de instrumentos, como o piano, na faixa Pandora’s Box, que versa sobre a constante guerra interna de sentimentos, promove uma estaticidade de emoções. 

Ancient Dreams in a modern land chega à sua reta final com a manifestação de um soft rock em I love you but I love me more, na qual Marina impõe resistência em voltar a um ciclo emocional tóxico. Em seguida, Flowers e o tributo da cantora aos anos 2000, Goodbye, encerram essa brilhante trajetória com uma poderosa mensagem de renascimento.

Ancient Dreams in a modern land marina
Ancient Dreams in a modern land mistura estilos e denuncia talento de Marina. | Foto: Reprodução.

Ancient Dreams in a modern land, por fim, promove uma simbiose temporal que denuncia os pecados do presente e apela para a apreciação do poder interno e a volta ao passado por autoconhecimento, o grito denunciativo se funde às temáticas, repletas também de letras carregadas de sentimentalismo e montanhas-russas amorosas, culminando em um dos melhores álbuns de Marina.

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Por Eduardo Augusto – Fala! UFG

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