Parada LGBTQIA+: das ruas para a Internet
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Parada LGBTQIA+: das ruas para a Internet

Parada LGBTQIA+: das ruas para a Internet

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A Parada LGBTQIA+ surge em memória da Revolta de Stonewall, um bar em Nova York, que era um ponto de encontro e seguro para pessoas LGBT+. No dia 28 de junho de 1969, policiais invadiram o local e deram voz de prisão a todos os presentes. Em resposta à repressão policial surge o Dia do Orgulho LGBT+, foram seis noites de manifestações que marcaram o movimento social, e assim junho tornou-se o mês oficial de comemoração e resistência.

A Parada LGBTQIA+ de São Paulo, maior manifestação do gênero do mundo, é realizada desde 1997 e, mais uma vez, pelo segundo ano seguido, teve de ser adiada devido à pandemia da Covid-19. As paradas do Orgulho LGBT de outros municípios também precisaram se adaptar a esse cenário. As grandes celebrações, multidões e cores foram substituídas por lives no YouTube nesse período. 

Parada LGBTQIA+
Parada LGBT+ na Avenida Paulista, em São Paulo. | Foto: Reprodução/ Mídia Ninja

Entrevista com o Presidente da APOLGBT

Valter Corrêa Junior, Chiclete, presidente da APOLGBT (Associação de Apoio às Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais) do Litoral Paulista, diretor de Cultura da Liga Carnavalesca de blocos e bandas em São Vicente, contou os desafios de realizar o evento de forma virtual e a importância de celebrar o Orgulho LGBT mesmo em ano de pandemia. 

O presidente da APOLGBT do Litoral Paulista explica as dificuldades de realizar o evento de forma online, por falta de recursos: como câmeras, aplicativos de filmagem e a falta de cenário.

Em 2020 realizamos a parada online por causa da pandemia e foi simples, foram apenas dois celulares e montamos em uma sala… (risos) foram 4 horas de duração, tivemos que fazer rifas e pagar o suporte de um aplicativo para a imagem ficar bonitinha, parecendo um programa de TV e a imagem não ficou perfeita, não tem a mesma qualidade de uma câmera […] mas eu fiquei feliz, foi humilde e simples mas conseguimos passar a mensagem que queríamos

Valter Corrêa

Ato político

Para Valter, o evento, antes de ser uma festa, é um ato político que representa a resistência e a vida de tantas pessoas que se foram para a conquista dos direitos da comunidade. ‘’É óbvio que hoje ela (a parada) se tornou a cereja do bolo, mas em muitas cidades têm a Semana da Diversidade, que é organizado debates e palestras para a conscientização.’’ 

Parada LGBTQIA+
Parada LGBT+ em São Vicente-SP- 2019. Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal.

O atual presidente da APOLGBT do Litoral Paulista relata como começou a participar do movimento LGBT+: ‘’meu trabalho de militância faz 21 anos, eu comecei com as caravanas, chamava ‘Chiclete leva você’, que eram caravanas que levavam as pessoas para a Parada de São Paulo e Rio de Janeiro’’. Valter conta que conheceu um grupo de amigos que começaram a questionar o fato de não ter Paradas na baixada paulista e a falta de políticas públicas para a diversidade, sua trajetória foi marcada pela persistência e dedicação para conquistar espaço para a população LGBTQIA+ em São Vicente-SP. 

De acordo com o entrevistado, o panorama social está melhor para pessoas LGBTQIA+ comparando ao passado, para ele, a mídia e a internet têm incentivado a discussão e estão se tornando cada vez mais populares. 

No entanto, também chama a atenção para a forma como as crianças são socializadas, que opera com a imposição de papéis sociais determinados pelo sexo da criança, ou seja, meninos aprendem que brinquedos para eles são aqueles que estimulem competição e violência, enquanto as meninas são estimuladas a vida doméstica e a maternidade. Nesse sentido, as crianças que não seguem esse comportamento serão reprimidas e ridicularizadas, o entrevistado também ressalta a importância do acolhimento da família para a população LGBT+. 

