A influência da pandemia no aumento da violência contra a mulher
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A influência da pandemia no aumento da violência contra a mulher

A influência da pandemia no aumento da violência contra a mulher

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A pandemia de Covid-19 trouxe uma série de situações inusitadas com as quais tivemos que nos adequar – home office, aulas remotas, webinar, entre outros. Contudo, nem todas as mudanças surgidas no decorrer desses quase dois anos foram benéficas para todo mundo. Em alguns casos, nem se pode chamar de mudança, mas sim de intensificação, que é o caso da violência praticada contra a mulher no ambiente doméstico.

A seguir, entenda como a pandemia influenciou no aumento de casos de violência contra a mulher no Brasil.

Com a pandemia, o número de casos de violência contra mulher cresceu.
Com a pandemia, o número de casos de violência contra mulher cresceu. | Foto: Reprodução.

Como a pandemia influenciou no crescimento da violência contra a mulher?

Com o isolamento social, ficar em casa foi muito além de uma escolha, mas uma questão de sobrevivência. Houve quem burlasse por opção ou por falta dela, esse sistema, mas a verdade é que desde março de 2020, muita gente acatou ao isolamento social e resolveu ficar em casa para se proteger e proteger os seus de um vírus mortal e desconhecido, que já levou mais de 600.000 pessoas queridas sem qualquer chance de beijo ou abraço de despedida.

Diante de um país praticamente parado (praticamente porque os setores da Saúde e da Segurança Pública não pararam um dia sequer desde então) e com tanta gente em casa, as coisas ficaram bastante diferentes. De início, parecia uma espécie de férias fora de época e, de repente, ficar em casa era uma oportunidade para descansar, fazer atividades prazerosas que ficaram em segundo, terceiro e último plano, colocar a conversa em dia por telefone, ler aquele livro que já tinha sido deixado de lado, entre tantas outras. 

No entanto, a pandemia tem durado muito mais do que o esperado. Apesar do susto, muita gente acreditou que a paralisação não duraria mais que alguns dias, talvez nem fechasse uma semana por completo. Eis que aqui estamos nós, há um ano e sete meses tentando retomar uma vida que foi interrompida às pressas, para alguns parcialmente, já para outros completamente, infelizmente.

Depois de algumas semanas, ficar em casa já não era mais um prazer ou um relaxamento, mas sim um enorme incômodo. Nesse meio tempo, teve gente que teve a sua rotina de trabalho dobrada sem aumento salarial, que teve sua renda diminuída pela metade, que mudou de ramo profissional para sobreviver ou que ficou desempregado. As dificuldades foram e continuam sendo um verdadeiro desafio para milhões de brasileiros, principalmente para aqueles que são de carne e osso e precisam sair de casa todos os dias para garantir pelo menos uma refeição diária.

Em meio a tantas dificuldades, a vida também se tornou mais difícil para um público específico: as mulheres. Elas são de todos os tipos, de todas as idades, raças, níveis de escolaridade e classes sociais. De acordo com dados divulgados sobre a pandemia pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), houve aumento de casos de violência contra a mulher em 483 municípios, o que equivale a 20% das 2.383 cidades ouvidas pela pesquisa. E de acordo com um levantamento do Datafolha, encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, verificou-se que a incidência de violência nas ruas diminuiu, enquanto que o número de violência doméstica aumentou.

Em comparação com o ano de 2019, o aumento no percentual de agressões ocorridas dentro de casa saltou de 42% para 48,8%, enquanto que a violência praticada nas ruas caiu de 29% para 19%. Contudo, esses números não refletem apenas a violência praticada pelo companheiro contra a mulher, mas também todo e qualquer tipo de agressão que envolve o seio familiar, na qual os agentes podem ser o pai, a mãe, avós, filhos e enteados.

A Covid-19 somada ao isolamento social, ao desemprego e à diminuição ou perda de renda, vítima e agressor passaram a ficar encerrados dentro de casa por um período de tempo maior, ocasionando um significativo aumento no caso de vítimas de violência doméstica por parte de cônjuges e parceiros. É preciso levar em consideração apenas os casos em que as autoridades tomaram ciência do ocorrido, afinal há muitos casos em que a vítima, por dependência financeira ou emocional, ou por medo de ser morta ou de perder os filhos, não denuncia o agressor. No Brasil, a cada minuto oito mulheres são espancadas desde que iniciou a pandemia de coronavírus e isso é muito grave.

Atualmente o país dispõe da Lei Maria da Penha, de 07 de agosto de 2006, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, e da campanha Agosto Lilás, que é parte da luta representada pela 11.340/2006 na luta contra a violência contra a mulher.  É muito importante que a sociedade tome conhecimento destas iniciativas para que cada vez mais mulheres vítimas de agressão possam denunciar seus agressores. 

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Por Tassia Malena Leal Costa – Fala! Universidade Federal do Amapá

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