Vincent Guttenberg: autor de Elementos do Poder concede entrevista
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Vincent Guttenberg: autor de Elementos do Poder concede entrevista

Vincent Guttenberg: autor de Elementos do Poder concede entrevista

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Vincent Guttenberg, autor do livro de fantasia Elementos do Poder, obra desenvolvida durante anos e publicada em 2020 pela Editora Coerência, fala sobre a obra que teve como influência Harry Potter e Game of Thrones. Sem acomodar-se na fundição desses dois títulos, trilha seu próprio caminho no decorrer da trama a partir de personagens únicos e profundos, com plot twists garantidos e uma batalha política épica.

Desde sua porta de entrada na literatura a spoiler de seu próximo projeto, confira, abaixo, a entrevista na íntegra e embarque em uma viagem ao mundo fantástico de Vincent Guttenberg.

Vincent Guttenberg
Vincent Guttenberg, autor de Elementos do Poder, em sessão de autógrafos. | Foto: Reprodução.

Vincent Guttenberg fala sobre a sua obra

Vincent Guttenberg, qual livro você acredita que tenha sido sua porta de entrada para o mundo literário?

Eu acho que o primeiro livro foi A Culpa É das Estrelas, porque eu não gostei do livro, eu achei o livro muito ruim e eu não gostei, aí acho que foi esse que me deu mais gatilhos para poder ler mais.

Em relação a isso, como você se descobriu escritor?

Eu me descobri escritor quando eu tinha 14 anos e eu assisti a uma entrevista da J. K. Rowling falando sobre Harry Potter, sobre como tinha sido a vida dela e aquilo, de certa forma, me inspirou, porque eu fazia teatro e aí eu parei, não é? Depois que eu tive que parar de fazer o teatro, eu vi uma necessidade de ter um contato com a arte, de querer me expressar de alguma forma. E aí, então, a entrevista que eu vi da J. K. Rowling e esse fato de eu ter parado de fazer teatro, me motivou bastante pra escrever Elementos do Poder.

Qual você acredita ser sua responsabilidade, quanto autor, em relação à mensagem a ser passada pela obra?

Eu acho que a minha responsabilidade é passar a minha visão mais filosófica da vida. Eu tento muito, nas minhas obras, colocar uma reflexão sobre as nossas ações, eu gosto muito de criticar as ações humanas, assim, a forma como a gente lida com o perdão, a forma como a gente pensa sobre o amor, sobre a morte. Então, eu gosto bastante de passar essas mensagens para o leitor, gosto de fazer as pessoas pensarem, sabe? Sobre seus valores. Eu gosto bastante disso.

Em sua opinião, qual você considera o principal motivo do desestímulo de brasileiros em relação à leitura, principalmente entre jovens?

Eu acredito que o desestímulo da leitura para com os jovens se deve ao fato de que o Brasil investe, sim, na educação, mas eu acho que o direcionamento, a matriz curricular das escolas públicas, é bem, bem baixa, acho que carece de muita coisa ainda. Eu acho que as escolas particulares estimulam mais os alunos a lerem, acho que a matriz curricular, o plano de aula é bem mais adequado, sabe? E também tem o fato das editoras brasileiras, eu acho que, sei lá, 60% disso também são dessas editoras brasileiras que não investem em autores nacionais, não é? O nosso país tem muitas obras estrangeiras, então, o mercado nacional de livros é muito fraco, muito fraco mesmo.

Então, acho que é uma cadeia de coisas, sabe? Vai desde a falta de investimento, a falta de planejamento curricular dos alunos, a falta de investimento das editoras em autores nacionais. A arte em si, no Brasil, é muito desvalorizada, eu acho que a gente tinha que valorizar muito mais a categoria artística do Brasil, que, infelizmente, não é. Eu acho, também que até criminalidade envolve nesse debate, é um assunto bem complexo de falar, mas eu acho que um país que tem altos índices de criminalidade também é favorável a apresentar um desestímulo à leitura, sabe? Então, é uma cadeia de coisas que influencia isso.

De onde vem sua inspiração? Há algo em suas obras que você considera inspirado na sua vida pessoal?

Inspiração, para mim, já deixou de ser algo que é combustível pra escrever, porque não dá para escrever só com inspiração, a gente não pode contar com inspiração. Mas o que me inspira, o que me faz escrever é, tipo, eu preciso passar as mensagens que eu quero para as pessoas. Eu acho que isso de alguém ler o meu livro e falar “Nossa, depois que eu li seu livro, eu mudei o meu pensamento em relação a tal coisa”, eu acho que isso é muito gratificante para qualquer escritor, não é?

Eu acho que isso me motiva, me inspira bastante para escrever. E não, não tem muita coisa pessoal nas minhas obras, porque a maioria é fantasia, então eu não coloco muito não, a não ser no meu livro de poemas, que é um livro bem pessoal, mas eu ainda não lancei.

Você tem algum ritual ou superstição antes de começar a escrever?

Toda vez que eu vou escrever, eu tenho que escrever com alguma bebida quente, seja um café, seja um chá, mas eu tenho que estar sempre bebendo alguma coisa quente. 

Já ocorreu de se sentir desconectado com uma história, ou personagem, ao ponto de ter que parar de escrevê-la definitivamente ou por um período de tempo?

Desconectado não, mas eu já dei bastante tempo para algumas coisas que eu estava escrevendo, mas era mais por causa de questão de tempo, mas nunca por desconexão. Quando a gente escreve, a gente deixa um tempinho a obra marinando, depois a gente volta a ler e começa a perceber um monte de erros que a gente não tinha visto antes. Eu faço muito isso, acho muito importante. Então, eu sempre deixava meio engavetada por alguns dias, algumas semanas e depois eu voltava, mas nunca me senti desconectado não.

Não podemos ignorar o projeto de lei que prevê a taxação de livros, você acredita que seja proposital como forma de elitizar ainda mais o acesso à cultura?

Com certeza, o projeto de lei que apresentaram é completamente elitista, é completamente imoral e só prejudica muito as editoras e o consumidor final, não é? Que somos nós. E prejudica os escritores também, porque se os livros ficam muito caros, as pessoas simplesmente vão parar de comprar. 

Em algum momento, você planeja se aventurar em outro gênero senão a fantasia?

Eu estou escrevendo agora Operação Parisa, que é um livro mais ação e drama. Ainda tenho o projeto do Elementos do Poder 2, que é a continuação, porque Elementos do Poder é uma saga que que eu estou planejando cerca de, mais ou menos, uns seis livros, até mais, dá para fazer bastante coisa com esse universo. Mas, por enquanto, eu estou querendo me aventurar mais nesse livro de ação e drama para conseguir outros públicos também, não é? Mas esse livro, eu acho que vai ser um dos mais importantes que eu vou escrever, porque vai abordar muito tema atual, muito tema polêmico, enfim. 

Pode contar um pouquinho do seu próximo projeto?

Operação Parisa vai contar sobre os atentados de 11 de setembro, vai contar a história de um advogado que perde a sua esposa no atentado e ele parte para o Afeganistão em busca de vingança. Mas lá ele acaba vendo que as coisas não são bem assim e que a vingança que ele tanto busca talvez não valha a pena, porque ele acaba encontrando uma criança e, enfim, vai ser uma aventura bem dramática. E eu estou bem ansioso para terminar.

Nós somos os vilões das nossas próprias histórias, mas nem sempre assumimos. O amor, a maior arma de destruição para um vilão com excesso de poder, é a nossa sentença.

Albert Mortlaine, personagem de Elementos do Poder, do autor Vincent Guttenberg.

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Por Carol Gonçalves – Fala! Cásper

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