Além disso, Valter criticou o governo Bolsonaro por manter visões contrárias aos movimentos sociais e aos Direitos Humanos. Ele também cobrou mais consciência política da comunidade para eleger candidatos comprometidos com a causa.

A gente precisa se organizar, nós realizamos a maior parada do mundo que é a Parada de São Paulo, somos o país que mais realiza Paradas do Orgulho LGBT, só pelo número de paradas que temos… se fossemos um grupo organizado, coeso, que se mobiliza, nós teríamos uma bancada em Brasília

Valter Corrêa

Parada LGBTQIA+ de 2021: A luta que já vencemos

Parada LGBT+ São Paulo
Fotos da Parada LGBT+ em São Vicente-SP. | Foto: Reprodução/ Arquivo Pessoal

Segundo Valter, neste ano, a Parada será realizada novamente online, o tema da Parada de São Vicente de 2021 será ‘’a luta que já vencemos’’, em comemoração aos vinte anos da Lei nº 10.948, que foi implantada em 05/11/2001 e dispõe sobre as penalidades a serem aplicadas à prática de discriminação em razão de orientação sexual e dá outras providências, no estado de São Paulo. 

Neste ano, a programação será ampliada com a Semana da Diversidade a partir do dia 11 de novembro, que contará com palestra sobre os direitos das pessoas LGBTQ+, Cine Debate, realização de exames rápidos de DST, e também o Concurso de Drag Queen do Litoral. Além disso, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Vicente vai arrecadar alimentos para pessoas em situação de vulnerabilidade social e a Parada na internet tem duração prevista de 5 horas.

Bastidores da Parada LGBTQIA+

​Valter enfatiza que existe um intenso trabalho coletivo nos bastidores para a concretização do evento, destacando a importância de Sasha, André Lima e Junior Rocha, além do Dr. Fernando Paulino e Dr. Eduardo Clima para a realização da Parada LGBT+ de 2019. Ele também explica que o evento não tem ajuda do poder público.

 ‘’Vale ressaltar que tanto a Parada presencial de 2019 como a Parada virtual de 2020 não recebi um tostão de poder público, prefiro buscar a ajuda de patrocinadores e apoiadores particulares.’’

Parada LGBT+ São Paulo
Valter Côrrea Junior (Chiclete) e Júnior Rocha. Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal.

Projetos da APOLGBT

Durante esse período de pandemia, a organização APOLGBT precisou substituir os encontros presenciais por lives, também mantiveram as campanhas de doação de alimentos e criaram o projeto de arrecadação de absorvente. Dessa forma, essas ações buscam contribuir para a união da comunidade, mesmo à distância.  ”O nosso mês da diversidade na cidade de São Vicente é em novembro, mas sempre estamos fazendo algo para levantar a bandeira e atender às necessidades de nossa comunidade.’’

Valter Correa explica que, com o fim da Pandemia, estão buscando realizar encontros e debates presenciais, e por isso procuram apoio financeiro para abrir a sede administrativa e de apoio à diversidade em São Vicente. 

Pink Money

O tema Pink Money tem gerado grande repercussão na internet, o termo em inglês se refere ao uso de pautas sociais pelas empresas e marcas para vender produtos, que são direcionados para pessoas LGBTQ+. Os críticos reclamam do esvaziamento do discurso ideológico que utiliza de uma pauta séria com o único interesse financeiro, e muitas vezes essas mesmas empresas não possuem políticas públicas de inclusão à diversidade dentro da instituição. 

No entanto, Valter observa esse cenário de forma  positiva, pois é assim que  eles ganham apoio e financiamento para a  Parada e campanhas sociais, embora ache que devem ampliar sua participação e investir principalmente em eventos de pequenas cidades, inclusive explica que a APOLGBT Litoral reúne 25 Paradas juntas e que estão buscando apoio de instituições para realizar o evento nas cidades. Dessa forma, as empresas aliadas à causa devem não apenas apoiar a realização da Parada, mas também promover ações ao longo de todo ano e contratar pessoas LGBTQIA+.

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Por Ana Lívia Menezes – Fala! UNESP 

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