Crise da Pós-Modernidade
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 Por Jamilly Santana – Fala!PUC

Há diferentes maneiras possíveis de definir modernidade. Criando uma linha cronológica, poderia se dizer que a modernidade começa no século XVll, com o advento do capitalismo mercantil e o alvorecer da visão científica. A modernidade seria um conjunto de processos de racionalização que aconteceram no ocidente e que aumentaram a eficácia das diversas estruturas sociais.

Nesse caso, a modernidade econômica seria caracterizada por uma incorporação incessante da ciência e tecnologia no processo produtivo e na gestão econômica racional da empresa. A modernidade política seria o que Weber chamava de dominação legal: monopólio da violência pelo estado e o estabelecimento de um sistema tributário central –  segundo Weber,  uma prova de maturidade e de modernidade política.

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Modernidade cultural seria o processo de desencantamento do mundo. Processo esse que atinge a todas as outras esferas de valor que coexistem de maneira simbiótica no seio da religião. Com a modernidade, a religião recua e as coisas que estão embutidas à religião passam a adquirir autonomia, por exemplo, a esfera da moral, a esfera do direito a esfera da ciência e etc. Dentro disso, podemos incluir a Filosofia como sendo a disciplina em que se manifesta de um modo mais claro a modernidade em um sentido estrutural.

Nós podemos chamar de modernidade tudo aquilo que vem entre o final do século XVIII e o presente, isso é conveniente porque nos permite falar do que atualmente se entende como filosofia moderna, sem cometer nenhuma criação tecnológica excessivamente trabalhosa.

Quando se fala em filosofia moderna, habitualmente se fala sobre Immanuel Kant e tudo o que veio do século XIX, em todo caso, a opinião de Foucault, que possui um ensaio sobre a filosofia moderna em que ele diz que a modernidade filosófica começou propriamente com Kant, no sentido de que até aquele momento os homens tentavam se situar com relação à antiguidade e não com relação ao próprio período em que ele vivia. Compreendemos que o homem que se define um homem moderno é aquele que ousa pensar por si mesmo. Em meados do século XX, passou-se a refletir a modernidade de uma maneira bastante curiosa, uma reflexão profundamente problematizadora no sentido de desenraizamento das pessoas. Marx, fala sobre essa problemática do desenraizamento no Manifesto Comunista, o fato de que os homens devem perder as suas vinculações naturais, o camponês da época perde a sua vinculação natural com a terra de seu nascimento assim então há um sofrimento dilacerado muito grande. Isso se refletia também em Kant, o dinheiro é uma vivência de desmembramento de fragmentação que se verifica na própria razão kantiana, a razão que até aquele momento era considerada uma coisa homogênea e única, passou a se desmembrar nas três razões kantianas: razão prática, razão teórica e razão estética.

O homem teria se desmembrado por sua vez em papéis frequentemente contraditórios, que, em tese existiam de uma maneira unitária em outras fases históricas, mas que a característica da modernidade foi que esse homem unitário passou a se desmembrar da mesma maneira que a razão unitária se fragmentou. Essa reflexão é curiosa porque não resultou em uma espécie de endeusamento da modernidade, ocorreu na verdade uma tomada de consciência de como ela é dilacerada e o trabalho de Hegel é tentar de alguma maneira recompor a unidade. Na filosofia moderna no século XX, todos são transformações de sistemas característicos da própria modernidade, então, um desses motivos seria a transformação da razão, digamos, em um conjunto de procedimentos para diferenciar entre os enunciados falsos e os enunciados verdadeiros, é hora do positivismo lógicos e seus descendentes. Sempre então o culto da razão e da ciência é um caráter que é característico dessa modernidade em seus primórdios no século XX, num certo sentido se empobrecerá um pouco e se transformou quase que num conjunto de procedimentos para fazer a separação entre os enunciados significativos e os não significativos.

Nos tempos modernos que já não são modernos, já que vivemos a pós-modernidade, houve uma ebulição cultural, intelectual, científica e aliás esse escaldo, reflexo dessa ebulição de todas essas instituições se refletiu num tempo, onde nós colhemos um avanço científico extraordinário, questões políticas como, por exemplo, o marxismo é hoje é questionado, também como, a mentalidade capitalista e seus desdobramentos. A nossa alma, se fragmenta, se dilui e ela se perde meio às expectativas frustradas, o que se aplica perfeitamente ao conceito de sociedade líquida de Bauman e talvez seja essa a melhor teoria para representar a liquidez que nós estamos vivenciando hoje. Apesar dos sonhos frustrados e das utopias dissolvidas perante os fatos e perante o tempo, questões essenciais da nossa alma permanecem, independente da época, o que se vê é o homem em constante debate, debandando sempre na mesma direção que é na tentativa de respostas para a alma que tentem aplacar medos e questionamentos, como: “De onde vim?” “Para onde vou?”. De certa maneira, estamos tentando responder esses questionamentos há milhares de anos e condicionado aquilo que nós chamamos, vivemos e experimentamos como cultura daquele tempo. Hoje um dos retratos mais claros dessa projeção é o consumismo, tentamos nos redimir e encontrar respostas pra vida enquanto existe o sentimento de que tudo é perecível, o capitalismo hoje é um dos recortes que elegemos para tentar de alguma maneira equilibrar esse vazio que hoje nos faz pender existencialmente sem saber para que lado nós vamos.

Talvez, um dos grandes males da pós-modernidade seja a pressa. A grande dificuldade desse mundo conectado é aquietar-se, em tempos de ruídos nas formas de comunicação humanas ouvir o clamor da sua alma e de fato entender quais são suas reais necessidades, é uma das maiores dificuldades da sociedade atual. À medida em que nós nos frustramos e nos sentimos diluir diante de utopias que vão se dissolvendo, começamos a de qualquer maneira encontrar respostas que preencham esses vazios que vão ficando, isso resulta, numa descrença em determinados conceitos e uma nova crença em outros, talvez, mais vazios. Nessa nossa caminhada em busca dessas respostas mais essenciais, pelo simples fato de estar caminhando já carrega em si um profundo valor. No fim das contas, quando analisamos esse cenário descrito o que todos nós estamos buscando é sentido.

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