Studio Ghibli: 5 filmes para assistir e se acalmar durante a pandemia
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Studio Ghibli: 5 filmes para assistir e se acalmar durante a pandemia

Studio Ghibli: 5 filmes para assistir e se acalmar durante a pandemia

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O Studio Ghibli foi fundado em 1985 e, desde então, tem criado sua história no mundo das animações. Seu próprio nome vem do apelido que os italianos usavam para o reconhecimento saariano durante a Segunda Guerra Mundial que, por sua vez, é derivado de uma antiga palavra árabe “sirocco” que, traduzida, significa algo como um forte sopro de vento quente que atravessa o deserto do Saara. A teoria por trás da escolha desse nome permeia a ideia de que, além de ter relação com o fascínio por aviação de Hayao Miyazaki, um dos diretores do estúdio, o Studio Ghibli traria novos ares para a indústria de animação japonesa.

Trouxe mesmo, e para além do espaço oriental. Alguns diretores de empresas como a Pixar já disseram que, em momentos de bloqueio criativo, colocam alguns filmes do Studio Ghibli para voltarem a produzir.

Contudo, no espaço ocidental, ainda há algumas desconfianças em relação a essas animações, justamente por não possuírem o mesmo ritmo frenético que têm as produções de Hollywood, por exemplo.

Responsáveis por trabalhar bastante em cima do que é chamado de slice of life (fatia de vida, traduzido livremente para o português), encontram beleza nos momentos mais banais da vida humana. Os diversos universos criados pelos diretores são repletos de bondade: as pessoas se ajudam, oferecem alimentos e trocam informações de maneira muito gentil.

Eu gostaria de fazer um filme que diga para as crianças: ‘é bom estar vivo’.

Hayao Miyazaki

Então, nada melhor que um pouco do Studio Ghibli para aliviar um pouco os ânimos durante essa pandemia do novo coronavírus. Aí vai uma lista com algumas das obras mais conhecidas para passar a quarentena com mais calma.

Studio Ghibli: 5 filmes para assistir na quarentena

5. Meu Amigo Totoro (1988)

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Meu Amigo Totoro (1988). | Foto: Reprodução.

É um dos filmes que abre mão do estilo épico e grandioso que muito se vê em outras obras de Miyazaki (que logo serão citadas), apostando numa esfera menor e mais humana, com menos história e grande enfoque nos personagens.

As protagonistas são Mei e Satsuki, duas irmãs cuja mãe se encontra internada e tendo um professor como pai. A família se muda para uma casa no campo, onde encontram uma grande criatura da floresta — a quem dão o nome de Totoro — e outros seres e guardiões mágicos.

O filme se trata de momentos das duas irmãs se adaptando ao novo ambiente e à nova vida e constantes encontros com Totoro, o qual pode voar, fazer árvores crescerem e tem um gato em forma de ônibus como amigo.

O grande Totoro ajuda as meninas a se distraírem e as acolhe naquele momento difícil, com a mãe hospitalizada que, não por acaso, é o ponto mais dramático da obra. A irmã mais nova é vista constantemente triste e com saudade da mãe, enquanto a mais velha se impede de sentir suas emoções para se mostrar uma figura forte que dá conta de cuidar de Mei.

Assim como em Ponyo, a animação é permeada pelo senso de aventura e o sentimento de novidade das crianças. Para elas, tudo é visto com muito entusiasmo, e é assim que também nos sentimos ao assistir ao filme.

4. O Serviço de Entregas da Kiki (1989)

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O Serviço de Entregas da Kiki (1989). | Foto: Reprodução.

O filme, baseado em um livro infantil japonês de mesmo nome, capta muito bem a capacidade do Studio Ghibli de emocionar e alcançar a excelência mesmo em seus filmes menores.

