Origem da Linguagem: quais as línguas mais antigas do mundo?
Menu & Busca
Origem da Linguagem: quais as línguas mais antigas do mundo?

Origem da Linguagem: quais as línguas mais antigas do mundo?

Home > Entretenimento > Cultura > Origem da Linguagem: quais as línguas mais antigas do mundo?

Certamente, dúvidas sobre a origem do Universo e da humanidade já se manifestaram no pensamento de cada um. A curiosidade acerca da linguagem também não escapa. Afinal, todos os idiomas seriam frutos de uma única língua? De onde e por que surgiram tantas variações e quais os linguajares mais antigos do mundo? 

Refletir sobre as diferenças e, principalmente, as semelhanças entre as línguas é analisar o próprio comportamento humano e buscar entender onde se encontra o berço do mundo que conhecemos hoje. 

Antes de tentarmos buscar respostas às perguntas propostas, é essencial compreender brevemente sobre a estrutura do pensamento humano e qual o papel da linguagem para a existência.

Saiba qual a origem das línguas mais antigas do mundo

Estrutura da Linguagem

Em linhas gerais, o desenvolvimento da linguagem verbal está diretamente ligado ao nascimento de uma coisa muito importante: nossa capacidade de criar representações. No cotidiano, lidamos mais com símbolos e representações do que com as coisas propriamente ditas. A linguagem verbal é um tipo extremamente refinado de representação simbólica.

afirma o Doutor em Ciência Sociais, Professor e Pesquisador em Comunicação Luís Mauro Sá Martino.

A comunicação através de signos – como letras e palavras – está ligada a uma complexidade de abstração que apenas a espécie humana pode desenvolver. Por exemplo, quando mencionamos a palavra ‘brigadeiro’, logo o docinho vem à nossa mente, mesmo que o termo não se pareça em nada com o item propriamente dito, diferentemente de uma fotografia ou de um desenho.

O que é essa ideia de ‘representação simbólica’? Em termos mais técnicos, é nossa capacidade de pensar com signos altamente desenvolvidos e complexos, que não lembram em nada o objeto representado. Só nós, ao que tudo indica, conseguimos representar as coisas, isto é, pensar nelas mesmo quando estamos longe. Isso nos separa drasticamente dos outros animais. Todos têm linguagens, mas só nós desenvolvemos uma com esse grau de complexidade (até onde se sabe).

Diferente de outros tipos de comunicação – como a gestual – a linguagem verbal se destaca por ser a mais prática. A fala proporciona uma especificidade única e auxilia de forma direta na expressão das ideias. Dessa forma, ocupa um espaço significativo dentro da própria estrutura do pensamento humano.

Como aprendemos essa linguagem desde muito cedo, ela se mistura o tempo todo com nossa maneira de pensar: algumas pesquisas mostram, inclusive, que a linguagem molda a realidade que vemos. Ao contrário do que a gente imagina, palavras não são apenas ‘nomes’ que damos para as coisas: elas nos levam a ver a realidade de maneiras diferentes.

Por que tantas variações?

Já entendemos que a fala ocupa um papel de importância para a própria espécie, estabelecendo um entendimento mútuo através de abstrações. Entretanto, ainda nos resta a dúvida: seriam os idiomas oriundos de uma única língua? O professor Luís analisa a questão a partir de dois vieses: as transformações históricas e o próprio uso da comunicação.

Ao que tudo indica, os atuais idiomas descendem de algumas poucas raízes. Mais ou menos como o Português, o Espanhol, o Francês, o Italiano e o Romeno descendem do Latim, o próprio Latim teve origem em uma língua ainda mais antiga, chamada de ‘Indo-Europeu’. E há outros troncos linguísticos principais ao redor do mundo.

O estudo dos troncos linguísticos e do desenvolvimento dos idiomas são a especialidade da área da Linguística: em suma, o campo busca analisar as semelhanças entre as estruturas de idiomas distintos, a fim de traçar uma história das línguas. 

