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Futebol na América Latina é debate central do quarto dia da Semana de Jornalismo da PUC-SP

Por Thalita Archangelo – Fala! PUC

 

Com foco nas questões referentes à América Latina, a tradicional Semana de Jornalismo da PUC-SP, este ano na sua 39ª edição, trouxe na quinta-feira (26) a mesa “Futebol, Cultura e Fanatismo”. Os convidados para o debate foram José Paulo Florenzano, professor da PUC-SP com experiência na área de Antropologia do Esporte; Bernardo Buarque de Hollanda, autor do livro Torcidas Organizadas na América Latina; Edney Mota, autor do livro Ataque e Contra-Ataque e mediador da mesa; e Lu Castro (Ludopédio e Coletivo Futebol, Mídia e Democracia).

O fanatismo foi o ponto mais abordado pelo professor José Paulo Florenzano. Para ele, o futebol é uma junção de fanatismo religioso, político e futebolístico. Ele ainda ressaltou que o perfil do torcedor fanático teve sua origem no final da década de 60, quando surgiram as torcidas organizadas. Botafogo (RJ) e Palmeiras (SP) foram os primeiros clubes a sofrer com a violência de torcedores contra atletas do próprio clube.

Segundo Florenzano, essa violência, fruto do fanatismo, foi decorrente da ideia de obrigação de vencer, cobrada com mais força pela torcida organizada. “A ideia da obrigação entrou para a cultura das organizadas”, ressaltou o professor.

Para demonstrar a relevância das torcidas organizadas no decorrer dos anos, o documentário Territórios do Torcer foi transmitido durante o evento. Buscando demonstrar o caráter socialista nas torcidas organizadas, o filme mostrou como as grandes torcidas organizadas surgiram, tiveram seu declínio por conta das ações judiciais nas quais estiveram envolvidas e como, através do carnaval, expressam relevância social e cultural até hoje.

Para o escritor Bernardo Buarque de Hollanda, quando se pensa em torcida organizada no Brasil, já se estabelece uma ligação com problemas de vários âmbitos. Isso se dá, segundo Hollanda, pela judicialização desses grupos, ou seja, a interferência da justiça nas questões que envolvem as torcidas. Isso inclusive se manifestou na diminuição das torcidas jovens do Rio de Janeiro, lembra o escritor. Quanto aos casos de violência nas arquibancadas, ele afirmou que “deve haver uma forma que combine prevenção com repressão para a gente lidar com o complexo e dinâmico fenômeno das torcidas e da violência do futebol, não apenas do Brasil, como da América Latina”.

 

O Esporte e a Mulher

Na mesa também foi levantado o debate sobre o espaço que a mulher ocupa no esporte, em especial no futebol. A jornalista Lu Castro afirmou que apesar do futebol feminino do Brasil possuir certo destaque, dentro da América Latina não possui tanta expressão. Traçando um panorama, Castro afirmou que o Chile é forte na categoria, a Argentina não possui expressividade nos campeonatos e países como Venezuela, Uruguai e Paraguai estão se desenvolvendo.

Aqui no Brasil, Lu Castro lembra que times como Corinthians e Santos tem público nos jogos da equipe feminina, mas ainda com participação pequena dos torcedores e sem grande apoio dos clubes e órgãos oficiais.

Quando questionada sobre a demissão da técnica Emily Lima da seleção feminina do Brasil pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Castro afirmou que sua contratação não passou de encenação. A jornalista já fez parte de um Comitê da CBF direcionado à novas políticas dentro do órgão, mas não seguiu com o projeto pela impossibilidade de diálogo.

Lu Castro faz parte de diversas causas para maior participação das mulheres no cenário futebolístico, como por exemplo, a campanha #jogo10danoitenao, onde é defendido que os jogos de futebol sejam realizados em horários mais flexíveis. A jornalista também está engajada em movimentos que buscam a democratização do esporte e que combatam a elitização do futebol. “Esse tem sido meu papel no futebol feminino: brigar mais do que qualquer outra coisa”, afirmou.

 

Confira o documentário “Territórios do Torcer”:

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