É contada a história de uma bruxinha de treze anos que, seguindo a tradição de seu povo, sai de casa com seu gatinho Jiji para encontrar um novo lugar para viver, tendo que se virar sozinha e alcançar sua independência. Ao longo da trama, ela vai conhecendo os moradores de sua nova cidade e fazendo novos amigos.

Há momentos melancólicos também, quando Kiki duvida de suas próprias capacidades, inclusive perdendo seus poderes, mas seguimos com a jornada da personagem, vendo-a superar seus maiores obstáculos e evoluindo de maneira orgânica.

O Serviço de Entregas da Kiki representa a realidade humana de maneira crível mesmo estando em meio a elementos fantásticos, sendo um retrato da adolescência: a personagem explora essa época cheia de descobertas, como quando nos percebemos parte de um mundo composto por outras pessoas, quando lida com sentimentos românticos por outra pessoa, ou quando deseja pertencer a um lugar e ser aceito. É desse jeito que nos reconhecemos nela e nos importemos com a sua figura.

3. O Castelo Animado (2004)

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O Castelo Animado (2004). | Foto: Reprodução.

Esse filme cria um universo muito próprio e atinge todo o seu potencial, explorando várias de suas particularidades. Possui personagens bem construídos e carrega mensagens anti-guerra e o tema familiar.

Conta a história de Sophie, uma funcionária de uma loja de chapéus que tem sua vida transformada após um encontro com Howl, um temido feiticeiro que vive em um castelo andante, um demônio em forma de fogo e um aprendiz que, ocasionalmente, se disfarça de ancião. Os personagens acabam formando uma grande e inconvencional família, encontrando conforto uns nos outros após tanto tempo se sentindo excluídos. Tudo isso enquanto uma guerra ocorre.

Apesar de apresentar um roteiro confuso e cheio de elementos sem explicação, O Castelo Animado se justifica e se compensa sendo um filme que trata mais sobre os personagens, a descoberta daquele universo e as sensações que ele nos passa, que a história em si.

2. Princesa Mononoke (1997)

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Princesa Mononoke (1997). | Foto: Reprodução.

Considerado por muitos um dos melhores filmes dos gêneros épico e fantasia da história do cinema, possui uma animação de cair o queixo e personagens muito bem construídos, que abrem mão de maniqueísmos (bem x mal).

Princesa Mononoke conta, na verdade, a história de Ashitaka, um jovem guerreiro protetor de sua vila que se vê amaldiçoado e precisa sair em busca de uma cura. Logo que sai de sua região, encontra-se em meio a uma guerra entre os humanos — liderados por Lady Eboshi, chefe da Ilha do Ferro — e os animais — comandados por San, chamada de Princesa Mononoke (expressão que significa espírito vingativo ou raivoso em japonês), uma humana que foi acolhida pelos deuses lobos da floresta ainda nova. Cabe a Ashitaka conciliar os dois universos.

Definitivamente, não é um filme para crianças, contendo cenas explícitas de violência e muito sangue, mas com uma narrativa que também exige maturidade para que seja entendida. Os dois pontos de vista são entendidos e têm suas vulnerabilidades e problemas, tornando a trama ainda mais interessante e envolvente.

1. A Viagem de Chihiro (2001) 

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A Viagem de Chihiro (2001). | Foto: Reprodução.

Um filme universal em sua linguagem é mais fácil de ser apreciado que Princesa Mononoke, por exemplo.

A trama se passa em um mundo fantástico, contando a história de Chihiro, uma menina que se vê sozinha em um ambiente mágico com criaturas mitológicas e feiticeiros que transformam seus pais em porcos. Apesar desses elementos surreais, é uma história real, curta e grossa de uma menina tentando sobreviver em um universo novo para ela e voltar para casa. São os elementos fantásticos que ajudam a dar corpo à história, mas eles não estão ligados diretamente à narrativa, podendo se ambientar em qualquer outra esfera cotidiana.

