Qual a importância de Tchaikovski para o ballet contemporâneo?
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Qual a importância de Tchaikovski para o ballet contemporâneo?

Qual a importância de Tchaikovski para o ballet contemporâneo?

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Passos polidos para melodias delicadas e movimentos impetuosos em passagens intensas: ao acompanhar uma apresentação de Ballet clássico, é difícil não notar a relevância da trilha sonora para a composição da peça. Apesar de hoje ser evidente, a íntima relação entre a dança e a sinfonia não vem de berço. 

A relação entre Tchaikovski e o Ballet

O Ballet: breve história

O Ballet é uma arte com suas raízes nas cortes da Itália renascentista do século XV. Logo se difundiu pela Europa e principalmente entre a realeza francesa. À época, a performance era encarada como uma forma de entretenimento para ocasiões especiais, como cerimônias de casamento e nascimento.

Com a popularização do Ballet entre a elite, brevemente mestres, instrutores e coreógrafos passaram a atuar no meio, e a dança iniciou o caminho rumo à profissionalização. A primeira Academia nasceu em 1661, na França, sobre o nome de Académie Royale de Danse: lá, os primeiros passos e movimentos básicos passaram a ser institucionalizados.

Quadro de Edgar Degas, “La classe de danse".
Quadro de Edgar Degas, “La classe de danse”. | Foto: Met Museum. 

A partir de 1800, ainda nas cortes da Europa, o Ballet estreia o uso da sapatilha de ponta e consagra alguns termos técnicos que perduram até os dias de hoje. Ainda neste período, em meados de 1830, tem-se o início da fase Romântica da dança: época emblemática que foi marcada pela diferenciação das atuações entre os gêneros e pela ênfase na feminilidade e no “misticismo”.

Edgar Degas mostra a relação entre a música clássica, como a de Tchaikovski, e o ballet em 'The Dancing Class".
Edgar Degas mostra a relação entre a música clássica, como a de Tchaikovski, e o ballet em ‘The Dancing Class”. | Foto: Met Museum.

Até então, o Ballet já havia se popularizado na Rússia, mas é somente a partir da segunda metade do século XIX que o protagonismo da dança se volta para o país: resultado da atuação dos coreógrafos e compositor Marius Petipa, Lev Ivanov e Piotr Ilyich Tchaikovski.

Tchaikovski e o Ballet

Até então, a música reproduzida durante as apresentações servia apenas como acompanhamento e plano de fundo para os movimentos, sem relação direta com a história ou qualquer protagonismo. As composições de Ballet não tinham a sua importância reconhecida e muito menos se comparavam com as sinfonias apresentadas em teatros.

A mudança neste padrão veio a partir da composição da obra Lago dos Cisnes, por Tchaikovski. À época, nenhum compositor sinfônico se dedicava ao Ballet, mesmo assim o artista aceitou a oferta para trabalhar em uma melodia que acompanha a história inspirada no tradicional conto folclórico russo.

A complexidade de Lago dos Cisnes era algo nunca experimentado pelo Ballet e, devido a isso, a sua primeira apresentação em 1877 no Teatro Bolshoi – Moscou – foi um fracasso entre a crítica, a audiência e entre os próprios bailarinos, que tinham dificuldade em harmonizar os movimentos com a sinfonia.

 A composição só ganhou a cara e o sucesso que desfruta hoje depois de ajustes feitos pelo coreógrafo Marius Petipa, em 1895, quando ocupava o cargo de Primeiro Mestre de Balé no teatro. Tchaikovski não presenciou o triunfo e a importância que a sua primeira obra destinada ao Ballet experimentaria, já que veio a falecer em 1893. Ainda assim, em seus últimos anos de vida trabalhou em mais duas sinfonias que mais tarde também se tornaram um marco para o Ballet clássico: A Bela Adormecida e O Quebra Nozes.Hoje, o compositor russo é considerado um importante contribuinte para o repertório da arte, além de que suas obras inspiraram diversos mestres sinfônicos, como o ilustre Igor Stravinsky.

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Por Isabelle Aradzenka – Fala! Cásper

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