Os efeitos da pandemia de Covid-19: Caso rede de hotéis Canariu’s
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Os efeitos da pandemia de Covid-19: Caso rede de hotéis Canariu’s

Os efeitos da pandemia de Covid-19: Caso rede de hotéis Canariu’s

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O ano de 2020 definitivamente não foi o ano esperado. Desde março do ano passado, o Brasil enfrenta a pandemia de Covid-19, que afetou diversos setores do país, dentre eles, o turismo, um dos setores importantes para a economia. De acordo com uma análise realizada pela BRAZTOA (Associação Brasileira das Operadoras de Turismo), o turismo é considerado a quarta economia do país, perdendo apenas para a mineração, setor automotivo e agricultura. Agora imagina, que em um piscar de olhos essa realidade se altere. Foi o que aconteceu no último ano e que ainda está acontecendo. 

Como os hotéis foram impactados pela pandemia de Covid-19

Como os hotéis foram impactados com a Covid-19.
Aqui vemos métricas de pesquisa da palavra “Hotel”, de acordo com o Google Trends, onde “100” significa o pico de popularidade do termo, “50”, metade da popularidade e “0”, significa que não houve dados suficientes sobre o termo. | Foto: Google Trends. 

Dos setores do Turismo, a hotelaria foi visivelmente afetada, como podemos observar no gráfico acima, o qual retrata uma queda brusca nas pesquisas do termo “hotel”, no Brasil, entre o ano de 2019 e 2021. Além disso, segundo dados do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), e fornecidos pela BRAZTOA, o desempenho do setor de hotelaria, medido pela Receita por Apartamento Disponível (Revpar), em 2020 teve uma redução média de 52,9% em relação a 2019, com uma média anual de ocupação de 49,9% de forma global. 

O medo de contrair Covid-19 e a ausência de uma vacina capaz de evitar o contágio da doença no ano de 2020, fez com que o setor respirasse uma crise que parecia não ter fim. Como podemos observar o caso da rede de hotéis Canariu’s, de Pernambuco. Em entrevista exclusiva, a gerente corporativa de três unidades da rede, localizadas em Gaibú, Gravatá (voltados para o lazer) e Boa Viagem (focado no público empresarial) Rosane Knack, contou um pouco sobre a situação geral do hotel e como está hoje em dia. “Operacionalmente para conduzir os hotéis é muito difícil, porque você não pode ter o mesmo quantitativo de colaboradores que você tinha antes da pandemia”, disse a gerente. 

A rede de hotéis

Unidade Gaibu.
Unidade de Gaibu. | Foto: Reprodução/Hotel Canárius.

A rede de hotéis Canariu’s, com mais de 30 anos de atuação no mercado, como descrevem em seu website, conta com três unidade em Pernambuco: Canariu’s Palace Hotel em Recife, mais voltado para o corpo corporativo, Hotel Canariu’s D’Gaibu no Cabo de Santo Agostinho e o Hotel Canariu’s de Gravatá, localizado na cidade de Gravatá, os dois ligados ao lazer. Ambos os hotéis apresentam estruturas capazes de fornecer o melhor da hotelaria para seus clientes de acordo com a sua preferência. Juntando todas as unidades, a rede conta com cinema, restaurantes, academia, chalés, wi-fi e até centro de convenções, que muitas das vezes é usado para eventos de empresas, que fica em Gravatá. No entanto, a pandemia impediu que tais eventos continuassem, o que levou o hotel a uma situação crítica.

Ao longo da entrevista, Rosane comentou sobre a quebra de expectativa que foi o ano de 2020. Para ela, a queda do setor pode ser comparada a uma viagem dos sonhos bem planejada e que em um piscar de olhos foi cancelada. “Nós tínhamos o hotel sempre com  90% a 100% de ocupação e hoje 30% a 35%”, afirma a gerente. Mas como o hotel lidou com essa queda? Quais foram as manobras adotadas? Segundo ela, manter as unidades funcionando ainda é um desafio, mas que faz de tudo para manter a mesma qualidade de hospedagem que tinham antes da pandemia, ainda que tenha ocorrido uma diminuição dos custos. 

Em relação a manutenção do hotel, a gerente informou que apenas gastam no essencial.  “A manutenção é uma coisa bem complicada, que podemos pensar que não, mas as unidades que não estão sendo ocupadas, precisamos ligar ar condicionado, televisão, precisamos ter a mão de obra que limpe, que mantenha os apartamentos, porque equipamentos parados queimam também, estragam, danificam, placas oxidam, nós temos hotéis de beira de mar [Gaibu]”, completa a gerente. Agora, fazer uma mudança drástica no hotel, ou seja, colocar um projeto novo em prática, já fica inviável, justamente porque precisam economizar para conseguirem se sustentar nos próximos meses que virão.

Unidade do hotel sofre por causa da Covid-19.
Unidade de Gravatá. | Foto: Reprodução/TripAdvisor.

Com a pandemia de Covid-19, não somente o número de buscas para o hotel diminuíram, como também o número de cancelamentos de estadas. Rosane afirma que ocorreram muitos cancelamentos logo no início, além de prorrogações de estadas. Por conta disso, a diária média do hotel caiu e ainda assim tiveram que continuar com a mesma qualidade de sempre, pois, segundo a gerente, é um mercado competitivo e de constante avaliação. Em um mundo onde as informações são voláteis, qualquer opinião a respeito do hotel e que apareçam nos sites de busca, como a Tripadvisor e Booking.com, repercute rapidamente.  

