Pandemia de Covid-19: Como o mundo está se preparando para 2022
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Pandemia de Covid-19: Como o mundo está se preparando para 2022

Pandemia de Covid-19: Como o mundo está se preparando para 2022

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O secretário-geral da OMS Tedros Adhanom. | Foto: Reprodução.

Foi no dia 11 de março de 2020, uma quarta-feira, que a Organização Mundial da Saúde declarou pandemia mundial do novo coronavírus, o Sars-Cov-2, causador da Covid-19. Há quase dois anos o mundo lida com as consequências e os impactos da doença que atravessou fronteiras e afetou a vida de milhões de pessoas. Medidas de prevenção como distanciamento social, quarentena, uso de máscaras e testes rotineiros foram práticas adotadas por diversos países e mantidas ao longo desse quase biênio.

Aqui no Brasil, apesar dos posicionamentos negacionistas e deliberadamente antivacinas do presidente Jair Bolsonaro, o país vive hoje uma fase mais branda de contaminação e mortes, graças à vacinação, com média de 145 óbitos diários segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa publicado no Portal G1 no dia 16 de dezembro. Mas o que podemos esperar da pandemia no ano de 2022?

VACINAÇÃO CONTRA A COVID-19 E A DESIGUALDADE ENTRE OS PAÍSES

Ayoade Alakija durante entrevista à BBC, sobre a nova variante da Covid-19.
Ayoade Alakija durante entrevista à BBC, sobre a nova variante da Covid-19. | Foto: Frame/BBC.

Ayoade Alakija, a porta-voz da Aliança Africana para a Entrega de Vacinas, deu uma entrevista em que viralizou ao expressar a indignação e frustração com a reação dos países ricos após a África do Sul identificar pela primeira vez a variante Ômicron. A fala de Ayoade vai de encontro ao consenso de cientistas que, desde o início das campanhas de vacinação, defendem que não adianta apenas uma parcela de países avançar na imunização, enquanto outros países sofrem com a pouca cobertura. A pandemia só será combatida quando todo o planeta alcançar uma alta taxa de cobertura vacinal.

A desigualdade mundial no acesso às vacinas é um fator determinante para o surgimento de novas variantes e a postergação da pandemia de Covid-19. O secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom, sempre defendeu que antes das grandes potências iniciarem uma dose de reforço, seria necessário um esforço coletivo para auxiliar os países que ainda estivessem com menores percentuais de vacinação. Isso não aconteceu.

De acordo com a BBC News Brasil, o continente africano é o mais deficitário em cobertura vacinal, com apenas 7% da população totalmente imunizada, segundo informações divulgadas em 30 de novembro.

ÔMICRON

A variante Ômicron foi detectada pela primeira vez no continente africano.
A variante Ômicron foi detectada pela primeira vez no continente africano. | Foto: Getty Images

A descoberta da nova variante Ômicron, sequenciada pela primeira vez na África do Sul, está causando preocupação em cientistas de todo o mundo.

O surgimento da Ômicron tem causado maior cautela da classe médica e de especialistas porque ela já se tornou a variante de maior número de mutações, somando um total de 50. Dessas, 30 mutações estão localizadas na proteína spyke, a via de acesso do vírus ao organismo humano.

Especialistas também notaram que os sintomas da nova variante se diferem das anteriores. Em entrevista à BBC, o imunologista e geneticista canadense John Bell relatou alguns desses sintomas, tais como: dor de garganta, músculos doloridos, com destaque a região lombar, nariz entupido, mal-estar intestinal e fezes moles.

Ainda não há dados concretos sobre a taxa de transmissibilidade ou nível de gravidade da doença quando causada pela Ômicron, mas já se sabe que essa é uma variante altamente contagiosa, sendo duas ou três vezes mais que a Delta.

No Brasil, os primeiros casos de infecção pela nova variante foram confirmados em 30 de novembro e já somam 24 casos de Covid-19 causados pela Ômicron, segundo informações da CNN Brasil, do dia 15 de dezembro, com dados das secretarias estaduais de Saúde.

O FUTURO DA PANDEMIA NO BRASIL, A EXPECTATIVA DA OMS E DE OUTROS PAÍSES

Apesar da chegada da variante Ômicron no país há quase duas semanas, o Brasil segue registrando queda no número de casos e mortes por Covid-19. Com base nesses dados, as expectativas, de fato, são positivas. Mas isso não significa necessariamente que estamos caminhando para o fim imediato da pandemia. Como exemplo, outros países europeus já enfrentam aumento significativo dos casos após o surgimento da variante, que já se encontra em mais de 60 países. Na segunda-feira, dia 13 de dezembro, o Reino Unido confirmou a primeira morte causada pela Ômicron.

Diante dessa nova e incerta realidade, a Organização Mundial da Saúde disparou o alerta de “risco global muito alto” de proliferação da nova variante por conta da possibilidade de escapamento à proteção das vacinas aplicadas em larga escala ao redor do mundo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária. | Foto: Reprodução.

Por outro lado, uma nova notícia aqui no Brasil dá a esperança de dias melhores pela frente. Na quinta-feira, dia 16 de dezembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina da Pfizer em crianças entre 5 e 11 anos de idade. A decisão, ovacionada pela classe médica, vai de encontro a preocupação de cientistas e especialistas com os casos mais graves da doença para a faixa etária dos mais jovens que até aqui não tem qualquer proteção contra a doença.

A campanha vacinal das crianças ainda não tem data para iniciar. Para isso, o Ministério da Saúde precisa comprar novas doses e estabelecer a logística de distribuição e aplicação nos próximos meses. Mas, com isso, podemos esperar um 2022 com uma cobertura vacinal mais extensa entre as faixas etárias dos brasileiros.

Portanto, independente de qualquer previsão mais ou menos positiva do que virá no próximo ano, o que é consenso entre médicos e cientistas é o fato de não abandonar os cuidados básicos e imprescindíveis com a saúde, como o uso de máscara, o distanciamento sempre que possível e a manutenção das doses da vacina.

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Por Gustavo Torquato – Fala! Universidade Federal Fluminense

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