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Baseado na história – 10 anos de Marcha da Maconha

Baseado na história – 10 anos de Marcha da Maconha

Por Daniel Fabra – Fala!MACK
Fotos por Júlia Nagle – Fala!USP    

 
Marcha da maconha completa 10 anos de resistência contra a proibição

Marcha da maconha no MASP (Foto: Júlia Nagle)

Entre perseguições policiais, jurídicas e midiáticas, a trajetória da marcha da maconha é marcada pela luta contra a guerra às drogas. Em seu início, o movimento recebeu influência da Global Marijuana March (Marcha Mundial pela Marijuana), ocorrida em 07 de maio de 1990 em Nova York. Nascida no período da ditadura militar, começou com protestos pequenos, tendo pouca repercussão em nível nacional.

Porém, em 2002, o cenário de repressão absoluta não era o mesmo. E nesta data, a primeira marcha da maconha foi concebida. Cerca de 800 pessoas se reuniram no Posto 9, do Rio de Janeiro para discutir as leis antiproibicionistas.

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Em 2007, foi criada uma identidade para um movimento, tornando-se mais organizado e com um discurso mais homogêneo. Em 2008, o movimento tentou se espalhar entre 12 capitais brasileiras, mas decisões judiciais retrataram o movimento como criminoso por fazer apologia às drogas.

A repressão continuou até 2011, quando houve uma resposta policial violenta na tentativa de manifestação em São Paulo. Com isso, o STF teve que decidir a natureza legal do movimento. Atualmente, acontecem cerca de 420 marchas pelo mundo, sendo cerca de 42 delas no Brasil.

Neste ano, os manifestantes começaram a se reunir por volta das 14h no Vão Livre do Museu de Arte de São Paulo (MASP). Às 16h20, o protesto foi em direção à Praça da Sé. O movimento reuniu usuários, ativistas, além de youtubers que divulgam a causa. O Fala! conversou com alguns deles:

“Hoje em dia só pessoas que tem dinheiro conseguem tratamento com a Cannabis”, diz Daniel Fontenelle, 33 anos, ativista da causa. O manifestante diz que sua mãe possui Alzheimer e que depois do uso medicinal da erva, hoje “a qualidade de vida dela passou a ser muito maior”, afirma.

Manifestantes protestam contra a guerra às drogas ( Foto: Júlia Nagle)

“Eu pago 1000 reais por mês pra pagar remédio importado da Califórnia, quando eu poderia estar plantando a Cannabis aqui”, diz. O ativista ressalta que existem diversas plantas do tipo da Cannabis que tratam problemas específicos. “Em sentido econômico, para o país, seria muito rentável”, afirma. O manifestante diz que se levarmos em conta o sistema prisional e os processos jurídicos de tráfico, iria “encolher muito o orçamento”, economizando, de acordo com ele, 11 bilhões por ano.

“Tem exemplos de países desenvolvidos que há muito tempo já mudaram a sua política pública de drogas e a gente está na contramão”, afirma Natália Noffke, mais conhecida como a youtuber “Nah Brisa”. “Nós temos o genocídio da população periférica pois eles são os mais afetados, mas também nós temos uma visão errada do que é o traficante”, diz. Para ela, o traficante não é uma pessoa “de chinelos com um fuzil na mão” e sim, uma vítima de um sistema repleto de problemas sociais.

Natália Noffke, a Nah brisa (Foto: Daniel Fabra)

“O álcool já foi proibido nos anos 20 e o Al Capone só teve a influência que teve, por causa disso”, ressalta a influenciadora digital. Para ela, pautar a legalização da maconha, também é achar medidas para resolver problemas de segurança pública, economia e saúde pública.

Homem jogando panfletos antidrogas (Foto: Júlia Nagle)

Durante o protesto, um homem que estava distribuindo panfletos com os dizeres “Diga não às drogas”, subiu em um muro e começou a cuspir nos manifestantes, jogando seus panfletos para o alto. Alguns ativistas tentaram perseguir o indivíduo, porém, ele conseguiu escapar através das grades de um condomínio. Alguns manifestantes tentaram quebrar as divisórias, mas a organização da marcha se colocou na frente e ajudou a dispersar as pessoas.

 

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