Vodu: confira cinco mitos e verdades sobre a prática
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Vodu: confira cinco mitos e verdades sobre a prática

Vodu: confira cinco mitos e verdades sobre a prática

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Conheça 5 curiosidades sobre o Vodu e esqueça o estereótipo de que esta é uma prática maligna

Bonecos utilizados para machucar alguém a distância, maldições e rituais sombrios: é assim que o Vodu costuma ser retratado em filmes e desenhos, especialmente nos norte-americanos. Porém, na verdade, Vodu é o nome dado a uma religião de matriz africana com sua origem no Benim e que foi levada, por conta da escravidão, para países como Haiti, República Dominicana e Cuba. Sua tradição é baseada no culto à natureza e aos espíritos ancestrais, trazendo rituais de adoração aos Loas (Deuses do Vodu Haitiano) ou aos Voduns (Deuses do Vodum africano).

Por isso, aqui vai uma lista de mitos e verdades sobre o Vodu para acabar de vez com os estereótipos negativos sobre essa prática religiosa tão rica.

Mitos e verdades sobre o Vodu

1. O Vodu pratica magia negra?

magia negra
O vodu não se trata de uma magia negra. | Foto: Reprodução.

Falso! Além do termo “magia negra” ter um cunho racista por ser usado comumente para desrespeitar religiões de matriz africana, é importante desconstruir a visão estereotipada construída por Hollywood a respeito do Vodu. Em linhas gerais, as práticas são focadas na cura física e espiritual da comunidade, além de cultuar e oferendar as divindades.

As cerimônias no Vodu costumam ser repletas de músicas, danças, comidas típicas e saudações aos espíritos ancestrais.

2. É uma religião oficial

vodu
Religião Vodum. | Foto: Reprodução.

Verdadeiro! O Vodum é uma religião muito antiga, estima-se que ela tenha surgido no século XVII no Reino de Daomé, que atualmente ocuparia o território do Benim, na África Ocidental, e, por conta do tráfico de africanos escravizados, ela chegou às Américas e precisou se adaptar para sobreviver. Dessa forma, o Vodu Haitiano carrega traços do catolicismo em forma de sincretismo, isso foi fundamental para que os escravizados pudessem praticar sua fé escondidos dos seus senhores e para que a religião se mantivesse viva até hoje.

Por conta da importância cultural e social para esses dois países, o Vodum se tornou uma das religiões oficiais do Benim em 1992 e, em 2003, sua variação haitiana, o Vodu, se tornou uma das religiões oficiais do Haiti. Ainda que 85% dos haitianos considerem-se católicos, 80% dos católicos afirmam que praticam rituais de Vodu. No Benim, cerca de 60% da população pratica o Vodum e, no dia 10 de janeiro, é comemorado o Dia Nacional das Religiões Nativas do Benim, quando o Festival de Vodum é celebrado.

3. Os bonecos de Vodu existem

bonecos de vodu
Bonecos Vodum. | Foto: Haroldo Castro.

Sim, mas, diferentemente do que os filmes Hollywoodianos retratam, ele não é um instrumento de tortura, essa ideia é uma deturpação do significado real do que é o boneco Vodu. Na realidade, este artefato funciona como uma espécie de amuleto, utilizado para a realização de pedidos e desejos, como saúde, alegria, amor, emprego e sorte.

4. Quem pratica é satanista

Não! A religião Vodu não acredita em inferno ou Satanás, como a religião católica crê, na verdade, acredita em divindades, os Loas, responsáveis pela criação e equilíbrio natural da Terra. Um desses Loas, porém, é conhecido como o “diabo” na cultura popular, mesmo não sendo mal. A associação ocorre devido à proximidade com os seres humanos e com os espíritos, uma vez que Papa Lebá é o responsável por permitir ou negar o contato entre o mundo espiritual (Guinee) e o mundo físico. Ele reside na encruzilhada espiritual e também é quem abre os caminhos e afasta os espíritos negativos para que outros Loas possam chegar.

Papa Lebá
Papa Lebá. | Foto: Reprodução.

5. O Vodu se parece com o Candomblé brasileiro

Verdadeiro! Com a proximidade do Reino de Daomé, berço do Vodu, com o Reino de Oyó, berço do Candomblé, as religiões carregam diversas semelhanças, sendo, inclusive, consideradas variações da mesma fé em alguns casos. Isso se intensificou quando as duas crenças passaram por processos de sincretismos religiosos, mas mantiveram tradições como a música guiada por atabaques, as danças, oferendas e cores particulares de cada divindades. Além disso, alguns Orixás do Candomblé possuem atribuições e qualidades semelhantes aos Loas, como ocorre com o Orixá e com o Loa Ogum, representado como o senhor das guerras e do metal em ambas as crenças.

É possível afirmar, também, que o Vodu chegou ao Brasil, mas recebeu outro nome. O Candomblé Jeje, é praticado principalmente na Bahia e cultua os Vuduns, pois também foi trazido por escravizados vindos do Reino de Daomé, da etnia Jeje.

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Por Maria Eduarda Guimarães – Fala! UFRJ

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