Apesar da origem ainda nebulosa, para muitos linguistas e pesquisadores, o troco Indo-Europeu se configuraria como uma ‘língua mãe’ na Europa e em parte da Ásia, tendo suas bases em pastores e guerreiros nômades que habitavam o local. Já na América, por exemplo, temos o estudo dos troncos linguísticos indígenas, manifestados pelos nativos em todo o período pré-colonial.

Hoje, vemos a existência de uma diversidade de línguas esplêndida: são mais de 7000 idiomas falados no mundo. Como e por que será essas línguas se transformaram e se desenvolveram? 

Basicamente, pelo uso. Um idioma está sempre conectado ao grupo de pessoas que usa essa língua. E, claro, à realidade onde vivem. Por isso, tanto a fonética quanto a semântica, isto é, a pronúncia e o significado, são alterados com o tempo. Por esse motivo temos, por exemplo, diversas ‘línguas portuguesas’ de acordo com o lugar onde o idioma é falado.

Qual o registro mais antigo que se tem das línguas?

Claramente, não há registros fonéticos da comunicação humana nos seus primórdios. Tendo isto em vista, somos levados aos primeiros vestígios de uma possível escrita humana, encontrados nas antigas civilizações da região da Europa e dos continentes americano e asiático.

Na antiga Mesopotâmia, na cidade de Urik – hoje, território do Iraque -, foi encontrado, em 1929, o documento escrito mais antigo até o presente momento: uma tábua de argila que contém entalhados em sua superfície símbolos que representam transações comerciais.

Tábua de argila com escrita cuneiforme.
Tábua de argila com escrita cuneiforme. | Foto: MetMuseum

O artefato pertence à civilização dos Sumérios e possui cerca de 5.000 anos de idade. Os signos presentes foram desenvolvidos através do que os historiadores chamam de escrita cuneiforme: registros simples feitos em tábuas de barro com o auxílio de uma cunha.

Não obstante da tábua, a famosa Pedra de Roseta também é um artigo que se destaca quando o assunto é a história da linguagem. O artefato com aproximadamente 196 a.C. – apanhado em Roseta, Egito, em 1799 pelo exército de Napoleão Bonaparte – foi uma peça essencial para a compreensão moderna dos hieróglifos egípcios, já que continha um mesmo texto em três diferentes idiomas.

línguas antigas
Pedra de Roseta. | Foto: Unsplash.com

Indo para o continente asiático, alguns dos registros mais antigos já encontrados se localizavam no leste chinês: ossos e cerâmicas gravados com alguns símbolos, já que escrita era representada por ideias e não através um alfabeto estruturado.

Osso gravado (Dinastia Shang).
Osso gravado (Dinastia Shang). | Foto: Royal Ontario Museum

Na América, pode-se destacar o Bloco Cascajal: um artefato encontrado em 1999 na região do México, pesando mais de 12 kilos. O bloco pertence à civilização Olmeca e tem a idade entre 1200 a.C. e 400 a.C; ele é coberto por símbolos pertencentes a um sistema de escrita abstrato dos olmecas. 

línguas e escritas antigas
Bloco Cascajal (Las Lomas de Tacamichapan, Veracruz). | Foto: Reprodução.

Quero saber mais sobre o assunto!

Se você se intrigou com o tema e quer se aprofundar um pouco mais sobre a linguagem e a sua origem, confira algumas indicações de livros do Professor Luís:

  • História da Linguagem (Julia Kristeva) – Ed. 70
  • A Linguagem e o Pensamento na Criança (Jean Piaget) – Ed. Melhoramentos
  • Análise de Discurso (Eni P. Orlandi) – Ed. Pontes
  • Do Latim ao Português (Edwin Williams) – Ed. Tempo Brasileiro

_________________________________________________________

Por Isabelle Aradzenka – Fala! Cásper

Tags mais acessadas