A Viagem de Chihiro trabalha com diversas camadas de profundidade, o que acaba agradando diferentes tipos de público: as crianças se encantam com o visual mágico e torcerão para que Chihiro saia vitoriosa em seus desafios, enquanto os adultos decifram as mensagens por trás da história e se prendem ainda mais à narrativa.

Além disso, assemelha-se à ideia de sonho: não entendemos o que está acontecendo em todos os detalhes desse universo, mas gostamos mesmo assim por estarmos encantados com esse mundo e embarcamos na mesma jornada da menina. Toda a aventura que ela vive é uma forma de nos mostrar o crescimento e o amadurecimento e como as memórias são importantes para a nossa história.

É o primeiro filme não-estadunidense a ganhar o Oscar de ‘Melhor Animação’, mostrando grandiosidade e criatividade.

Bônus: Ponyo — Uma Amizade que Veio do Mar (2009)

Ponyo
Ponyo — Uma Amizade que Veio do Mar (2009). | Foto: Reprodução.

Uma história voltada mais para o público infantil, não se prende muito à mitologia de seu universo e nem pretende explorá-lo, como os outros filmes da lista. Conta a história de uma peixinha que é encontrada por Sosuke com a cabeça presa em um pote de vidro. Denominada Ponyo, logo se torna uma menina com idade próxima à de Sosuke, que é perseguida pelo seu pai e pressionada para que volte para o fundo do mar, mas enfrenta todas as adversidades para ficar com seu novo amigo.

O filme narra a história de uma amizade singela entre o protagonista e nos faz acompanhar um mundo fantástico visto pelos olhos das crianças, sempre encarando tudo com um senso de aventura e descoberta, típico da infância, tratando-se muito mais sobre como elas encaram os acontecimentos que os acontecimentos em si.

Mensagens dos filmes

Muitos críticos ressaltam que o interessante dos trabalhos do Studio Ghibli e, principalmente, de Miyazaki, é a maneira como ele conduz os personagens e seus universos, muito enraizados na cultura japonesa em seu mais profundo nível, buscando uma conexão que é perdida aos poucos com o contato com a cultura americana, tanto que é comum sentir até mesmo um receio ao assistir às obras e não receber tantos estímulos visuais e sonoros a todo minuto.

A calmaria presente nos filmes do Studio Ghibli, mesmo em suas peças mais dinâmicas e que possuem diversas cenas de luta, traz para o público um momento para pensar e assimilar todas as informações que foram dadas até o momento, além de entregarem imagens belíssimas enquanto o fazemos.

Além disso, nota-se que grande parte de seus filmes possuem protagonistas mulheres. Mulheres que são vistas como inteiras, que não precisam de um herói para salvá-las e que lutam pelo que acreditam. E isso se reflete, parcialmente, na realidade do estúdio também: metade dos funcionários da empresa são mulheres. Contudo, há algumas controvérsias, como o fato de não ocuparem cargos de maior importância e não terem um único filme dirigido por uma mulher. Não é o que se define como feminismo em 2020, ainda mais no universo de um idoso nascido e crescido em uma cultura tão conservadora como a do Japão, mas certamente seus filmes fazem questão de fugir de um padrão patriarcal.

Os filmes também são pacifistas, antifascistas e ambientalistas. Miyazaki é bastante conhecido por seu lado ativista e suas obras são cercadas por suas convicções políticas. Pode-se observar isso com os temas como os horrores da guerra e suas consequências na vida cotidiana das pessoas e como ideologias de violência e desumanização nos desconectam e como o ser humano é responsável pelo que ocorre com o meio ambiente. Aqui, a violência não glorificada e tida como heroísmo como vemos muito em obras cinematográficas ocidentais.

Então, nesse momento em que o país se encontra em situação tão avassaladora com um governo que desrespeita tantas vidas, mensagens como as presentes nos filmes do Studio Ghibli são necessárias não apenas para nos acalmar, mas trazer um pouco de esperança e conscientização sobre o mundo.

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Por Fernanda Tiemi Tubamoto – Fala! UFMG

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