Criado em 1961, o Programa Mundial de Alimentos da ONU venceu o Nobel da Paz esse ano. Participação da organização no Líbano foi essencial para reestabelecer a vida daqueles que ficaram desabrigados depois de explosão na capital.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU, com sede em Roma, atua em situações como a do Líbano: dá comida às vítimas de conflitos, enchentes, secas, terremotos e também pandemias.
Criado em 1961 por uma iniciativa do presidente americano Dwight Eisenhower de usar a ONU para erradicar a fome no mundo, é possivelmente a maior entidade do mundo para tal fim atualmente. O órgão tem um corpo de 17 mil funcionários. Em 2018, conseguiu arrecadar US$ 7,2 bilhões e atendeu 86,7 milhões de pessoas.
O anúncio da atribuição do Nobel da Paz foi feito hoje em Oslo pela presidente do comitê, Berit Reiss-Andersen. “A necessidade de solidariedade internacional e cooperação multilateral é mais notória que nunca. O Comitê Norueguês decidiu entregar o Nobel da Paz de 2020 ao Programa Alimentar Mundial pelos seus esforços no combate à fome, pela sua contribuição para melhorar as condições para a paz em áreas afetadas pelos conflitos e por atuar como uma força motora nos esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito”, afirmou ela.
O Comitê Nobel lembrou também que a pandemia de coronavírus contribuiu para um aumento no número de vítimas de fome no mundo. Cerca de 135 milhões de pessoas tiveram problemas graves com falta de alimentação em 2019 e pode ser o dobro esse ano, de acordo com a organização vencedora do Nobel.
O Programa teve que se adaptar, porque, com o Covid-19, o transporte virou um desafio maior. O órgão tem se disposto a ajudar os governos de diferentes países a pensar em estratégias de resposta às consequências da pandemia.
No Líbano, o grupo distribuiu 12,5 toneladas de farinha de trigo para tentar estabilizar a oferta do ingrediente e manter o preço do pão o mesmo. Depois de um acordo com o Ministério da Economia e Comércio, as padarias aumentaram o tamanho dos pacotes de pães em mais de 10%, sem subir o preço.
O diretor executivo do Programa Alimentar Mundial, David Beasley, mostrou-se honrado e afirmou que o prêmio é para uma “família” que trabalha nos locais mais complicados do mundo para combater a fome das populações.
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Por Domitilla Mariotti / Redação Fala!