Layout do site Booking.com.
Layout do site Booking.com e sinalização, em vermelho, da parte de avaliações do site. | Foto: Reprodução/ Booking.com.

Com a ausência de eventos, o hotel foi afetado economicamente, em especial na unidade de Gravatá, que tem um centro de convenções com capacidade de até 3350 pessoas. Além disso, a mesma unidade também registrou uma diminuição drástica de estadas. Segundo a gerente, dos 225 apartamentos menos de 40 estão ocupados. “Sem a malha aérea, a hotelaria vai ter ocupação apenas no final de semana. No final do mês, quando você planilha o faturamento, ele está lá embaixo, porque, praticamente, segunda, terça, quarta e quinta, o hotel não tem ocupação”, acrescenta.

Em relação às medidas que foram tomadas para evitar a disseminação do vírus, Rosane Knack afirma que estão seguindo todas as normas da Covid-19 impostas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), para que seus hóspedes e funcionários estejam em segurança. Ela afirma que existe planejamento e controle de higienização para que isso funcione de maneira eficiente. “Estamos seguindo todas as normas da OMS e todos os apartamentos são muito bem fiscalizados, são bem orientadas as equipes para que possamos desenvolver um trabalho de excelência e cuidando tanto dos nossos colaboradores como dos nossos hóspedes”, afirma a gerente.  

Por fim, foi perguntado quais eram as suas expectativas para o pós-pandemia de Covid-19. Apesar de existir uma vacina atualmente, os números não mudaram muito, porém a previsão de retomada começou a dar esperança para aqueles que trabalham na área. Ela acredita que os hotéis que conseguirem sobreviver, irão se reerguer, pois “as pessoas não aguentam mais  ficar em casa. Agora tudo isso vai depender do tempo que essa pandemia vai durar e do poder financeiro que cada pessoa vai ter ao longo dessa pandemia”, afirma. E, além disso, “se as pessoas começarem a se restabelecer financeiramente, a ter segurança no seu trabalho, se a população for vacinada, as pessoas vão sair muito, elas vão viajar muito e aí sim, o turismo vai voltar e acredito que nós vamos atingir novamente 100% de ocupação nos hotéis”, acrescenta.

O futuro do turismo 

A pandemia de Covid-19 impactou diretamento o turismo no Brasil.
A pandemia de Covid-19 impactou diretamento o turismo no Brasil. | Foto: Exame.

O turismo em 2019, representou 10,3% do PIB (produto interno bruto) brasileiro e contribuiu com R$270,8 bilhões, segundo dados fornecidos pelo Conselho Mundial de Turismo (WTTC, em inglês). 2020 tinha a tendência de ser um ano paradisíaco para o setor de turismo, mas não foi bem isso que aconteceu. Uma pandemia apareceu e os planos do setor para esse ano mudaram. De acordo com o agente de turismo e um dos donos da agência de viagens Travel Place, Augusto Simas, será uma recuperação lenta para que tudo volte, pelo menos, ao faturamento de 2019. 

Ainda que tenha se falado muito do “turismo da vacina”, de acordo com Augusto Simas e Rosane Knack, essa possibilidade é inexistente no Brasil. Até porque não há uma quantidade suficiente nem para a própria população. Para Simas, esse tipo de turismo é um movimento da elite, “é um movimento que está acontecendo não só na minha agência como em todas as agências”, acrescenta.

Para 2021, o Turismo doméstico, no Brasil, ainda é visto como forte aliado do setor, já que não é necessário fazer grandes deslocamentos. “Tem de certa forma uma clientela ainda represada, uma clientela que tinha muito medo e agora está com uma percepção menor de medo ou que está vacinado e está começando a viajar pelo Brasil”, afirma o agente. O que será ótimo para a rede de hotéis Canariu’s, já que, de acordo com a gerente, a maioria dos hóspedes atualmente são da região ou de localidades próximas, como Maceió e João Pessoa. Porém, não será algo que permanecerá, pois, segundo Simas, ele poderá sofrer um pequeno declínio a partir de 2022, sendo substituído pelo turismo fora do Brasil.

Por conta da pandemia de Covid-19, existe uma grande preocupação com a saúde, logo, para Simas, a tendência é a busca por lugares mais abertos, ao ar livre, com destinos que tenham maior contato com a natureza, que variam desde praias isoladas até parques nacionais. A expectativa é de uma forte recuperação, já que, por conta da pandemia, muitos ficaram em casa sem poder ter acesso a uma vista diferente. Há também uma forte tendência por viagens mais longas e mais caras.

Segundo Simas, o Turismo de negócios não retornará 100%, justamente por conta do home office. “Quando a gente pensa em uma viagem a negócio, esse tempo que o cara perdia em aeroporto, check-in, check-out, táxi, hoje em dia a gente se coloca cara a cara e resolve de casa”, afirma. O home office diminuiu as distâncias, o que facilitou o trabalho de muitos. Dessa forma, investir em viagens corporativas não seria tão vantajoso.

Em relação a retomada do setor de maneira geral, Simas acredita que ocorrerá em 2023, devido à limitação econômica que está estreitamente ligada à economia do país. Isso levando em consideração a recuperação do viajante de classe média alta, já os demais, a expectativa é de que retorne em 2024 com a Covid-19 já controlada.

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Por Eduarda Knack – Fala! UFRJ

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