50 anos de Woodstock 50 anos de Woodstock
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50 anos de Woodstock

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Há 50 anos o Festival de Woodstock foi realizado em uma cidade rural de Bethel, no estado de Nova Iorque. Do dia 15 ao dia 17 de agosto de 1969, 32 músicos se apresentaram ao público que alcançou a marca de 500 mil pessoas e cerca de 300 canções foram cantadas.

Woodstock foi anunciado como “Uma exposição aquariana: três dias de paz & música“, uma referência à Era de Aquário defendida pelo movimento hippie como uma nova era de esclarecimento da humanidade, inseridos na contracultura dos anos 1960.

Na tentativa de criar um estúdio de música na região em que Bob Dylan morava e atrair músicos para gravações, Michael Lang, John Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld idealizaram Woodstock. A ideia era promover shows e, com o lucro deles, financiar a construção do estúdio. 

Com algumas dificuldades, o festival originalmente havia sido planejado para a pequena cidade de Wallkill, mas os moradores locais não aceitaram, o que levou o evento para a pequena Bethel, a uma hora e meia de distância.

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O jornalista e professor Arthur Dapieve comenta que uma possível explicação para que o Festival ficasse tão conhecido na História foi a qualidade do elenco. Por ter participações como Jimi Hendrix, The Who, Ten Years After, Satana, Joe Cocker e Janis Joplin, Woodstock se consagrou com uma das line ups mais famosas de todos os tempos. 

— Uma circunstância que é menos lembrada é que Woodstock não foi o primeiro grande festival com essa qualidade, já havia uma meia dúzia de festivais importantes antes, que tinham chamado a  atenção. 

O fato do festival ter sido todo filmado e gravado pelo conglomerado Warner era um indicativo de que algo importante seria produzido no show que ocorreria na cidade de Bethel, complementa Arthur Dapieve.

— Havia uma atenção midiática em Woodstock. Então, o sucesso se deu por uma fusão entre a qualidade dos artistas e o fato dele estar bem documentado, ao passo que os outros festivais anteriores ou não eram documentados ou eram menos bem documentados. 

Com o conteúdo do evento, o filme Woodstock – 3 Dias de Paz, Amor e Música foi gravado e lançado no ano seguinte, editado pelo diretor Martin Scorcese. Produzido pela Warner Bros, que se consagrou depois daquele trabalho, o longa  ganhou Oscar de melhor documentário em 1971.

O jornalista acredita que, se Woodstock fosse realizada este ano, seria um festival muito diferente por conta do papel do rock na sociedade atual. De acordo com Dapieve, esse gênero musical perdeu a dimensão que tinha na década de 1960. As coisas boas atuais no rock são reprocessamentos do passado, afirma. Ele não é mais um porta-voz da juventude, ao contrário do momento em que o festival foi realizado.

— O Rock do festival não foi só  musicalmente muito arrojado, inventivo e criativo como também, socialmente, ele era a ponta de lança do que se dizia em termos de música na época. Essa característica se perdeu, o rock nem é mais um gênero musical particularmente arrojado.  Hoje em dia os shows seriam mais misturado e o pop é que seria o gênero principal. Woodstock não tinha qualidade visual nenhuma: era música e olhe lá, música e a experiência de estar naquele lugar. O público do rock ficou muito conversador, não só no âmbito da música. Esses grandes festivais são  irreproduzíveis. 

A mestre em Literatura Portuguesa Ticiane Coradini, da UFRJ, conta que, para ela, as bandas que tocariam em uma edição atual do festival seriam aquelas que representam a prática do vazio cultural. A busca do lucro pelo esgotamento do significado da música é algo que é priorizado na maior parte dos artistas atuais, aponta a professora. De acordo com Coradini, Woodstock, nos dias de hoje, seria uma herança histórica consumida como um produto.   

— Esse festival foi o resultado da idealização do sonho de uma geração que tinha condições econômicas e educacionais de pensar, questionar e ter liberdade para usufruir e criar suas próprias práticas artísticas. Em 2019, seria uma logomarca, algo consumível. As pautas definidas por consumismo não são vivenciadas de fato. O que mudou foi a juventude a qual Woodstock representaria, não o festival. Hoje os festivais não tem ideologia, criou-se um status quo da política da isenção, da idiotice.

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O professor Arthur Dapieve ressalta que os “Três dias de paz & música” deram uma cara para a utopia que alguns segmentos daquela sociedade acreditavam. Foi uma imagem risonha para o  movimento hippie, destaca. Na esfera da música, segundo Dapieve, representou a experimentação em que artistas usaram da inventividade para fazer leituras distintas das músicas que produziam.  

— Todas aquelas apresentações mostraram que a música pode ser mais aventurosa do que ela é. 

A professora Ticiane Coradini define o Festival de Woodstock como uma resposta de toda uma geração que conseguiu viver o seu sonho. As pessoas hoje precisam voltar a sonhar e acreditar na melhoria da vida delas, explica a mestre em Literatura Portuguesa pela UFRJ.

— Woodstock sonhava, eles queriam uma sociedade melhor, um sonho americano vivido por todos. 

Arthur Dapieve relata que problemas como a fila quilométrica dos carros, a falta de atendimento médico, de conforto e alimentos que representaram o Festival de Woodstock foram deixados de lado com o tempo. O caos que no final das contas deu certo pode ser descrito como uma experiência nostálgica, diz o jornalista.

— As pessoas esqueceram a lama, a falta d’água, as más condições de higiene. A nostalgia vem disso. A gente tende a ficar com as coisas boas do passado, aquela dor e aquela lama não incomodam mais. 

Curiosidade!

Pela superlotação da região de 2500 pessoas, Woodstock virou quase que uma causa humanitária: alimentar toda aquela gente ao longo daqueles dias de intensa música e caos. 

Na tentativa de dar de comer àquelas pessoas, produtores locais doaram um composto de cereais. Fazendeiros mandavam quilos e quilos de granola ao local.  Depois do evento a granola se tornou conhecida no mundo inteiro.

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Gustavo Magalhães – Fala!PUC

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