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A REPRESENTATIVIDADE DAS MINORIAS NA TELEVISÃO COM O PASSAR DOS TEMPOS

A REPRESENTATIVIDADE DAS MINORIAS NA TELEVISÃO COM O PASSAR DOS TEMPOS

Como as mulheres, negros e a comunidade LGBT+ encontraram espaço durante os anos e como estão inseridos na atual era dourada da televisão mundial


Desde os primórdios da televisão, as comunidades feminina, negra e LGBT+ encontram grandes dificuldades para serem inseridas e se sentirem representadas no mercado cinematográfico televisivo mundial. Mulheres constantemente presentes em papéis de donas de casa, esposas ideais e mães corujas, negros em situações escravocratas – personagens importantes para o conhecimento das situações, mas existentes em excesso – e de baixa renda (normalmente na condição de empregados domésticos), e gays e lésbicas representados de forma extremamente estereotipada. Por muito tempo todos esses papéis e colocações foram aceitos por serem as únicas oportunidades existentes para atores e atrizes que procuram emprego, o que lentamente tem mudado.

Robin Wright
A atriz Robin Wright como Claire Underwood em ‘House of Cards’, série da Netflix

Taís Araújo, por exemplo, atriz global renomada, interpretou a primeira protagonista negra em uma telenovela brasileira em 2004, uma mulher vendedora de ervas de uma barraca em São Luís do Maranhão. A personagem fez muito sucesso na época e causou um grande rebuliço entre os telespectadores assíduos de novelas, boa parte conservadores. Já na televisão americana, foi o ator Bill Cosby quem conquistou o primeiro papel principal em uma série de TV, na aventura “I Spy”, da NBC, em 1965. Quanto ao primeiro beijo gay, aconteceu na série L.A. Law, em 1991, com Abby Perkins e C.J. Lambe, também na NBC.

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Bill Cosby ao lado de Robert Culp, protagonistas de I Spy

Quando se fala sobre o público LGBT+, sua representatividade sempre foi bastante controversa. Aqui no Brasil, até hoje em dia, os gays e lésbicas possuem características que firmam grandes e problemáticos estereótipos existentes na sociedade preconceituosa atual. Sempre beijando os pés de uma mulher, fazendo o possível e o impossível por ela, ou por trás e um homem, ofuscada e copiosamente tentando viver a vida dele. Além disso, uma intensa massa preconceituosa impede o avanço dessa história.

Hoje, a discussão está mais presente do que nunca no cotidiano das pessoas. Cada vez mais gente está se mobilizando e entendendo a necessidade da inclusão e da expressão das minorias na televisão. Ainda que exista muita repressão por parte de quem não concorda com a visibilidade, os negros, as mulheres e a comunidade LGBT+ estão começando a entender a voz que possuem e como ela é importante para seu crescimento. A tecnologia também apenas agregou, trazendo grandes personalidades importantes e necessárias a elevadas situações de imponência. Não se pode mais fechar os olhos para a realidade e não é cabível a negação de que tais vidas existem e importam e que elas merecem seu espaço.

A grande discussão sobre a inclusão dessas pessoas no mercado gira em torno da oportunidade. Não é por falta de competência em determinados grupos sociais, mas o não aparecimento de personagens importantes traz consigo uma sistemática cheia de situações desfavoráveis para todos estes profissionais. A atriz americana Viola Davis, ao ganhar o Emmy 2015 de Melhor Atriz em Série Dramática, em seu discurso, falou sobre isso.

“Na minha mente, vejo uma linha. E depois dessa linha, vejo campos verdes, flores adoráveis e lindas mulheres brancas com seus braços esticados na minha direção, depois dessa linha. Mas não consigo chegar lá. Não consigo passar dessa linha. Quem disse isso foi Harriet Tubman, nos anos 1800. E deixem-me dizer algo a vocês: a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é a oportunidade. ”

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A atriz Viola Davis ao receber o Emmy em 2015

De agora em diante, uma importante luta deve acontecer. A luta para que todos esses direitos alcançados e oportunidades conquistadas se mantenham por muito tempo. O populismo atualmente em alta, e todo o conservadorismo existente em países como o Brasil e Estados Unidos ainda impedem que todas essas pessoas passem por esses processos sem grandes dificuldades. Ainda haverá embate, mas a tendência é resistir.

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